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Séria, competente e de profundidade a reportagem "Começou
mal a reforma da Previdência" (22 de janeiro). Não há
o que questionar sobre a necessidade urgente de mudanças pela raiz
na previdência social brasileira carregada de incoerências
absurdas e marcada pela manutenção histórica de privilégios
inaceitáveis e descabidos. Muito
me orgulhou ler matéria sobre um assunto tão urgente em
nosso país ser tratada de forma tão lúcida e direta.
Espero que também seja inspiradora para os legisladores brasileiros,
que terão o poder de corrigir tamanha injustiça para com
o povo de nosso país. Acredito e espero que no Brasil todos sejam
iguais perante a lei, em breve! Quando
recebi a revista, meu cachorro não tirava os olhos da figura do
osso. Se fosse um osso de verdade, pelo seu instinto de cão, dificilmente
o largaria, mesmo porque, em sua condição de cachorro, não
conhece o artigo 5º da Constituição brasileira, que
diz: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza...", coisa que esses "senhores" que não querem
largar o osso devem, pelo seu dever de ofício, conhecer de cor
e salteado. Isso é democracia? A
verdadeira justiça não vem originariamente de lei nenhuma.
A justiça vem do bom senso, do bom caráter, do amor ao próximo
e do não-egoísmo. Nem tudo o que é legal é
legítimo, ou seja, é aprovado pela maioria da população.
Que
tal instituir a cobrança de contribuição dos servidores
inativos (bastaria a inclusão de um artigo na Constituição
Federal, nesse sentido); a criação de um teto salarial para
o serviço público, que acabaria com as superaposentadorias;
a proibição por lei de os governos (federal, estaduais e
municipais) gastarem dinheiro com propaganda? Para
impedir a evolução do déficit da Previdência,
através de adequada reforma, não é necessário
promover a involução do relacionamento entre os poderes
da República, cujos representantes devem evitar a passionalidade,
a incontinência e a arrogância. O tema requer doses de renúncia,
serenidade, olhar cívico fixado no futuro e permanente disposição
para o diálogo e o entendimento. Entrei
para as Forças Armadas quando tinha 16 anos. Lá, trabalhei
dias e noites, noites e dias, sábados, domingos e feriados, Carnaval,
Semana Santa, Natal e Ano-Novo, no frio, no vento, no sol e na chuva,
no exterior e no Brasil, no Sul, Sudeste, Nordeste e Norte. As duas filhas,
nem vi crescer direito. De uma delas não assisti sequer ao batizado;
deixei de partilhar de várias formaturas escolares e aniversários
das duas. Reuniões de pais e mestres? Nem uma vez. Minha mulher
se anestesiou de tanto sofrer, mas tinha esperança de dias melhores.
Orçamento doméstico, hoje e sempre, apertado. Aprendi que
militar é superior ao tempo. Sem hora extra, sem FGTS, sem folgas
nem compensações, a não ser a reserva depois de trinta
anos de serviço, com vencimento integral. Eu acreditei e cumpri
com minha parte no contrato. Agora dizem que sou privilegiado e querem
tirar o que conquistei, dentro da lei, com muito suor, esforço,
renúncia, dedicação e sacrifício.
Quando cheguei ao Rio de Janeiro, vindo de Campos, em 1998, não
conhecia, muito menos mantinha relacionamento próximo com Rodrigo
Silveirinha, ex-subsecretário adjunto de Administração
Tributária da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro.
Essa é a verdade. Querer fazer ilações de caráter
político é distorcer a realidade, é contribuir com
a desinformação. Durante minha administração
à frente do governo estadual, passei a tomar conhecimento da existência
do fiscal, assim como da de centenas de outros servidores de segundo e
terceiro escalões, por intermédio dos secretários
de Estado que despachavam as nomeações em meu gabinete.
No decorrer da última campanha eleitoral ao governo do Estado,
em que foi eleita minha esposa, Rosinha, o senhor Silveirinha participou
de um dos grupos de trabalho que prepararam a plataforma programática
da candidatura na área econômica. Quero deixar claro com
esses esclarecimentos que, em meus vinte anos de vida pública,
nunca compactuei com irregularidades de qualquer natureza. Eu mesmo e
minha esposa, quando nos afastamos do governo estadual, em 5 de abril
de 2002, protocolamos junto ao Ministério Público autorização
para a efetivação da quebra dos nossos sigilos bancário,
telefônico e fiscal para quem quer que seja, de forma que a transparência
com que tratamos a coisa pública seja estendida até a nossa
vida privada. Por fim, quero enfatizar a minha indignação
e revolta com as ações criminosas perpetradas pela quadrilha
de bandidos, da Receita Federal e da Fazenda estadual ("Perto do Garotinho",
22 de janeiro).
Muito oportuna e interessante a entrevista com John de Mol (Amarelas,
22 de janeiro), criador dos reality shows, que têm feito
tanto sucesso no Brasil e no mundo. Fala-se muito sobre os programas como
o Big Brother, mas nunca tinha lido nada a respeito do criador
desses programas, que se tornaram uma revolução na história
da televisão. Para quem gosta de televisão como eu, foi
sem dúvida uma das melhores entrevistas que VEJA já fez.
Parabéns! Bastante
esclarecedora e interessante a entrevista de John de Mol. Aos 47 anos,
ele mostra todo o seu conhecimento e confiança na manutenção
do sucesso, assim como retrata bem cada edição dos reality
shows, exaltando a peculiaridade de cada país para o sucesso
de seu formato. Esperamos que as emissoras também possam sempre
inovar, para que essa fórmula não caia na rotina e acabe
cansando o telespectador. Participar
de reality show como o Big Brother deve ser uma experiência
tão marcante na vida de uma pessoa que deveríamos pagar
para participar. Pelo menos sairia mais barato do que pagar anos de terapia,
análise ou psicólogos, e ainda correr o risco de não
descobrir nada, além do que você já sabia sobre você
mesmo.
Excelente a abordagem do economista Claudio de Moura Castro sobre um tema
tão importante e básico para a formação da
nação ("Aprendizagem de mentira", Ponto de vista, 22 de
janeiro). Posso falar com a experiência de quem aos 14 anos ingressou
no Senai Roberto Simonsen, em São Paulo, como contratado da Volkswagen
do Brasil, e logo nos primeiros meses passou a entender o que era uma
máquina e efetivamente a operá-la. Mas isso tudo com uma
excelente estrutura de curso, equipamentos e professores de que o Senai
dispunha e ainda dispõe. Hoje, depois de 35 anos de carreira, ocupo
um cargo de executivo na mesma Volkswagen e considero que a formação
que recebi no Senai, tanto no lado pessoal como no profissional, foi um
dos alicerces mais importantes de minha carreira profissional.
Atualmente, cada vez mais as pessoas estão descobrindo que comer
bem pode ser fácil e prazeroso e que uma alimentação
balanceada, que leve em conta as necessidades individuais, traz resultados
melhores e mais duradouros que dietas radicais. O nutricionista hoje é
um grande aliado para encontrar soluções que se adaptem
ao paladar e ao estilo de vida de cada um ("Comer sem gula. E sem culpa",
22 de janeiro).
Muito boa a reportagem "Íamos matar inocentes" (22 de janeiro),
sobre as ações do governador de Illinois, que oferece clemência
e brilha no mundo cada vez mais conservador, autoritário e inclemente
do "Planeta Bush". VEJA conseguiu mostrar os dois lados da questão,
abrangendo o fato de o perdão ter sido dado também a verdadeiros
"monstros". No final, apenas uma ressalva: o uso da expressão "retardados
mentais", pejorativa e tão inadequada para uma reportagem nesse
tom, foi uma pisada na bola.
Infelizmente, a posição de vassalo que o Brasil sempre adotou
em relação aos Estados Unidos faz com que qualquer atitude
contrária aos interesses daquele país pareça uma
provocação gratuita. Ora, desde que o governo Lula saiba
em que terreno está pisando e até onde pode ir, pequenos
banhos de soberania não nos farão mal algum, antes pelo
contrário ("Brazilians, go home?", 22 de janeiro). Na
crise política venezuelana, o governo brasileiro não deveria
tomar partido em favor do governo do presidente Chávez ou da oposição.
Deve procurar uma solução pacífica e justa para os
dois lados. O presidente Chávez não precisa de mais ajuda.
Depois de ser eleito de forma transparente e legítima pela maioria
da população, surpreendeu os venezuelanos com um projeto
"revolucionário" jurássico que procura reproduzir na Venezuela
o modelo comunista cubano. Depois de quatro anos de governo, todos os
indicadores sociais e econômicos pioraram, e hoje ele é rejeitado
por 70% da população, incluindo as camadas mais pobres.
O artigo "Corrente chapa-branca" (22 de janeiro), de Diogo Mainardi, está
sensacional. Pode representar a reversão no festival de besteira
que assola o país e, em particular, a nossa mídia, que anda
caipira demais. É
sempre bom ler Mainardi, apesar de muitos o acharem cáustico demais.
Seu texto sobre Zuenir Ventura é um retrato fiel de algumas tontices
cariocas, como a de aplaudir pôr-de-sol.
Gostaria de comunicar aos cariocas que organizarei uma força-tarefa
para identificar uma nova fisioterapeuta para o filho de Diogo Mainardi,
que seja residente na Vila de São Paulo de Piratininga. Talvez
assim ele passe os doze meses do ano lá. Interessados em participar
da força-tarefa, favor entrar em contato.
Cumprimento o colunista Gustavo Franco pelo feliz artigo "Neoliberais
naturalizados" (Em foco, 22 de janeiro). O colunista se mostrou bem realista
sobre a situação atual do governo Lula e sobre os impasses
para a aprovação da reforma previdenciária. A partir
de agora, o PT, que até então se utilizava de todos os meios
para embargar a reforma, vai ter de se acostumar com as críticas
e com os desafios que a proposta exige. O feitiço virou contra
o feiticeiro.
Na reportagem "A farra dos canudos" (11 de dezembro de 2002), foi citada
a festa de formatura dos alunos de medicina da Universidade Federal de
Minas Gerais, que teria sido realizada pelo Buffet Catarina. Na verdade,
essa festa foi realizada pelo Buffet Célia Soutto Mayor.
Arc
Não conhecia as histórias do Arc até que, sem querer,
acabei lendo uma em uma revista VEJA. Desde então leio todas, inclusive
as do site. Acho essas histórias fora de série. Elas mostram
como tudo que é tão complicado poderia ser tão mais
simples. Parabéns aos criadores do Arc. Continuem fazendo esse
trabalho tão bom e interessante.
A nota "Gravidez adiada" (Guia, 15 de janeiro) pode alimentar uma falsa
ilusão em muitas mulheres. Os dados de todos os relatos mundiais
de reprodução assistida mostram que os resultados são
piores com a evolução da idade da mulher, ficando bem baixos
após os 40 anos. Além disso, gestações nessa
época têm maior probabilidade de desenvolver problemas de
não-disjunção cromossômica, com maior incidência
de síndromes genéticas, como a de Down. Achamos importante
que as mulheres estejam engajadas profissionalmente e possam escolher
a época certa para ter filhos, mas precisam ficar alertas para
isso, não postergando em demasia a decisão. Essa é
hoje a principal causa do aumento de casos de procura por tratamento,
e infelizmente a ciência não tem ainda uma boa resposta para
essa situação.
Com relação à reportagem "Muito além do batom"
(8 de janeiro), que tem o mérito de mostrar ao leitor todo o suporte
de pesquisa e desenvolvimento que antecede qualquer lançamento
de produtos de consumo, gostaríamos de informar que a primeira
linha para cabelos cacheados lançada no Brasil foi a Seda Hidraloe,
da Unilever, em março de 1998.
CORREÇÕES: A imagem que ilustrou
a nota "Games
machistas" (22 de janeiro) é do jogo Grand Theft Auto
Vice City, e não do Grand Theft Auto 3.
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