Jovens
e exigentes
A corrida profissional já inclui a qualidade
de
vida. Mas não se deve exagerar
Já faz algum tempo que as empresas descobriram que o workaholic,
o sujeito que passa tempo demais no trabalho, traz poucas contribuições
para a modernização da companhia, o bom convívio
com os colegas e o enriquecimento das relações com os clientes.
As que ainda resistem e querem gente que trabalhe como um mouro correm
o risco de ficar sem mão-de-obra pelo menos entre os mais
qualificados. Os novos executivos já não se envergonham
de dizer que consideram a qualidade de vida como um benefício maior
até do que o salário. Estudo da consultoria Korn/Ferry International
em parceria com a London Business School investigou os anseios de um grupo
de 220 jovens executivos de trinta países, todos na faixa dos 30
anos, com diploma de MBA e potencial para chegar ao primeiro escalão
das maiores companhias. Eis algumas conclusões:
o novo profissional acha melhor ser pago pela produtividade
do que ter salário fixo;
viajar muito ou morar em outro país já
não é um grande atrativo;
não faz sentido adiar o projeto de ter filhos
em virtude do trabalho.
A corrida pela qualidade de vida inclui a crescente adesão a uma
prática inimaginável pelas gerações mais experientes,
o downshifting. Trata-se da mudança para função
hierarquicamente inferior, por iniciativa do próprio profissional.
Ou seja: jovens tidos como talentosos e promissores consideram que vale
a pena transferir-se para um emprego com cargo e salário menores
quando a felicidade pessoal está em jogo. A pesquisa mostrou ainda
que a nova geração quer independência no trabalho,
sem as amarras dos horários e dos chefes turrões (veja
fichário).
Pesquisas desse tipo acabam demonstrando também a importância
de ser sincero na hora de procurar alguma colocação. Será
que alguém acreditava mesmo naqueles currículos em que o
candidato dizia que sua grande ambição era trabalhar das
8 às 22 horas apenas pelo prazer de se envolver com um grande projeto?
"Esta
geração não aceita a idéia de dedicar cem
por cento da vida ao trabalho", diz a psicóloga Gladys Zrncevich,
uma das sócias da Korn/Ferry no Brasil. Com os jovens dizendo o
que pensam e as empresas e os consultores anunciando que estão
dispostos a atendê-los, criou-se uma situação em que
só falta driblar o time do meio-campo aquele formado pelos
executivos mais velhos, sobretudo os diretores de recursos humanos. "Na
hora de um enxugamento, conduzido por esse escalão, nem sempre
as empresas conseguem cumprir as promessas", diz Cristina Almeida, diretora
da área de RH da consultoria KPMG. Também é preciso
cuidado para não exagerar na boa vida. Se diminui a pressão
pelo total de horas no trabalho, aumenta e muito a expectativa
de que o profissional use parte de seu tempo para se aprimorar em idiomas,
ler sobre assuntos relacionados com o trabalho, freqüentar eventos
de lazer que possam mantê-lo informado...
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