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Edição 1 728 - 28 de novembro de 2001
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Preço a pagar

Para entrar na OMC a China
fez concessões até ao Brasil

O encontro que reuniu 142 países no Catar há duas semanas trouxe mais do que vitórias memoráveis para o Brasil e outros países em desenvolvimento, no que se refere à quebra de patentes de medicamentos e à discussão sobre as barreiras tarifárias de produtos agrícolas. Marcou também a entrada de um parceiro de peso na Organização Mundial do Comércio (OMC): a China. Com um fabuloso mercado potencial de mais de 1 bilhão de consumidores, o gigante oriental até agora representava um dos mais tentadores e difíceis mercados internacionais. Apesar de estar entre os dez maiores exportadores e importadores do planeta, costumava impor pesadas taxas para comprar produtos estrangeiros. Mas, para entrar na OMC, a China teve de pagar ingresso: negociou com vários países, entre eles o Brasil, a diminuição de suas tarifas alfandegárias e mudanças nas cotas de importação. No caso do suco de laranja, que é um dos principais itens da pauta de exportação brasileira, a tarifa para entrar na China cairá de 70% para 15% até 2005.

A China já é o melhor mercado externo da General Motors do Brasil, com participação de 14% nas vendas da montadora para o exterior neste ano. Entre janeiro e setembro, o Brasil comprou 979 milhões de dólares em produtos chineses e vendeu 1,5 bilhão. Oitenta e seis por cento a mais do que foi exportado para aquele país no ano passado. "Várias iniciativas, tanto do setor privado como do setor público, propiciaram esse incremento das exportações para a China. E as perspectivas daqui para a frente são excelentes", diz a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola. Com a queda das barreiras, esse volume deve experimentar um crescimento entre 30% e 40% no ano que vem. Só não deve superar o deste ano devido aos efeitos da desaceleração econômica global, que ainda deverão estar presentes no início de 2002. Há um outro senão. A China é a grande barateira do mundo. Onde ela entra como vendedora o preço dos produtos despenca. Prevê-se uma inundação mundial de televisores, DVDs e artigos têxteis com preços muito baixos. Boa notícia para os consumidores, dor de cabeça para algumas empresas nacionais.

 
Veja também
Dos arquivos de VEJA
Os resultados da reunião da OMC em reportagem de VEJA de 21/11/2001

 

 
 
   
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