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Carta
do editor Por que fazemos o que fazemos
 Roberto
Civita Ao longo deste ano, VEJA mais
uma vez liderou a cobertura da imprensa sobre corrupção no
governo. Isso resultou no descobrimento de um gigantesco esquema de desvio do
dinheiro público na órbita do governo federal. Três CPIs foram
instaladas para apurar as denúncias, e ainda estão em andamento
inquéritos na Polícia Federal e na Procuradoria Geral da República.
O Congresso não ficou imune às investigações. Até
o momento, sete deputados envolvidos em esquemas de corrupção perderam
o mandato, entre eles um ex-ministro e um ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Dois deles foram cassados pelos próprios parlamentares e cinco renunciaram
antes do fim do processo. Outros onze ainda aguardam o julgamento por seus pares.
Resultou, também, em inúmeros
ataques a VEJA e à Abril, acusando-nos de publicar "fantasias'' e "injúrias''.
E levou o presidente Lula após mais de cinco meses de evidências
crescentes de que algo estava podre no Estado brasileiro a falar de "denuncismo
vazio'' e "golpismo das elites''.
Não se trata de denuncismo. Muito menos vazio, pois, como demonstram as
investigações feitas pelas CPIs, não há mais dúvida
alguma de que estatais e entidades que recebem recursos do governo federal foram
usadas para sustentar um esquema milionário de corrupção.
Também não se trata
de golpismo, mas sim de respeito à verdade e vontade de ver o Brasil ser
governado como precisa e merece. VEJA
faz o que faz ao desvendar esquemas de corrupção em qualquer esfera
pública não pelo gosto de fazê-lo ou para aumentar a sua circulação
(que é baseada em 1 milhão de assinantes e conta com um fiel contingente
de leitores que compra a revista nas bancas toda semana) de longe a maior
de qualquer publicação do país.
Não porque apoiamos este ou aquele partido ou candidato.
Não porque estamos defendendo ou promovendo "interesses ocultos'' ou "propósitos
escusos''. Não porque somos
insensíveis ou agressivos ou destrutivos.
Mas porque entendemos que essa é a função e a principal responsabilidade
da imprensa. Procurar a verdade e contá-la. Esclarecer, analisar, e interpretar.
Contribuir para o debate público. Exigir respeito ao estado de direito.
Defender as instituições, e não os homens.
Acreditamos que isso contribui para a indispensável tarefa de fortalecer
a nossa democracia. Para que o país realize o seu enorme potencial em benefício
de todos os brasileiros. E não apenas daqueles que consideram os cargos
públicos sinecuras para se beneficiar individual ou coletivamente.
VEJA promete continuar por esse caminho. |