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A raiva ao volante é mortalA
fúria do motorista pode ser
Adriana Negreiros
Bate-boca de trânsito é doença. Quem se envolve freqüentemente nesse tipo de confusão precisa de tratamento. Pior do que isso: corre o risco de matar ou morrer principalmente se topar com outro colega doente pela frente. Nos Estados Unidos, 1.500 pessoas são assassinadas por ano em desentendimentos de trânsito. No Brasil, não há estatísticas, mas a Sociedade Brasileira de Psicólogos e Educadores de Trânsito (SBPET) calcula que 15% dos motoristas podem ser considerados inaptos para dirigir por falta de equilíbrio emocional. Psiquiatras americanos defendem que a fúria no trânsito (road rage, na terminologia específica em inglês) seja incluída no rol da Classificação Internacional das Doenças. Aqui existe um projeto de lei, à espera de votação na Câmara dos Deputados, propondo que os candidatos à carteira de habilitação se submetam a um exame de sanidade mental, que evitaria, pelo menos, entregar esse porte de arma a potenciais homicidas. Entre os motoristas que enfrentam o trânsito congestionado das cidades ou a imprudência de outros nas estradas, é raro encontrar quem não tenha histórias para contar sobre o dia em que perdeu o equilíbrio por causa de outro condutor. Muitos desses episódios terminam tragicamente, como o vivido pelo operador de câmbio Crauzenberg Campos, de 45 anos. Até se envolver num acidente, Campos era tido como um sujeito calmo. Nesse desastre, ele atingiu a motocicleta do estudante Franco Giobbi, de 22 anos, dirigindo a mais de 150 quilômetros por hora, depois de terem tido um bate-boca em razão de uma ultrapassagem. Giobbi morreu na hora. Em agosto deste ano, Wildson Belém, de 25 anos, morreu atingido por um golpe de chave de fenda na cabeça, num cruzamento de Fortaleza. Seu carro tinha colidido com outro e provocado enorme congestionamento. O advogado Victor Quinderé, o assassino, nem estava envolvido no acidente. Partiu furioso para cima dos motoristas porque se irritou com a lentidão do tráfego. Está preso. Em outro caso, o comerciante Nardely Carvalho, de São Paulo, espancou até a morte o motorista Nicomedes Boa Ventura, que bateu na traseira de seu carro numa rodovia próxima a Uberlândia, Minas Gerais. Carvalho estava acompanhado dos filhos pequenos. "Fiquei transtornado porque um de meus filhos machucou o lábio na batida e estava chorando alto", disse o comerciante à polícia. Os médicos brasileiros ainda não classificam esses surtos que levam à violência como uma doença particular. "Dificilmente alguém pode ser considerado louco apenas quando está ao volante", diz a psicóloga Lúcia Helena Rabelo, presidente da SBPET. "Mas é necessário evitar que alguém com distúrbios mentais a ponto de matar consiga chegar ao volante de um carro." O próprio motorista pode perceber o sinal de potencial descontrole quando começa a se desesperar e a se sentir impotente numa situação adversa. Mãos suadas, opressão no peito, respiração alterada são algumas das indicações de alerta. "Não são poucas as pessoas que procuram ajuda para tratar de episódios de fúria no trânsito", afirma a psicóloga Marilda Novaes Lipp, do Centro Psicológico de Controle do Stress de São Paulo. O problema é saber se o motorista ao lado também está procurando se controlar. Pode ser considerado sob risco de descontrole quem responde sim a duas das seguintes perguntas:
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