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Receita
para entrar
em forma rápido
Graças
aos avanços nos estudos
sobre exercícios físicos, é possível
perder peso e ganhar músculos
em poucos meses
Anna Paula
Buchalla
Fotos Pedro Rubens

Veja também |
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Se você
está sozinho no quarto, fique à vontade e vá para
a frente do espelho. Esta é a hora da verdade. Muito provavelmente
você não está contente com o que vê. Os pneuzinhos
nos flancos, o abdome flácido, os braços finos, as pernas
rechonchudas nada disso combina com a imagem que gostaria de ter
e desfilar na praia ou na piscina. Mas não desanime. Dá
para melhorar bastante seu corpo se você se dispuser a malhar imediatamente.
Um bocado de gente começou há pouco. Cerca de 500.000
brasileiros acorreram às academias no mês passado, num movimento
que se repete de meados da década de 90 para cá. Na antevéspera
do verão, os centros de narcisismo explícito registram um
aumento de 25% no número de matrículas. Se não desistirem
no meio do caminho, seguirem à risca o programa de ginástica
indicado e fizerem uma dietinha, essas pessoas chegarão em janeiro
bem menos roliças e com musculatura mais rija e definida. Ninguém
se transformará num Paulo Zulu ou numa Gisele Bündchen, é
claro, mas a vergonha de tirar a camiseta ou a canga diminuirá
consideravelmente. Quanto a você, seu corpinho deverá estar
em cima lá pela metade de fevereiro. Pode ser, inclusive, que dê
para vestir uma fantasia de Carnaval menos comportada.
Até
dez anos atrás, freqüentar uma academia para entrar em forma
rápido, a ponto de fazer diferença ao espelho, era jogar
dinheiro fora. Deixou de ser graças aos avanços nas áreas
da fisiologia do esporte e da nutrição e ao aprimoramento
dos aparelhos de ginástica. Dez ou doze semanas agora é
tempo suficiente para tonificar os músculos, firmar a barriga e
diminuir a quantidade de gordura. E, se o dinheiro anda curto para a academia,
é possível seguir um programa de exercícios efetivo
em casa ou no salão de seu prédio. Para quem optar pela
malhação doméstica, existem dois bons manuais à
disposição nas livrarias. O título de um deles é
Boa Forma em 90 dias. Leva a assinatura do personal trainer inglês
Matt Roberts, que cuidou de silhuetas invejáveis, como as da cantora
Madonna, da modelo Naomi Campbell e da atriz Sandra Bullock. O livro permaneceu
cinco semanas na lista de mais vendidos de VEJA, na categoria de auto-ajuda.
O nome do outro manual, lançado em outubro, é O Programa
das 10 Semanas, do fisiologista Turibio Leite de Barros, professor
do departamento de medicina esportiva da Universidade Federal de São
Paulo. Para escrevê-lo, ele se baseou num estudo de campo que coordenou.
Aos que fizerem direitinho as dietas e os exercícios prescritos,
a promessa é redução de 9% da gordura e ganho de
3% de massa muscular.
Fotos Antonio Milena

CORE TRAINING
Esse tipo de aeróbica é feito sobre uma prancha instável que faz o
aluno forçar mais os músculos das pernas e, principalmente, do abdome.
Em uma hora, queimam-se até 600 calorias |
Os programas
de Roberts e Turibio se assemelham. Embora exijam muita força de
vontade, são moderados se comparados ao método Body for
Life, do americano Bill Phillips, que garante medidas de atleta em doze
semanas. Os praticantes do Body for Life fazem musculação
com cargas pesadíssimas, superam o limite da exaustão nos
treinos aeróbicos e mantêm uma dieta sem nenhuma gordura,
com poucos carboidratos e alta quantidade de proteínas. Deixando
de lado as críticas dos médicos a tal suplício, o
fato é que quase ninguém consegue seguir um programa tão
pesado. À primeira vista, o conteúdo de Boa Forma em
90 Dias e O Programa das 10 Semanas parece banal. O que Roberts
e Turibio receitam, em resumo, é intercalar exercícios aeróbicos
com musculares, até seis dias por semana. Para complementar, uma
dieta que está longe de ser radical, como pode atestar qualquer
boa alma que já se internou num spa 1.200
calorias para elas, 1.500 calorias para eles,
distribuídas em seis refeições diárias (veja
quadro).
Essa fórmula
aparentemente simples significa a sedimentação de um conhecimento
acumulado em quase trinta anos de pesquisas. A relação direta
entre exercício físico e saúde passou a ser estudada
com mais profundidade na década de 70. Um de seus arautos foi o
médico americano Kenneth Cooper. Nessa época, ele lançou
a idéia de que sair por aí em desabalada carreira fazia
bem ao coração e aos pulmões. Seu método iniciava-se
com corridas de 1,6 quilômetro em doze minutos, cinco vezes por
semana. Progressivamente, a pessoa deveria aumentar seu ritmo, até
alcançar a marca dos 2,8 quilômetros, percorridos no mesmo
tempo. Não há pessoa na faixa dos 40 anos que não
tenha feito na escola "um cooper". As pesquisas do médico americano
serviram como ponto de partida para que fossem medidos os benefícios
das atividades aeróbicas. Constatou-se que elas não só
fortalecem o sistema cardiovascular, como aceleram o metabolismo, queimam
calorias e aumentam a capacidade de oxigenação do organismo
o que, descobriu-se depois, ajuda na musculação.
Já que nem todo mundo é afeito a corridas, criaram-se outras
modalidades de exercícios. Entre elas, aquelas aulas animadíssimas,
cheias de coreografias executadas ao som de músicas agitadas.

BOB CLASS
Trata-se de um circuito. Um dos exercícios é espancar um boneco com
golpes de caratê e boxe. Bom para relaxar e ótimo para os pulmões
e o coração |
Na metade
da década de 80, a tribo da aeróbica começou a fazer
incursões nas salas de musculação das academias,
até então freqüentadas apenas pelos praticantes de
fisiculturismo. Além de tonificarem o corpo, as pessoas agora queriam
esculpi-lo. Esse fenômeno fez com que os especialistas analisassem
o impacto desse tipo de atividade sobre o organismo. Anos de pesquisas
levaram à conclusão de que a musculação, antes
condenada pela medicina porque de um jeito ou de outro "sobrecarregava
o coração", pode ser benéfica em aspectos que não
só o estético. Feita de acordo com a capacidade de cada
um, ela ajuda na prevenção da osteoporose e do diabetes
e, quem diria, protege o tecido cardíaco.
A moderação
entrou para o vocabulário dos professores de ginástica depois
que a ciência do esporte se voltou para o estudo dos danos acarretados
pelo excesso de atividade física. O próprio Kenneth Cooper
acabou considerando corridas longas e diárias um exagero para quem
não era nem desejava ser um atleta. Beneficiavam o coração,
mas resultavam, com freqüência, em contusões nas articulações
e nos músculos. Diante dessa realidade, Cooper passou a recomendar
que as pessoas simplesmente andassem. Segundo ele, uma caminhada de 3
quilômetros em trinta minutos, três vezes por semana, é
suficiente para diminuir em quase 60% os riscos de infarto, sem causar
problemas colaterais. O que fascina hoje os estudiosos do assunto é
saber exatamente até que ponto o aeróbico auxilia na musculação
e vice-versa. "Já há uma corrente que defende que os exercícios
com pesos também ajudam muito na eliminação calórica",
diz o professor Turibio. Não se trata de uma crença vaga.
Pesquisadores americanos descobriram recentemente que, terminada uma série
com pesos, o organismo continua a queimar calorias até duas horas
depois.

CORE BALL
Os abdominais sobre bolas são mais eficientes que os tradicionais:
para se equilibrar, o aluno tem de forçar mais os músculos da barriga
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Exercícios
em academias tendem a ser mais produtivos que os caseiros porque os aparelhos
evoluíram de maneira impressionante. Na década de 80, os
parcos conhecimentos de fitness, aliados aos equipamentos arcaicos, concorriam
para que o aluno tivesse um desempenho pífio. Em noventa dias,
sua capacidade física (músculos e fôlego) melhorava
no máximo 15%. Atualmente, esse número pode chegar a 60%.
A última palavra em tecnologia de musculação são
os aparelhos da linha Ground Base, em que todos os exercícios são
feitos com os pés no chão e com várias possibilidades
de movimento. Essa característica permite que sejam trabalhados
diferentes grupos musculares ao mesmo tempo. Um estudo mostrou que, em
uma hora de treinamento, o aproveitamento nesses aparelhos alcança
37 minutos, contra 27 minutos nos equipamentos convencionais. Existem,
ainda, aparelhos de musculação que contam com um medidor
de força que ajusta a carga ao usuário. Isso impede que
ele se machuque ou faça um esforço aquém da sua necessidade.
Houve ganhos também no treinamento em esteiras. Elas podem ajustar
a velocidade em função do desempenho do aluno. Ao registrar
o número de batimentos do coração, por meio de sensores
eletrônicos, a esteira automaticamente aumenta ou diminui seu ritmo,
para trabalhar na zona ótima de treinamento entre 75% e
90% da freqüência cardíaca máxima. Foi-se o tempo
em que as aulas de aeróbica eram feitas sem nenhum equipamento.
Hoje, usam-se trampolins para queimar mais calorias e dobrar a força
dos músculos. Abdominais foram incrementados com bolas de silicone
especial, sobre as quais o aluno deve equilibrar-se. Com isso, seu esforço
é três vezes mais eficiente.
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