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Preço a pagar
Para
entrar na OMC a China
fez concessões até ao Brasil
O encontro
que reuniu 142 países no Catar há duas semanas trouxe mais
do que vitórias memoráveis para o Brasil e outros países
em desenvolvimento, no que se refere à quebra de patentes de medicamentos
e à discussão sobre as barreiras tarifárias de produtos
agrícolas. Marcou também a entrada de um parceiro de peso
na Organização Mundial do Comércio (OMC): a China.
Com um fabuloso mercado potencial de mais de 1 bilhão de consumidores,
o gigante oriental até agora representava um dos mais tentadores
e difíceis mercados internacionais. Apesar de estar entre os dez
maiores exportadores e importadores do planeta, costumava impor pesadas
taxas para comprar produtos estrangeiros. Mas, para entrar na OMC, a China
teve de pagar ingresso: negociou com vários países, entre
eles o Brasil, a diminuição de suas tarifas alfandegárias
e mudanças nas cotas de importação. No caso do suco
de laranja, que é um dos principais itens da pauta de exportação
brasileira, a tarifa para entrar na China cairá de 70% para 15%
até 2005.
A China
já é o melhor mercado externo da General Motors do Brasil,
com participação de 14% nas vendas da montadora para o exterior
neste ano. Entre janeiro e setembro, o Brasil comprou 979 milhões
de dólares em produtos chineses e vendeu 1,5 bilhão. Oitenta
e seis por cento a mais do que foi exportado para aquele país no
ano passado. "Várias iniciativas, tanto do setor privado como do
setor público, propiciaram esse incremento das exportações
para a China. E as perspectivas daqui para a frente são excelentes",
diz a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola.
Com a queda das barreiras, esse volume deve experimentar um crescimento
entre 30% e 40% no ano que vem. Só não deve superar o deste
ano devido aos efeitos da desaceleração econômica
global, que ainda deverão estar presentes no início de 2002.
Há um outro senão. A China é a grande barateira do
mundo. Onde ela entra como vendedora o preço dos produtos despenca.
Prevê-se uma inundação mundial de televisores, DVDs
e artigos têxteis com preços muito baixos. Boa notícia
para os consumidores, dor de cabeça para algumas empresas nacionais.

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