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28 de novembro de 2007
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Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que um quarto dos brasileiros não tem a vista perfeita, mas 98% deles não consideram sequer a hipótese de submeter-se a uma cirurgia para corrigir uma miopia ou um astigmatismo.


Monica Weinberg

A primeira razão, segundo aponta o estudo da OMS, é o preço dessas operações, de 3 000 reais em diante. Outra tem relação com um assumido desconhecimento sobre a tecnologia e os resultados obtidos com a cirurgia. De acordo com os especialistas, há, sim, casos em que o resultado não é tão bom quanto o esperado, mas eles se restringem a 5% do total. No geral, miopia, astigmatismo e hipermetropia – três dos problemas ópticos mais freqüentes no Brasil – são eliminados por meio de laser, e não de bisturi, em minicirurgias realizadas em minutos. Ao lado, os especialistas chamam atenção para o bê-á-bá dos dois tipos mais comuns (e eficazes) de intervenção, traçam um panorama do que esperar no pós-operatório e dizem por que, afinal, essa é uma hipótese que deve, ao menos, ser considerada.

Tipo de cirurgia: PRK
(Photo-Refractive Keratectomy)

Como é: com os olhos sob efeito de um colírio anestésico, aplica-se um jato de laser sobre a córnea. Ao longo de um minuto, o laser remove justamente as partículas de tecido que determinam a falha de curvatura na córnea. Se alguém acumula miopia e astigmatismo, por exemplo, pode submeter-se a duas (ou até três) dessas minicirurgias, uma após a outra
Pós-operatório: as pessoas costumam se queixar de dor e de uma sensação de areia nos olhos na semana seguinte à cirurgia. É preciso ainda usar lentes de contato protetoras, aplicar colírio para manter a umidade dos olhos e tomar antiinflamatórios
Indicação: para os casos mais leves de astigmatismo e hipermetropia (até 2 graus) e de miopia (4 graus)
Nível de acerto: 95% das pessoas têm o problema eliminado. As restantes – em geral quem possui córneas finas demais – permanecem com graus residuais
Comentário dos especialistas: a técnica a laser é um avanço em relação à velha operação com bisturi, praticada até a década de 90. Costumava não funcionar por uma razão: de fato eliminava a miopia, mas freqüentemente causava hipermetropia. Isso porque, sem o grau de precisão do laser, os médicos retiravam tecido em excesso da córnea
Preço: 3 000 reais

 

Tipo de cirurgia: Lasik
(Laser in-Situ Keratomileusis)

Como é: à anestesia com colírio segue-se um jato de laser com o objetivo de deslocar da parte externa da córnea uma lasca finíssima, do tamanho da pupila. Com isso, tem-se acesso à porção interna da córnea, onde estão as falhas mais acentuadas de curvatura. É lá que incidirão novos feixes de laser, dessa vez para corrigir os eventuais desvios. Se a pessoa sofrer de miopia e astigmatismo, por exemplo, poderá resolver os dois problemas na mesma operação. Isso feito, encaixa-se novamente a "tampa" que havia sido deslocada da córnea. Ela voltará a aderir aos olhos
Pós-operatório: não é dolorido; exige, no entanto, certos cuidados básicos até que a córnea descolada durante a cirurgia se fixe novamente. São cerca de quinze dias sem coçar os olhos, evitando ainda lugares empoeirados. O pó em excesso pode causar infecções
Indicação: quando os problemas são mais acentuados. Leia-se: a partir de 2 graus de astigmatismo ou hipermetropia e de 4 graus de miopia
Nível de acerto: 95% das pessoas saem totalmente curadas. As outras (de novo, aquelas que têm a córnea mais fina) continuam com cerca de 1 grau do problema que motivou a operação
Comentário dos especialistas: é uma operação menos dolorosa, porém de recuperação mais penosa do que a da PRK. Muita gente sai da cirurgia sem saber que pode enxergar embaçado durante um mês, caso a córnea removida demore a aderir aos olhos
Preço: 6 000 reais


Digital Vision/Royalty Free
O empresário Marco Antônio Araújo, 45 anos, submeteu-se a uma cirurgia da qual saiu sem 8 graus de miopia e 2 de astigmatismo.
"Era escravo dos óculos. É uma alegria ver o mundo sem eles"

 

A hora do diagnóstico

Antes da cirurgia, é necessário submeter-se a exames que ajudam no diagnóstico do problema e fornecem dados valiosos à operação. Para que serve cada um:

Paquimetria
Por meio de um feixe de luz, mede-se a espessura da córnea para saber exatamente quanto retirar dela. Para as pessoas com córneas finas demais – menos de 0,40 milímetro de espessura –, a cirurgia é contra-indicada. Também está cientificamente provado que, para quem tem córneas entre 0,40 e 0,52 milímetro de espessura, é mais difícil sair da operação tendo eliminado 100% do problema. Isso porque há escassez de tecido a ser removido

Topografia
Produz um mapa da superfície da córnea. Por suas irregularidades, ela costuma ser comparada ao chão da Lua. É justamente das regiões mais salientes, devidamente apontadas pelo exame, que o médico poderá retirar mais tecido – intervenção necessária para a correção da curvatura. Esse exame é feito em conjunto com a paquimetria

Análise de frente de ondas (ou wavefront)
Um aparelho envia aos olhos mais de 1 000 pontos luminosos, capazes de flagrar qualquer minúsculo desvio da luz. Com isso, além de tudo o que os demais exames informam, este ainda consegue revelar pequenas imperfeições nas regiões mais internas dos olhos. Dessa forma, o médico pode corrigi-las no momento da operação, o que evita a necessidade de nova intervenção no futuro. Acontece em 10% dos casos

Comentário dos especialistas: o wavefront custa três vezes mais do que os outros dois exames juntos, mas é um investimento de bom custo-benefício, por reduzir o risco de nova operação a médio prazo

 

Uma questão de curvatura

Os problemas de visão e como a operação ajuda a eliminá-los


Astigmatismo
O que é: a curvatura da córnea é irregular. Por isso, a luz que incide sobre ela chega à retina em ângulos alterados – o que produz a imagem embaçada
Efeito da cirurgia: ao retirar o excesso de tecido da região mais protuberante da córnea, cria uma superfície uniforme e elimina, assim, o astigmatismo


Hipermetropia
O que é: a córnea praticamente prescinde de curvatura, o que atrasa o encontro dos feixes de luz. Isso só vai ocorrer depois da retina. Pessoas com esse problema não conseguem ver de perto com a devida nitidez
Efeito da cirurgia: remove os tecidos periféricos da córnea com o objetivo de lhe conferir uma curvatura


Miopia
O que é: a curvatura da córnea é acentuada demais. Ao contrário da hipermetropia, o problema aí é que a imagem se forma antes da retina. Tira o foco das imagens vistas de longe
Efeito da cirurgia: deixa a córnea mais plana ao retirar tecido da parte central dela

Fontes: Andrea Kara José (da Universidade Federal de São Paulo); César Lipener (da Universidade Federal de São Paulo); Francisco Ventura (designer de óculos); Miguel Ângelo Padilha (da Sociedade Brasileira de Oftalmologia); Newton Kara José (da Universidade de São Paulo); Renato Ambrósio (da Universidade Federal Fluminense); Wallace Chamon (do Conselho Brasileiro de Oftalmologia)

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