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Edição 1 787 - 29 de janeiro de 2003
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Lula é a terceira via

Sem alarde nem teorizações, Luiz Inácio Lula da Silva fez em menos de um mês de governo a síntese de duas correntes de pensamento que passaram toda a década de 90 brigando. Lula está lançando as bases reais daquilo que o sociólogo inglês Anthony Giddens em 1994 batizou de terceira via, a sonhada alternativa tanto ao neoliberalismo quanto à social-democracia. Até que Lula começasse a governar, a terceira via existia como um objetivo vago e futuro de governantes originários da esquerda obrigados a cumprir rígidos programas de direita, como o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, e o chanceler alemão Gerhard Schroeder. Lula é também um político de esquerda comandando um governo com cerceamentos de mercado. Mas ele inovou ao montar um governo em que o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central são incontrastáveis em suas decisões em defesa da estabilidade monetária, enquanto o restante do ministério é agressivo no combate à fome e em outras ações sociais mais urgentes. O jornal francês Le Monde se perguntava, em manchete na semana passada, se a esquerda pode tirar lições do modelo brasileiro. Os entrevistados responderam que sim e atribuíram a Lula a rara qualidade, ausente, segundo o jornal, nas esquerdas européias, de não ignorar as pressões da sociedade, sejam as de esquerda, sejam as de direita.

Na semana passada, Lula fez o casamento público e simbólico das duas correntes de pensamento ao se tornar o primeiro chefe de Estado a comparecer tanto ao Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, quanto ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O encontro de Porto Alegre reuniu mais de 100.000 delegados, representando quase todas as vertentes da esquerda mundial. Em Davos, estão representados os governos dos países ricos, os líderes das grandes empresas multinacionais e dos organismos mundiais de defesa do capitalismo, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. No processo de transição de pedra a vidraça e ao discursar como estrela em ambos os fóruns, Lula demonstrou que está superando o maniqueísmo que dividiu as agendas de Porto Alegre e Davos. Veja a reportagem sobre o assunto.

 
 
   
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