Edição 1937 . 28 de dezembro de 2005

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Roberto Civita

Ao longo deste ano, VEJA – mais uma vez – liderou a cobertura da imprensa sobre corrupção no governo. Isso resultou no descobrimento de um gigantesco esquema de desvio do dinheiro público na órbita do governo federal. Três CPIs foram instaladas para apurar as denúncias, e ainda estão em andamento inquéritos na Polícia Federal e na Procuradoria Geral da República. O Congresso não ficou imune às investigações. Até o momento, sete deputados envolvidos em esquemas de corrupção perderam o mandato, entre eles um ex-ministro e um ex-presidente da Câmara dos Deputados. Dois deles foram cassados pelos próprios parlamentares e cinco renunciaram antes do fim do processo. Outros onze ainda aguardam o julgamento por seus pares.

Resultou, também, em inúmeros ataques a VEJA e à Abril, acusando-nos de publicar "fantasias'' e "injúrias''. E levou o presidente Lula – após mais de cinco meses de evidências crescentes de que algo estava podre no Estado brasileiro – a falar de "denuncismo vazio'' e "golpismo das elites''.

Não se trata de denuncismo. Muito menos vazio, pois, como demonstram as investigações feitas pelas CPIs, não há mais dúvida alguma de que estatais e entidades que recebem recursos do governo federal foram usadas para sustentar um esquema milionário de corrupção.

Também não se trata de golpismo, mas sim de respeito à verdade e vontade de ver o Brasil ser governado como precisa e merece.

VEJA faz o que faz ao desvendar esquemas de corrupção em qualquer esfera pública não pelo gosto de fazê-lo ou para aumentar a sua circulação (que é baseada em 1 milhão de assinantes e conta com um fiel contingente de leitores que compra a revista nas bancas toda semana) – de longe a maior de qualquer publicação do país.

Não porque apoiamos este ou aquele partido ou candidato.

Não porque estamos defendendo ou promovendo "interesses ocultos'' ou "propósitos escusos''.

Não porque somos insensíveis ou agressivos ou destrutivos.

Mas porque entendemos que essa é a função e a principal responsabilidade da imprensa. Procurar a verdade e contá-la. Esclarecer, analisar, e interpretar. Contribuir para o debate público. Exigir respeito ao estado de direito. Defender as instituições, e não os homens.

Acreditamos que isso contribui para a indispensável tarefa de fortalecer a nossa democracia. Para que o país realize o seu enorme potencial em benefício de todos os brasileiros. E não apenas daqueles que consideram os cargos públicos sinecuras para se beneficiar individual ou coletivamente.

VEJA promete continuar por esse caminho.

 
 
 
 
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