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Lula
é a terceira via
Sem alarde nem teorizações, Luiz Inácio Lula da Silva
fez em menos de um mês de governo a síntese de duas correntes
de pensamento que passaram toda a década de 90 brigando. Lula está
lançando as bases reais daquilo que o sociólogo inglês
Anthony Giddens em 1994 batizou de terceira via, a sonhada alternativa
tanto ao neoliberalismo quanto à social-democracia. Até
que Lula começasse a governar, a terceira via existia como um objetivo
vago e futuro de governantes originários da esquerda obrigados
a cumprir rígidos programas de direita, como o primeiro-ministro
da Inglaterra, Tony Blair, e o chanceler alemão Gerhard Schroeder.
Lula é também um político de esquerda comandando
um governo com cerceamentos de mercado. Mas ele inovou ao montar um governo
em que o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central são
incontrastáveis em suas decisões em defesa da estabilidade
monetária, enquanto o restante do ministério é agressivo
no combate à fome e em outras ações sociais mais
urgentes. O jornal francês Le Monde se perguntava, em manchete
na semana passada, se a esquerda pode tirar lições do modelo
brasileiro. Os entrevistados responderam que sim e atribuíram a
Lula a rara qualidade, ausente, segundo o jornal, nas esquerdas européias,
de não ignorar as pressões da sociedade, sejam as de esquerda,
sejam as de direita.
Na semana passada, Lula fez o casamento público e simbólico
das duas correntes de pensamento ao se tornar o primeiro chefe de Estado
a comparecer tanto ao Fórum Social Mundial, realizado em Porto
Alegre, quanto ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
O encontro de Porto Alegre reuniu mais de 100.000 delegados, representando
quase todas as vertentes da esquerda mundial. Em Davos, estão representados
os governos dos países ricos, os líderes das grandes empresas
multinacionais e dos organismos mundiais de defesa do capitalismo, como
o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. No processo
de transição de pedra a vidraça e ao discursar como
estrela em ambos os fóruns, Lula demonstrou que está superando
o maniqueísmo que dividiu as agendas de Porto Alegre e Davos. Veja
a reportagem sobre o assunto.
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