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Edição 1 728 - 28 de novembro de 2001
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Jovens e exigentes

A corrida profissional já inclui a qualidade
de vida. Mas não se deve exagerar

Já faz algum tempo que as empresas descobriram que o workaholic, o sujeito que passa tempo demais no trabalho, traz poucas contribuições para a modernização da companhia, o bom convívio com os colegas e o enriquecimento das relações com os clientes. As que ainda resistem e querem gente que trabalhe como um mouro correm o risco de ficar sem mão-de-obra – pelo menos entre os mais qualificados. Os novos executivos já não se envergonham de dizer que consideram a qualidade de vida como um benefício maior até do que o salário. Estudo da consultoria Korn/Ferry International em parceria com a London Business School investigou os anseios de um grupo de 220 jovens executivos de trinta países, todos na faixa dos 30 anos, com diploma de MBA e potencial para chegar ao primeiro escalão das maiores companhias. Eis algumas conclusões:

o novo profissional acha melhor ser pago pela produtividade do que ter salário fixo;

viajar muito ou morar em outro país já não é um grande atrativo;

não faz sentido adiar o projeto de ter filhos em virtude do trabalho.

A corrida pela qualidade de vida inclui a crescente adesão a uma prática inimaginável pelas gerações mais experientes, o downshifting. Trata-se da mudança para função hierarquicamente inferior, por iniciativa do próprio profissional. Ou seja: jovens tidos como talentosos e promissores consideram que vale a pena transferir-se para um emprego com cargo e salário menores quando a felicidade pessoal está em jogo. A pesquisa mostrou ainda que a nova geração quer independência no trabalho, sem as amarras dos horários e dos chefes turrões (veja fichário). Pesquisas desse tipo acabam demonstrando também a importância de ser sincero na hora de procurar alguma colocação. Será que alguém acreditava mesmo naqueles currículos em que o candidato dizia que sua grande ambição era trabalhar das 8 às 22 horas apenas pelo prazer de se envolver com um grande projeto?

"Esta geração não aceita a idéia de dedicar cem por cento da vida ao trabalho", diz a psicóloga Gladys Zrncevich, uma das sócias da Korn/Ferry no Brasil. Com os jovens dizendo o que pensam e as empresas e os consultores anunciando que estão dispostos a atendê-los, criou-se uma situação em que só falta driblar o time do meio-campo – aquele formado pelos executivos mais velhos, sobretudo os diretores de recursos humanos. "Na hora de um enxugamento, conduzido por esse escalão, nem sempre as empresas conseguem cumprir as promessas", diz Cristina Almeida, diretora da área de RH da consultoria KPMG. Também é preciso cuidado para não exagerar na boa vida. Se diminui a pressão pelo total de horas no trabalho, aumenta – e muito – a expectativa de que o profissional use parte de seu tempo para se aprimorar em idiomas, ler sobre assuntos relacionados com o trabalho, freqüentar eventos de lazer que possam mantê-lo informado...



 
 
   
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