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Edição 1 728 - 28 de novembro de 2001
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Estilo demais

É esse o grande defeito do
argentino Plata Quemada

Isabela Boscov

 
Divulgação

Noriega, Pablo Echarri e Sbaraglia, como o trio de assaltantes: Bonnie e Clyde gay

Em 1965, um assalto agitou a Argentina: um trio de gângsteres parou um carro-forte que transportava dinheiro do governo, matou dois guardas, fugiu com o resultado do roubo e, por um bom tempo, conseguiu despistar os investigadores. É desse fato verídico que parte Plata Quemada (Argentina/Espanha/Uruguai/França, 2000), baseado num livro de Ricardo Piglia e desde sexta-feira em cartaz em São Paulo. O intuito do diretor Marcelo Piñeyro é mostrar o que não chegou às páginas policiais: as desavenças e as paixões que envolveram os assaltantes nos meses em que eles passaram escondidos. Dois dos personagens, em especial, merecem a sua atenção: Nene (o ótimo Leonardo Sbaraglia) e Angel (Eduardo Noriega), que são lindos, glamourosos, violentos e amantes profundamente apaixonados um pelo outro – embora Angel, que diz ouvir vozes, tenha se afastado de qualquer contato físico com o companheiro. O diretor tem estilo à beça, e é isso que o atrapalha. Ele se fascina tanto com as possibilidades estéticas desse Bonnie e Clyde gay que se esquece de avançar no estudo psicológico que se tinha proposto. O resultado é meio eletrizante, meio vazio. Mais um pouco e, com perdão do trocadilho, Piñeyro queimaria inteiramente o seu filme – com o público, com a crítica e com os produtores (que odeiam queimar "la plata").

   
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