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No
México é melhor
Um filme com adolescentes, mas que
não tem
nada de bobo. Americano é
que não poderia ser
Isabela
Boscov
Divulgação
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Luna
e García, os protagonistas: a caminho do desconhecido
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Como
um daqueles sujeitos que, numa festa, invadem as rodinhas para se enturmar
e pescar um pouco da conversa, a câmara do diretor mexicano Alfonso
Cuarón é afoita, curiosa e anda quase sempre trombando com
os personagens de E Sua Mãe Também (Y Tu
Mamá También, México/Estados Unidos, 2001), que
estréia nesta sexta-feira no país. Essa vivacidade é
um dos motores que impulsionam o filme para muito além do território
conhecido dos road movies. Julio e Tenoch (interpretados por Gael
García Bernal, de Amores Brutos, e Diego Luna) são
dois adolescentes de classe média alta que não sabem como
espantar o tédio das férias ou de sua vida, que se
parece toda ela com um longo feriado. Atraídos por Luisa (Maribel
Verdú), uma espanhola mais velha que conhecem numa festa, os amigos
tentam seduzi-la. Para tanto, inventam uma história sobre uma praia
paradisíaca num canto remoto do México. Atormentada por
uma crise pessoal, Luisa aceita o convite para ir à tal praia
que, agora, vai ter de se materializar.
Dessa viagem improvisada ao litoral, Cuarón tira um filme singular,
para não dizer um dos melhores a ser lançados por aqui neste
ano. E Sua Mãe Também é às vezes cômico,
noutras devastador e nunca onde se espera que ele seja uma coisa
ou outra. Nada escapa à atenção do diretor. Auxiliado
por um narrador, ele se detém sobre cada pedra do caminho, por
assim dizer, para contar sua história. A Julio e Tenoch não
se poderia confiar essa tarefa. Eles pouco conhecem seu país e,
por ora, ainda estão preocupados demais com sua vida sexual (o
filme tem boas doses de erotismo) para pensar em outro assunto. Luisa,
a estrangeira, é quem vai servir-lhes de guia e obrigá-los
a enfrentar algumas verdades. Cuarón, que até aqui era mais
conhecido pelo belo infantil A Princesinha, tem um verdadeiro dom
para imbuir a platéia da mesma afeição que ele dedica
aos seus personagens, e também para captar aquele tumulto de acontecimentos
bons e ruins que emoldura os momentos determinantes da vida. É
o diretor certo no lugar certo. Assim como Julio e Tenoch, o cinema mexicano
dá sinais claros de que está caindo na real.
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