Criminal Minds A Primeira
Temporada
(Estados Unidos, 2005. Buena Vista) É verdade que se trata de mais
um procedural, o novo jargão para os incontáveis seriados
que analisam o trabalho da polícia. Mas Criminal Minds é
um bocado mais variado do que seus companheiros: ao acompanhar os casos investigados
por uma equipe do FBI especializada em traçar perfis de criminosos para
assim facilitar a caça a eles, o programa trata não apenas de homicídios,
mas também de seqüestros, chantagens, obsessões, fetiches e
tudo o mais que possa fazer parte do cardápio da Unidade de Análise
Comportamental que opera em qualquer canto dos Estados Unidos, em cidades
grandes e pequenas ou em vilas rurais. Os roteiros são bem-feitos e o elenco
não demora a ganhar a simpatia da platéia, com destaque para Mandy
Patinkin, o excêntrico líder da equipe, e Thomas Gibson, o engomadinho
agente Hotchner.
Reine sobre
Mim(Reign Over
Me, Estados Unidos, 2007. Sony) É difícil
pensar numa combinação mais improvável
de atores do que a arranjada para esse drama, mas ela funciona
muito além das expectativas. Don Cheadle, o ator ultratécnico
e contido de filmes como Crash, é Alan, um dentista
enfastiado com a vida doméstica que reencontra, por
acaso, o colega de faculdade Charlie o quase sempre
espalhafatoso Adam Sandler, aqui num bom momento. Charlie
perdeu toda a família no ataque às Torres Gêmeas
e, desde então, vive em estado de negação
absoluta, sem nenhum compromisso, como se tivesse voltado
à adolescência. A situação, claro,
apetece a Alan. Até porque, enquanto estiver ocupado
com a vida do amigo, não precisará pensar na
sua própria. Veja
cenas.
Amazing
Journey: The Story of The Who (Inglaterra/Estados Unidos, 2007. Universal)
O documentário sobre o quarteto inglês The Who é um
alívio para quem está cansado de cinebiografias "chapa branca",
em que roqueiros são retratados como criaturas dóceis e simpáticas.
O guitarrista Pete Townshend e o cantor Roger Daltrey, os únicos sobreviventes
da formação original, refazem a trajetória da banda, dos
anos 60 aos dias de hoje, com sinceridade cortante. Daltrey fala dos problemas
de relacionamento do grupo e de como articulou a defecção de Kenney
Jones baterista que tentou substituir o insubstituível Keith Moon.
Já Townshend relembra sua prisão sob a acusação de
acessar sites de pornografia infantil. De quebra, cenas raras de shows do Who
no início da carreira e em grandes estádios.
LIVROS
Nova
York do Oiapoque ao Chuí,de Tania
Menai (Casa da Palavra; 224 páginas; 34,90 reais) O engraxate cearense,
a cantora carioca que já trabalhou com Tom Jobim, o cabeleireiro mineiro,
a modelo gaúcha todos tentam a sorte em Nova York. A jornalista
Tania Menai, colaboradora de VEJA e radicada ela mesma em Nova York ,
reuniu neste livro depoimentos de 23 brasileiros que se estabeleceram na cidade.
Eles falam, na primeira pessoa, de suas dificuldades e da relação
com a metrópole, compondo um painel da dispersa comunidade brasileira.
São quase todas histórias de sucesso, como a da motorista que a
muito custo conseguiu montar sua própria empresa de limusines. Mas poucos
desses personagens encontram tempo fora do trabalho para aproveitar as opções
da maior cidade americana. Leia
trecho.
O
Planeta Diário O Melhor do Maior Jornal do Planeta
(Desiderata; 348 páginas; 69 reais) Era 1984, o último ano
da ditadura militar, e os humoristas Reinaldo, Hubert e Cláudio Paiva (os
dois primeiros hoje na trupe do Casseta & Planeta) aproveitaram o clima
de abertura para lançar o anárquico O Planeta Diário,
que permaneceu nas bancas até 1991. O título do jornal era
copiado do universo do Super-Homem, mas o conteúdo tinha pouco a ver com
o certinho Clark Kent. O Planeta brasileiro trazia manchetes com maliciosos
duplos sentidos, fotonovelas debochadas, anúncios falsos e muita
incorreção política. Os furos de reportagem (inventados,
claro) incluíram o relato do "xeqüestro de Xuxa" e a entrada
do cantor anão Nelson Ned no grupo juvenil Menudo. Leia
trecho.
DISCO
Adams: enfim, uma chance de pôr a
carreira de volta nos trilhos
Easy
Tiger,Ryan
Adams (Universal) Em 2000, quando lançou seu disco de estréia,
o cantor e guitarrista americano foi saudado como um legítimo seguidor
de Neil Young e Gram Parsons artistas que combinaram a música caipira
dos Estados Unidos com a aspereza do rock. O entusiasmo inicial, porém,
virou desconfiança depois que Adams se envolveu com drogas pesadas e lançou
trabalhos de qualidade discutível. Easy Tiger pode recolocar sua
carreira nos eixos. Tem as melhores canções de Adams em anos
do folk de Two (com Sheryl Crow nos vocais de apoio) ao country-rock de
guitarras pesadas e refrão pegajoso de Halloweenhead. A balada The
Sun Also Sets, por sua vez, traz uma das melhores interpretações
do cantor.