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VEJA Recomenda 2005
DVDs
O Expresso Polar (The
Polar Express, Estados Unidos, 2004. Warner) Na noite
em que um garoto começa a ficar descrente de Papai Noel,
um trem mágico pára à porta de sua casa a fim
de levá-lo para o Pólo Norte, juntamente com outras
crianças acometidas do mesmo ceticismo e as visões
que os esperam são, claro, capazes de colocar qualquer um
no espírito do Natal. Baseado no best-seller infantil do
americano Chris Van Allsburg e dirigido pelo Robert Zemeckis de
De Volta para o Futuro, esse filme-experimento, misto de
animação com ação real, traz Tom Hanks
em cinco papéis, do menino e do condutor do trem ao próprio
Papai Noel. As coisas esquentam mesmo, porém, com a entrada
em cena dos delirantes elfos encarregados de fabricar os brinquedos.
Photo12/AFP
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| O Sol por Testemunha: melhor papel
de Delon |
O Sol por Testemunha (Plein Soleil, França/Itália,
1960. Versátil) Alain Delon teve seu melhor papel
nessa primeira adaptação do romance O Talentoso
Ripley, de Patricia Highsmith. Delon é Tom Ripley, um
rapaz sem perspectivas e fácil de esquecer, que bola um esquema
para se misturar à vida do milionário Philippe Greenleaf
(Maurice Ronet) e sua namorada, Marge (Marie Laforêt). Ligado
a Philippe por partes iguais de inveja, ressentimento e desejo,
Ripley decide assassiná-lo para se apossar não apenas
de sua identidade, mas de sua personalidade. O diretor René
Clément, um dos grandes da era de ouro do cinema francês,
foi obrigado a amenizar o desfecho escrito por Highsmith. Mas, ao
contrário da refilmagem protagonizada por Matt Damon, seu
filme preserva a amoralidade de Ripley e resulta um sensacional
noir a sol pleno.
Coleção Astaire
& Rogers Volume 1 (Warner) Achar o parceiro
de dança ideal é tão difícil quanto
encontrar o verdadeiro amor e igualmente sublime, como se
pode comprovar nesses cinco filmes estrelados pela dupla Fred Astaire
e Ginger Rogers. O Picolino (1935) e Ritmo Louco (1936)
são, de longe, os melhores da coleção, mas
vêm seguidos de perto por Nas Águas da Esquadra
(1936) e Vamos Dançar? (1937). Em todos eles, a fluidez
do casal de dançarinos (que, na vida civil, não se
davam lá muito bem) e sua sintonia são contagiantes.
É fácil esquecer quanto de esforço esses números
tão alegres demandavam Ginger não raro terminava
o dia de filmagem com os pés sangrando. O mais fraco da seleção
é Ciúme, Sinal de Amor (1949), filmado quando
a magia já se havia ido.
The Movie, ABBA
(Universal) O quarteto sueco ABBA teve presença marcante
nas paradas nos anos 70, graças a sucessos como Dancing
Queen. Rodado em 1977, The Movie é um registro
de apresentações do conjunto na Austrália.
A direção coube ao cineasta Lasse Hallström,
que mais tarde ficaria famoso com as produções Minha
Vida de Cachorro e Chocolate. A trama criada por Hallström
é só um pretexto para mostrar o ABBA em ação:
as imagens do grupo no palco são entremeadas com cenas em
que um radialista fictício tenta entrevistar seus integrantes.
Lançada em cinema na época, a fita chega ao DVD no
Brasil num momento em que o pop inofensivo do conjunto voltou à
cena com tudo entre os que se rendem a ele está a
cantora Madonna, que sampleou o hit Gimme Gimme Gimme em
seu novo CD.
DISCOS
Dave Hogan/Getty Images
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| Prodigy: batidas que mudaram a música
eletrônica |
Their
Law: the Singles 1995-2005, The Prodigy (Sum Records)
Ao lado de seus conterrâneos do Chemical Brothers, os ingleses
do Prodigy foram os responsáveis pela popularização
da música eletrônica na segunda metade dos anos 90.
O grupo ajudou o gênero a cair no gosto dos roqueiros, ao
adicionar guitarras a ritmos como a dance music. Nessa coletânea
não faltam suas músicas mais conhecidas, como Firestarter
e Smack My Bitch Up ambas do disco The Fat
of the Land, de 1997. Mas o mérito do lançamento
é recuperar também o que o Prodigy fez de bom em seus
primeiros trabalhos, menos divulgados por aqui. Incluem-se aí
a ultradançante No Good e Out of Space, um
dos primeiros sucessos da banda nas pistas.
Para
Inglês Ver... e Ouvir, Zizi Possi (Universal)
A paulistana Zizi Possi é uma grande intérprete da
MPB, mas não raro desperdiçou seu talento em trabalhos
de gosto duvidoso vide seu flerte com o brega nos anos 80
ou os fracos discos de música italiana que gravou na década
de 90. Para Inglês Ver... mostra do que Zizi é
capaz quando aposta num bom repertório. Nascido de uma série
de shows que a cantora fez numa casa de jazz em São Paulo,
o CD traz interpretações suas para canções
em inglês. O cardápio é variado: Zizi vai de
um clássico como Love for Sale, de Cole Porter, até
um hit do jamaicano Bob Marley, Redemption Song. Ela acerta,
sobretudo, em Moon River (tema do filme Bonequinha de
Luxo) e na bela versão de Do You Wanna Dance,
de Johnny Rivers.
AFP
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| Nina Simone: um disco só de blues |
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High Priestess of Soul,
Nina Simone (Universal) Em quarenta anos de carreira, Nina
Simone (1933-2003) redefiniu a maneira de interpretar jazz. Era
uma pianista de mão-cheia, que ia da música clássica
(ela estudou na prestigiada Juilliard School, de Nova York) ao cabaré.
A roufenha Nina também fez do jazz um campo de militância
política na emblemática Mississippi Goddam,
denunciou a segregação dos negros americanos. Em High
Priestess of Soul, de 1966, a cantora investe num repertório
menos politizado. O forte do disco no qual ela tem apoio
de uma big band e uma orquestra é o rhythm'n'blues.
Um dos pontos altos é sua versão de Brown Eyed
Handsome Man, do roqueiro Chuck Berry. Em Come Ye, o
vocal trovejante de Nina é acompanhado apenas por percussão.
CINEMA
A Passagem (Stay,
Estados Unidos, 2005. Estréia no país na sexta-feira
30) Um rapaz (Ryan Gosling) diz para seu psiquiatra (Ewan
McGregor) que pretende se suicidar dali a três dias, e o analista,
a fim de impedi-lo, corre para deslindar os motivos que estariam
por trás da decisão ou pelo menos essa é
a situação que parece estar se desenrolando
no início. A partir dela, o diretor alemão Marc Forster
(de A Última Ceia) vai criar outras, cada vez mais
intrincadas, até que nem os personagens nem a platéia
saibam mais discernir o que é real. Com sua estrutura de
quebra-cabeça, A Passagem é um programa absorvente
embora de ligeiro não tenha nada. Pontos extras ainda
para a concepção visual de Forster e para o ótimo
elenco, completado por Naomi Watts, em cartaz também com
King Kong.
2046 Segredos do
Amor (2046, Hong Kong/China/França, 2004. Estréia
no país na sexta-feira 6) Essa continuação
do cult Amor à Flor da Pele não deixa dúvida:
o diretor Wong Kar Wai está enfeitiçado pelo ator
Tony Leung e é fácil entender por quê.
Leung retoma o personagem do jornalista Chow, que terminou o filme
original arrasado pelo fim de seu romance com uma mulher casada.
Em Hong Kong, ele leva uma vida dissoluta e se envolve com várias
outras mulheres (entre elas Zhang Ziyi, a musa chinesa do momento),
que sucumbem ao seu charme. Nas horas vagas, Chow escreve um conto
sobre 2046, um tempo/lugar em que as pessoas vão encontrar
suas lembranças. Detalhe: 2046 é também quando
acaba o compromisso da China de manter o status quo de Hong Kong.
LIVROS
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| Machado: nova biografia |
Machado
de Assis Um Gênio Brasileiro, de Daniel Piza
(Imprensa Oficial; 416 páginas; 60 reais) Na apresentação
dessa biografia, o jornalista Daniel Piza observa que Machado de
Assis (1839-1908) foi ao mesmo tempo uma expressão de sua
época e uma exceção a ela. Em seus contos e
romances, ele deixou um retrato acurado do Rio de Janeiro do século
XIX, mas sua crítica ácida à sociedade brasileira
nem sempre foi percebida por seus contemporâneos. Piza busca
demonstrar que Machado era muito diferente do protagonista de seu
último romance, Memorial de Aires: o escritor não
tinha "tédio a controvérsias", pois na verdade participou
dos grandes debates públicos de sua época. A ascensão
social do mulato no Brasil escravista e a epilepsia estão
entre os aspectos de sua vida examinados no livro.
A
Promessa do Livreiro, de John Dunning (tradução
de Alvaro Hattnher; Companhia das Letras; 440 páginas; 43
reais) O escritor americano John Dunnning é um livreiro
especializado no comércio de obras raras pela internet. Sua
experiência de bibliófilo foi essencial para a composição
dos policiais Edições Perigosas e Impressões
e Provas, estrelados por Cliff Janeway, um curioso dublê
de livreiro e detetive. No novo livro, ele retorna à ação
para investigar um mistério relacionado à figura do
explorador inglês Richard Burton. O caso envolve uma coleção
de obras raras roubada, uma mulher assassinada e até
o próprio Burton, cuja rápida passagem pelos Estados
Unidos, pouco antes da Guerra Civil, será um enigma para
Janeway investigar.
Dave Caulkin/AP
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| Bryson: ciência em resumo |
Breve
História de Quase Tudo, de Bill Bryson (tradução
de Ivo Korytowski; Companhia das Letras; 542 páginas; 54
reais) O jornalista americano Bill Bryson estava cruzando
um oceano de avião quando se deu conta de que não
sabia explicar por que as águas do mar abaixo dele eram salgadas.
Para resolver essa e outras dúvidas, ele decidiu ler uma
batelada de livros científicos e entrevistar vários
especialistas. O resultado de suas pesquisas é esse livro,
um bem-humorado resumão do conhecimento que a ciência
acumulou ao longo de séculos. Sucesso na Inglaterra, onde
vendeu mais de 2 milhões de exemplares, Breve História
explica de forma saborosa temas que vão da função
da atmosfera da Terra à evolução da espécie
humana.
Adolfo Gerchmann
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| O poeta Quintana: lírico
e cético |
Poesia Completa,
de Mario Quintana (Nova Aguilar; 1.024 páginas, 170 reais)
O gaúcho Mario Quintana (1906-1994) foi um dos nomes
mais representativos da poesia moderna brasileira. Ele praticou
as mais diversas formas poéticas, dos sonetos de A Rua
dos Cataventos, seu livro de estréia, em 1940, aos sintéticos
aforismos de Caderno H. Sua voz, porém, é inconfundível:
a conjugação de um lirismo às vezes francamente
sentimental, sem pudor de assumir imagens que outro poeta talvez
considerasse desgastadas (Lua, grilos, anjos), com uma sutil nota
de ceticismo. Esse livro reúne, num único volume,
todas as quinze coletâneas que o poeta gaúcho lançou
em vida, além do póstumo Água e cinco
livros de versos dedicados ao público infantil.
Will Mcintyre/Time Life/Getty Images
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| Larson: história em tom de thriller
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O
Demônio na Cidade Branca, de Erik Larson (tradução
de Luana Ferreira de Freitas; Record; 560 páginas; 62,90
reais) No século XIX e no início do XX, as
feiras internacionais estavam na moda. O jornalista Erik Larson
conta a história da Feira Internacional de Chicago, em 1893
e seu relato, embora não seja ficcional, pode ser
lido como um thriller. Pois Larson reconstitui não só
as atividades de Daniel Hudson Burnham, o arquiteto encarregado
de montar a gigantesca exposição ele também
narra a história de Henry H. Holmes, um serial killer que
abriu um hotel em Chicago na época da feira. Ele aproveitava
o grande afluxo de mulheres à cidade para fazer suas vítimas.
Seu hotel era equipado com itens sinistros: câmara de tortura
à prova de som e incinerador.
Ensaios
Reunidos, 1946-1971 Volume II, de Otto Maria Carpeaux
(Topbooks/UniverCidade; 942 páginas; 93,90 reais)
Ao lado do húngaro Paulo Rónai e do alemão
Anatol Rosenfeld, o crítico literário austríaco
Carpeaux (1900-1978) faz parte de uma brilhante leva de intelectuais
judeus que se exilaram no Brasil quando o nazismo começava
sua expansão pela Europa. E o Brasil ganhou muito com Carpeaux,
autor de uma portentosa História da Literatura Ocidental.
Esse segundo volume de seus ensaios completos resultado de
um grande trabalho de pesquisa dá testemunho da abrangência
de seu conhecimento: Carpeaux fala com a mesma argúcia da
ópera de Richard Wagner, dos romances de James Joyce e da
poesia de Manuel Bandeira.
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