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Edição 1 728 - 28 de novembro de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]

ECONOMIA

Gôndolas em movimento 1

A noiva da vez no setor de supermercados é a rede Sé, dona de sessenta estabelecimentos, concentrados basicamente em São Paulo. Dois grupos fortes do setor abriram conversas com a Sé – o Pão de Açúcar e a portuguesa Sonae. As negociações estão em estágio inicial.

Gôndolas em movimento 2

Os holandeses do grupo Royal Ahold, donos da Bompreço, a terceira maior cadeia nacional de supermercados, estão conversando com a Sendas, que domina o setor no Rio de Janeiro. O que se negocia é a compra de um pedaço, e não o controle, da empresa. Entre as gigantes do mercado, a Sendas é a única que ainda possui capital 100% nacional.

Só ficam as boas

A H. Stern decidiu fechar nos próximos meses sessenta de suas 180 lojas. A lipoaspiração vai atingir principalmente seus pontos-de-venda no exterior. Só ficará com as jóias da coroa – as lojas deficitárias vão para o espaço.

Fusão no ar

A BM&F estuda uma fusão com a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que hoje opera com os mercados futuros e eletrônicos. Quem está por trás da transação são grandes bancos.

Tensão na GP

Anda tenso o clima entre os sócios da GP Investimentos, Carlos Alberto Sicupira e Jorge Paulo Lemann, que há mais de duas décadas trabalham juntos.

 

Conflito de interesses na ANP


Joedson Alves/AE

Colombi: fiscalizando o trabalho do filho


O novo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Júlio Colombi Netto, tem como uma de suas atribuições fiscalizar e regular o setor de distribuição de gás. Antes, como diretor técnico, cargo que ocupou até o mês passado, atuava diretamente nessa questão. E daí? Bem, seu filho é funcionário da Copagaz, que distribui gás de cozinha (GLP) em treze Estados. O rapaz foi contratado pela empresa justamente no período em que Colombi comandava a área técnica da ANP. Não há ilegalidade na situação, mas o conflito de interesses é mais que evidente. "Na dúvida, sou capaz de prejudicar a Copagaz para não dar margem a insinuações", diz Colombi, numa defesa que só reforça o problema.

 

SUCESSÃO

Penas tucanas

José Serra está irritado, mas decidiu não responder no mesmo tom aos ataques pesados que vem recebendo de Tasso Jereissati. Pelo menos publicamente Serra vai calar-se.

Em fevereiro é melhor

O PFL adiou de dezembro para fevereiro a divulgação do programa de governo de Roseana Sarney. Os marqueteiros do partido avaliaram que em fevereiro o noticiário político é normalmente mais frio. Ou seja, um momento propício para esquentá-lo com a badalação em torno das propostas pefelistas.

 

GOVERNO

De juba baixa

Que o governo se prepare: todos os dados já coletados até agora pelo Leão indicam que a arrecadação de impostos em novembro ficará bem abaixo da do mês passado.

 

MINAS GERAIS

Cofres vazios

Eis uma prova cabal de que a moratória decretada por Itamar Franco, há quase três anos, foi inócua. Sem um centavo no caixa, ele quer aprovar uma anistia fiscal de quase 1 bilhão de reais para empresários inadimplentes com o Estado. A meta é arrecadar 400 milhões de reais até o fim do ano, para poder quitar em dia a segunda parcela do 13º salário do funcionalismo. Em vez de combater a sonegação e premiar os bons pagadores, Itamar, no desespero, está premiando os caloteiros. A situação financeira do Estado está tão ruim que o pagamento dos salários de outubro de parte do funcionalismo foi adiado para o dia 30. Ou seja, tem servidor mineiro recebendo com um mês de atraso.

 

JUSTIÇA

Quem cochilou

O juiz Marcos Pagan não afirmou, numa sentença, que um homem de 53 anos – que teria morrido em conseqüência de uma transfusão de sangue – era um menino de 3 anos, como foi escrito aqui na semana passada. Ele apenas reproduziu um trecho da denúncia no relatório de sua sentença, como manda a lei. E corrigiu o equívoco dos autores da ação na parte em que examinou as provas do processo.

 

CONSUMO

Vitória do consumidor

Em dezembro, as embalagens de sabão em pó de todas as marcas voltam a ter 1 quilo. No ano passado, meio em surdina, as empresas diminuíram em 100 gramas a quantidade de cada pacote, mas não baixaram os preços. Acabou dando uma tremenda confusão e até hoje o Ministério da Justiça as investiga por maquiagem. Por via das dúvidas, o preço do produto não deve ser mexido. Pelo menos por enquanto.

 

TELEVISÃO

É pegar ou largar

As TVs abertas brasileiras têm de tomar nesta semana uma decisão milionária. Termina o prazo para que elas respondam se querem comprar parte dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo. A Globo é dona da exclusividade, pela qual pagou 150 milhões de dólares em 1998. Agora, desde que as concorrentes paguem 60 milhões de dólares, a emissora carioca topa abrir o sinal de transmissão. Se nada for fechado até o próximo sábado, Record, Bandeirantes e as outras podem dar adeus à Copa. Não é uma ameaça da Globo, interessadíssima em dividir o custo de transmissão. Trata-se de um prazo dado pelos organizadores da Copa.

 

GENTE

Multa real

Passa de 1 milhão de reais a multa que Roberto Carlos pagará à Sony pelo atraso na entrega de seu novo disco. Perfeccionista, Roberto já refez o CD dezenas de vezes em seu estúdio particular. Agora, ele jura que no dia 5 de dezembro a Sony terá o disco pronto.

 

O pai e o escritor


Ana Araújo

Sarney: em ebulição política e literária


José Sarney está se mexendo como pode em articulações nos bastidores da candidatura de Roseana. Ainda assim, programou um ano literário agitado em 2002 – se a campanha da filha não atrapalhar, é claro. Em abril, lança um livro com 100 poemas inéditos. Em agosto, uma coletânea de artigos políticos. Dois meses depois, bota na praça seu novo romance, A Casa dos Tarquínios. E Norte das Águas, lançado em 1969, está sendo traduzido para o inglês. De quebra, Sarney relança neste final de ano Marimbondos de Fogo, pela Siciliano. Já está combinado em família que Roseana não comparecerá a nenhuma das noites de autógrafos.

 

Colaborou José Edward

 

 
 

Foto: divulgação

 

   
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