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28 de novembro de 2007
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Economia
O euro está na moda

A queda do dólar faz Gisele e todo o mundo
correr para a moeda européia. Mas calma! Não
é o começo do fim do império americano


Julia Duailibi

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Com o enfraquecimento do dólar, a moeda européia emergiu como o novo símbolo monetário da estabilidade. Depois que VEJA revelou há dois meses que a modelo mais bem paga do mundo, Gisele Bündchen, exigiu que um contrato com uma empresa cosmética fosse denominado em euros, a moeda européia entrou na moda. A notícia de VEJA foi reproduzida em jornais, revistas e televisões de todo o mundo. Logo se seguiram outras. O cantor de rap americano Jay-Z lançou um clipe em que mostra notas de euro como status de riqueza. O investidor Warren Buffett também disse não querer saber do dólar. Até os fanfarrões Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad, presidentes da Venezuela e do Irã, cutucaram o símbolo do poderio econômico americano durante uma reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "A queda do dólar não é apenas a queda do dólar. É a queda do império americano", animou-se Chávez. Por que a moeda da maior potência do planeta, responsável por um quinto de toda a economia mundial, virou alvo de tamanho desdém?

A queda do dólar reflete, em essência, o desequilíbrio das contas públicas e externas dos Estados Unidos, os chamados déficits gêmeos. Trata-se de um problema sério, mas não permanente. Quando assumiu a Presidência, em 2001, George W. Bush encontrou mais de 200 bilhões de dólares em caixa. Com a gastança das guerras deflagradas depois do 11 de Setembro, esse saldo positivo virou um déficit superior a 500 bilhões de dólares. O efeito disso sobre o câmbio é devastador. Para financiar esse rombo, os Estados Unidos dependem de recursos estrangeiros, o que aumenta sua dívida externa e enfraquece a moeda. Além disso, para cobrir o saldo negativo de sua balança comercial, precisam receber do exterior 2 bilhões de dólares em investimentos por dia. Enquanto o país crescia rapidamente, conseguia atrair esse dinheiro. Mas agora o ritmo caiu, e o dinheiro externo deixou de entrar na velocidade necessária.

E por que, então, o dólar não pode ser descartado? Porque, paradoxalmente, a saída para a armadilha econômica dos Estados Unidos está justamente na queda do dólar. Quanto mais baixa a cotação da moeda americana, mais estrangeiros vão querer comprar ativos em dólares, ao mesmo tempo que se incentiva a exportação de produtos americanos. Segundo o economista Kenneth Rogoff, professor de Harvard, o dólar terá de cair ainda em torno de 18% para restabelecer o equilíbrio das contas do país. "Esse ajuste terá de ser suave, envolvendo várias moedas. Se todo mundo migrar muito rápido para o euro, vai ser um tiro no pé", afirma Nathan Blanche, da Tendências Consultoria.

É difícil imaginar que os americanos entrem em ocaso tão cedo. O capital humano é uma das principais maneiras de avaliar a riqueza de um país. Nisso os Estados Unidos são líderes indiscutíveis. No ranking das dez melhores universidades do mundo, oito são americanas. O país é responsável por um em cada três artigos publicados em revistas especializadas.

Já não é a primeira vez que se anuncia o declínio do dólar. No início da década passada, quando George Bush pai estava no comando, os Estados Unidos também arcaram com o ônus de consertar problemas anteriores. Mas logo em seguida, com a revolução da nova economia, o país voltou a assumir um papel de liderança. Ao contrário do que imagina o ideário antiamericano, portanto, a atual crise do dólar não simboliza a decadência do império americano – assim como a alta do petróleo não sinaliza virtudes da ditadura do venezuelano Hugo Chávez. O dólar cai porque nem a maior potência do mundo está imune à mais comezinha regra de finanças públicas: não se deve gastar mais do que se arrecada.

 

Com reportagem de Denise Dweck




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