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Edição 1 728 - 28 de novembro de 2001
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Tecnologia para andar a pé

Seu carro ainda vai acabar incorporando
inovações desenvolvidas
a partir do
seu par de tênis

No mercado de tênis, assim como no de automóveis, não basta o produto ser durável e eficiente. Ele precisa ser bonito, moderno, confortável, de linhas ousadas e recheado de tecnologia. Essa é a aposta dos últimos anos, feita pela indústria de calçados, que se tornou uma exigência dos consumidores. A cada nova geração, de olho num mercado que rende 16 bilhões de dólares por ano em todo o mundo, os fabricantes de tênis vão incorporando novos detalhes. Alguns contribuem para o desempenho, o conforto e a flexibilidade. Outros são apenas acessórios para impressionar na academia. Não importa. Um tênis, hoje, pode ter tanta tecnologia quanto um aparelho médico. As últimas novidades são os componentes de fibra de carbono, o couro sintético, as espumas de poliuretano e os plásticos de alta resistência – materiais que deixam no chinelo os tênis de lona e borracha vulcanizada. O preço final de um artefato desses pode passar de 400 reais. Os de lona, que ainda resistem, custam 35 reais o par.

Um dos lançamentos que vão fazer a garotada babar diante das vitrines neste Natal tem nome de jogo para computador: Shox XT 5.0. É fabricado pela Nike. Esse tênis, que começou a ser vendido na semana passada, custa 430 reais e produziu listas de espera entre os consumidores nas lojas de calçados. Ele é uma evolução de um modelo lançado em maio e contava com outros dois integrantes na família – nesse aspecto, a indústria do tênis já bate a de carros. A linha Shox caracteriza-se por ter um conjunto de molas de espuma de poliuretano instalado no calcanhar do calçado. Os técnicos da Nike levaram dezesseis anos para conseguir o sistema ideal de impulso, que garante um efeito trampolim ao esportista. Pouca gente vai usar até o limite esse recurso, mas ninguém comprará um produto desses sem decorar que ele tem um novo conjunto de três molas na parte dianteira, a grande novidade em relação a seu irmão mais velho. Possui ainda orifícios de ventilação nas laterais e estrutura de material plástico resistente ao calor e a impactos. Foi projetado para ser usado em academias de ginástica.

Não há exagero no paralelo entre a tecnologia automobilística e a que se vê nos pés dos corredores. A São Paulo Alpargatas, fabricante da marca Rainha, instalou um microprocessador na sola de seu modelo DPT, ou Digital Personal Trainer, feito para adeptos de corrida. Trata-se de um cronômetro conectado a um conjunto de sensores que medem o impacto do pé do esportista no tênis durante o exercício. Com ele é possível monitorar a velocidade, a distância e o tempo de um percurso – como no painel de um automóvel. A Timberland, marca que investe em esportes de aventura, criou um modelo perfeito para guardar na mochila do montanhista. Entre a sola e a cobertura de couro há uma estrutura de náilon, leve e deformável. Ao puxar um cordão no calcanhar, o tênis se comprime e se reduz ao tamanho do solado.

Ferrari e Alfa Romeo têm carros desenhados pelo estúdio italiano Pininfarina. A fábrica de artigos esportivos Fila oferece um tênis que saiu dos mesmos computadores. O modelo chega ao Brasil nesta semana. É o que se pode chamar de elegante e discreto, com uma sola de borracha transparente capaz de absorver impactos e resistente à abrasão, o que lhe confere maior durabilidade e tração. "O objetivo foi colocar em um tênis toda a imagem de sofisticação e esportividade dos carros desenhados pela Pininfarina e ao mesmo tempo associá-lo à idéia de bom gosto italiano", diz Lellis Gouveia, supervisor de marketing da Fila no Brasil.

 
 
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