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de Van Dyck: de pé, a mulher teria 3,5 metros de altura |
O
Conhecimento Secreto, de David Hockney (tradução
de José Marcos Macedo; Cosac & Naify; 296 páginas; 129
reais) Além de ser um dos papas da pop art surgida nos anos
60, o inglês David Hockney é um conhecedor da história
da pintura e um observador de agudeza ímpar. Essa faceta vem à
tona nesse volume, que vai agradar em cheio aos iniciados nas artes plásticas.
Hockney defende uma tese polêmica: a de que, no passado, vários
pintores valeram-se de artefatos ópticos lentes, por exemplo
para chegar às imagens retratadas em suas obras-primas.
O segredo do autor é saber destrinçar esse abacaxi por meio
de um texto bem-humorado e de comparações curiosas. Dos
jogos de luz de Caravaggio a um objeto desfocado num quadro de Vermeer,
Hockney faz um amplo apanhado dos artifícios que teriam sido utilizados
pelos artistas para obter certos efeitos. Como um bom professor, ele revela
coisas que não se notam à primeira vista. Um exemplo é
o óleo Uma Nobre Genovesa e Seu Filho, pintado em 1626 pelo
flamengo Van Dyck. A proporção entre as duas figuras
do quadro é bizarra, por causa da perspectiva empregada. "Se a
mulher se levantasse, teria mais de 3,5 metros de altura", delicia-se
Hockney.
Alice,
de Lewis Carroll (tradução de Maria Luiza Borges; Jorge
Zahar; 328 páginas; 38,50 reais) Essa edição
é indispensável para uma leitura em profundidade dos clássicos
do inglês Carroll (1832-1898), Aventuras de Alice no País
das Maravilhas e Através do Espelho. Organizada pelo
americano Martin Gardner, ela traz os textos comentados. Minuciosas, as
notas falam sobre a biografia do autor, sobre sua época e explicam
trocadilhos e ironias quase frase a frase. Matemático como Carroll,
Gardner faz contabilidades na linha "cultura inútil". Por exemplo,
quantas vezes Alice muda de tamanho durante suas aventuras no País
das Maravilhas (doze). Completam a edição ilustrações
originais, um episódio suprimido de Através do Espelho
e um ensaio psicanalítico sobre Alice.
DISCOS
God
Bless the Go-Go's, The Go-Go's (Sony Music) O disco marca
o reagrupamento das Go-Go's, uma das bandas mais simpáticas da
new wave, no momento em que esse gênero dos anos 80 volta a tocar
nas pistas de dança. As moças melhoraram como instrumentistas.
God Bless the Go-Go's traz várias faixas leves, que fazem
lembrar os velhos tempos da banda. Mas também apresenta composições
mais pesadas, como La La Land e Unforgiven. Ah, sim. Quarentonas,
as Go-Go's continuam bonitas tanto que, recentemente, a vocalista
Belinda Carlisle posou nua para a Playboy americana.
Tim
Maia Disco Club, Tim Maia (WEA) Lançado em 1978
para acompanhar a febre da disco music, esse álbum passou um bom
tempo fora de catálogo. É um dos últimos suspiros
de criatividade do cantor carioca. Ele se cercou da nata da soul music
da época, sobretudo os integrantes da Banda Black Rio. Também
fez experiências com vários subgêneros da música
negra, encomendando arranjos caprichados que contam até com naipe
de cordas. Entre as canções, duas pérolas da disco
(A Fim de Voltar e Acenda o Farol), um dos melhores funks
de Tim Maia (Sossego) e boas baladas (Se Me Lembro Faz Doer
e Murmúrio).
GHV2,
Madonna (WEA) Tudo que Madonna fez de bom nos anos 90 está
nesse CD. A cantora começou a década com discos fracos (Erotica
e Bedtime Stories, de 1992 e 1994) e tropeçou nas paradas.
Teve, então, de reinventar-se, para provar que é mesmo uma
das artistas mais criativas do pop. GHV2 traz as seis melhores
faixas daqueles malfadados CDs, as experiências com música
eletrônica dos últimos anos e duas canções
(Don't Cry For Me Argentina e Beautiful Stranger) anteriormente
lançadas apenas em trilhas sonoras.
DVD
Sindicato
de Ladrões (On the Waterfront, Estados Unidos, 1954.
Columbia) No início dos anos 50, o diretor Elia Kazan andava
em desgraça por ter agido como delator durante a febre anticomunista
nos Estados Unidos. Isso torna ainda mais intenso esse drama sobre um
rapaz (Marlon Brando) que presta serviços ao sindicato corrupto
das docas de Nova York. Envolvido num assassinato e apaixonado pela irmã
da vítima (Eva Marie Saint), ele entrega os chefões do esquema
à polícia. O roteiro é perfeito, as atuações,
definitivas e a angústia, genuína. Kazan permanece uma figura
controvertida. O melhor extra do DVD é justamente uma entrevista
em que ele, hoje com 92 anos, fala sobre aquele momento do seu passado.
TELEVISÃO
Guerra
Profana (dia 2, às 22h30, no GNT; dia 1º, às
12h, 18h e 1h, e dia 2, às 11h, 19h e 22h, na CNN) Há
cerca de um ano, a jornalista inglesa Saira Shah filmou um documentário
chocante sobre a vida no Afeganistão sob o Talibã. De ascendência
afegã, ela voltou ao país no mês passado, no calor
dos bombardeios americanos, para rodar Guerra Profana. Ao atravessar
a fronteira, usando uma rota de contrabando, cruzou com refugiados, entrevistou
soldados da Aliança do Norte e visitou lugarejos arrasados pela
fome. A meta era localizar três garotas que apareceram em sua primeira
reportagem um reencontro que se revela dramático. O programa
será exibido em inglês pela CNN e com legendas pelo GNT.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
O
gaúcho Luis Fernando Verissimo é um cronista acima
de qualquer suspeita. Num gênero tão sujeito a envelhecimento,
por se destinar ao consumo rápido nas páginas dos
jornais, seus textos humorísticos resistem bravamente à
passagem do tempo e funcionam bem em livro. Basta olhar nas
listas dos mais vendidos para comprovar. Desde o ano passado, crônicas
antigas e recentes do autor vêm sendo recuperadas em coletâneas
temáticas. As Mentiras que os Homens Contam e Comédias
para se Ler na Escola tornaram-se best-sellers instantâneos.
Agora, chegou a vez de A Mesa Voadora (Objetiva; 154
páginas; 17,90 reais), que reúne textos sobre um único
assunto: a comilança. São 47 crônicas que cobrem
dos escargots aos pastéis de beira de estrada. Em oitavo
lugar na categoria de ficção, o livro tem passagens
bem divertidas. Como aquela em que Verissimo conclama o leitor a
se posicionar na "polêmica da salsinha" ("abaixo a ditadura
do supérfluo verde!", ataca). Ou, então, a que descreve
a degustação de um ovo frito. Ei-la: "Não existe
nada no sexo comparável a uma gema deixada intacta em cima
do arroz, esperando o momento de prazer supremo quando o garfo romperá
a fina membrana que a separa do êxtase". Que Proust, o quê.
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