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Edição 1 787 - 29 de janeiro de 2003
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DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

 
Claudio Rossi

"Em 1998, comecei a sentir dores no peito. Fiz exames com um cardiologista e a única alteração detectada foi na taxa de glicemia. O médico disse que eu era diabética. Não acreditei. Até no consultório da endocrinologista me recusei a acreditar no que os exames diziam. Fiquei em pânico. Não admitia a doença, porque eu conhecia de perto os horrores do diabetes. Só pensava no meu tio. Diabético, ele teve de colocar uma ponte de safena. Por causa da doença, um corte em sua perna não cicatrizava. Ele ficou com osso exposto por dois anos e morreu cego. Decidi que eu não teria um final daqueles. Comecei a fazer ginástica e a controlar a dieta. Mesmo assim tenho de tomar remédio contra a doença. Sempre fui louca por doces. Nunca mais, porém, coloquei açúcar na boca. Às vezes, sonho que estou comendo chocolate e acordo com a boca salivando. Não é fácil conviver com uma doença como o diabetes. Mas aprendi que não é impossível."
Elizabeth Salgueiro,
48 anos, psicóloga, diabética tipo 2

 

UM ETERNO JOGO DE XADREZ


Claudio Rossi


"Comi brigadeiro apenas uma vez na vida, quando tinha 10 anos. Por causa disso, passei um dia inteiro prostrado na cama, sem conseguir me mexer direito. Como convivo com a doença desde os 4 anos, fui aprendendo a melhor forma de lidar com ela. O que posso fazer? Tenho de me contentar em beber água enquanto meus amigos tomam cerveja. Já tive crises sérias por causa da doença. Uma delas me pegou enquanto eu dormia. A sorte é que meus pais ouviram eu me debater no quarto e foram me socorrer. Eu estava desacordado. Por causa do diabetes, comecei a praticar várias atividades físicas desde cedo. Hoje, pratico ciclismo, aikidô e sempre faço acampamento selvagem. Para onde vou, levo um kit para monitorar a glicemia e dosar as injeções de insulina. É como um jogo de xadrez que dura a vida inteira."
Alexei Ângelo Caio,
28 anos, engenheiro, diabético tipo 1

 

O SONHO DE FICAR LIVRE


Antonio Milena


"Tinha 19 anos quando emagreci repentinamente. Foi assim que descobri que tinha diabetes. Vivi com a doença sob controle durante vinte anos. Nos últimos seis, porém, passei a ser acometida por crises tão sérias que me levavam ao coma. A vida tornou-se insuportável. Tomava oito injeções diárias de insulina. Media a glicemia 25 vezes ao dia. Durante a noite, acordava de duas em duas horas para fazer o teste. Com o transplante, minha qualidade de vida melhorou. As medições de glicemia diminuíram para cinco por dia e as injeções, para quatro. É emocionante saber que tenho um terço de células pancreáticas produzindo insulina sem parar. O meu grande sonho é acordar livre para sempre do diabetes."
Telma Mércia Rosário de Almeida,
45 anos, administradora de empresas, diabética tipo 1, primeira paciente a se submeter a um transplante de células pancreáticas na América Latina



   
 
   
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