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Zimbábue: seis
ministros com Aids

Doença que se atribui à pobreza
da maioria da população chega à
elite dirigente do país africano

A expansão da Aids na África é assombrosa mesmo num continente de números assustadores. Na região subsaariana, formada por 45 dos países mais pobres, vivem 24 milhões dos 34 milhões de infectados pelo HIV no mundo. Por lá, morrem 2 milhões de pessoas por ano, o que representa 80% do total de mortos pela epidemia. Na semana passada, tornou-se pública uma faceta inesperada, que ajuda a dimensionar a tragédia africana: seis dos 22 ministros do Zimbábue estão contaminados pelo vírus. A expansão da doença é atribuída à pobreza e à falta de informação da maioria da população africana. A contaminação da elite dirigente do Zimbábue mostra que se atingiu um novo e terrível patamar. Soube-se da existência dos ministros aidéticos porque uma organização de ajuda aos portadores do vírus HIV encontrou seus nomes entre os atendidos por um programa de distribuição gratuita do coquetel anti-Aids. O Zimbábue tem 1,5 milhão de contaminados, entre eles 56.000 crianças – mas o programa de medicação gratuita, do qual se beneficiam os ministros, atinge apenas 500 pessoas. Por razões éticas, a organização não identificou os seis figurões, mas os exortou a assumir publicamente a doença para ajudar a reduzir o preconceito contra os portadores do HIV. "As pessoas temem revelar a contaminação, não procuram ajuda nem tratamento e com isso aumentam a cadeia de contaminação", diz Peter Piot, o presidente da Unaids, órgão da Organização Mundial de Saúde.

Enquanto na Europa, nos Estados Unidos e mesmo no Brasil campanhas de prevenção e novas drogas têm conseguido deter a epidemia e prolongar a vida de milhares de portadores do HIV, para os africanos a combinação de pobreza e falta de informações torna a doença praticamente sem esperança. Entre a população mais pobre do Zimbábue, a Aids nem sequer é nominada. É chamada simplesmente de iyoyo, ou "a coisa" – um mal-estar misterioso associado a definhamento, febre e infecções. Uma pesquisa revelou que as adolescentes zimbabuanas, em sua maioria, não acreditam que correm risco de ser contaminadas em relações sexuais sem preservativo. O resultado dessa ignorância é dramático. Morrem 100.000 pessoas por ano e a estimativa de vida no Zimbábue deve cair pela metade, de 66 para 33 anos, até 2010. A situação é igualmente grave nos países vizinhos. Em Botsuana, 36% dos adultos estão contaminados. Na África do Sul, o Estado mais organizado do continente, um em cada cinco adultos está infectado. São mais de 4 milhões de pessoas, o maior número absoluto de portadores do vírus HIV num único país.

   
 
AP

   
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