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DIFÍCIL,
MAS NÃO IMPOSSÍVEL
Claudio Rossi
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"Em
1998, comecei a sentir dores no peito. Fiz exames com um cardiologista
e a única alteração detectada foi na taxa de
glicemia. O médico disse que eu era diabética. Não
acreditei. Até no consultório da endocrinologista
me recusei a acreditar no que os exames diziam. Fiquei em pânico.
Não admitia a doença, porque eu conhecia de perto
os horrores do diabetes. Só pensava no meu tio. Diabético,
ele teve de colocar uma ponte de safena. Por causa da doença,
um corte em sua perna não cicatrizava. Ele ficou com osso
exposto por dois anos e morreu cego. Decidi que eu não teria
um final daqueles. Comecei a fazer ginástica e a controlar
a dieta. Mesmo assim tenho de tomar remédio contra a doença.
Sempre fui louca por doces. Nunca mais, porém, coloquei açúcar
na boca. Às vezes, sonho que estou comendo chocolate e acordo
com a boca salivando. Não é fácil conviver
com uma doença como o diabetes. Mas aprendi que não
é impossível."
Elizabeth Salgueiro,
48 anos, psicóloga, diabética tipo 2
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UM
ETERNO JOGO DE XADREZ
Claudio Rossi
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"Comi brigadeiro apenas uma vez na vida, quando tinha 10 anos. Por
causa disso, passei um dia inteiro prostrado na cama, sem conseguir
me mexer direito. Como convivo com a doença desde os 4 anos,
fui aprendendo a melhor forma de lidar com ela. O que posso fazer?
Tenho de me contentar em beber água enquanto meus amigos
tomam cerveja. Já tive crises sérias por causa da
doença. Uma delas me pegou enquanto eu dormia. A sorte é
que meus pais ouviram eu me debater no quarto e foram me socorrer.
Eu estava desacordado. Por causa do diabetes, comecei a praticar
várias atividades físicas desde cedo. Hoje, pratico
ciclismo, aikidô e sempre faço acampamento selvagem.
Para onde vou, levo um kit para monitorar a glicemia e dosar as
injeções de insulina. É como um jogo de xadrez
que dura a vida inteira."
Alexei Ângelo Caio,
28
anos, engenheiro, diabético tipo 1
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O
SONHO DE FICAR LIVRE
Antonio Milena
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"Tinha
19 anos quando emagreci repentinamente. Foi assim que descobri que
tinha diabetes. Vivi com a doença sob controle durante vinte
anos. Nos últimos seis, porém, passei a ser acometida
por crises tão sérias que me levavam ao coma. A vida
tornou-se insuportável. Tomava oito injeções
diárias de insulina. Media a glicemia 25 vezes ao dia. Durante
a noite, acordava de duas em duas horas para fazer o teste. Com
o transplante, minha qualidade de vida melhorou. As medições
de glicemia diminuíram para cinco por dia e as injeções,
para quatro. É emocionante saber que tenho um terço
de células pancreáticas produzindo insulina sem parar.
O meu grande sonho é acordar livre para sempre do diabetes."
Telma
Mércia Rosário de Almeida,
45 anos, administradora de empresas, diabética tipo
1, primeira paciente a se submeter a um transplante de células
pancreáticas na América Latina
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