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O Pelé dos
mares
Maior
navegador da era moderna,
Peter Blake atravessa a Amazônia
a bordo de um superveleiro
Amauri Segalla
Fotos AFP

Blake
(no alto): campeão da F-1 dos oceanos |
Há
uma estirpe raríssima de esportistas que, de tão competentes
e vitoriosos, se transformam em sinônimo de excelência em
sua modalidade. É o caso de Tiger Woods, no golfe, de Michael Jordan,
no basquete, e de Pelé, no futebol. No mundo do iatismo, a coroa
de rei pertence ao neozelandês Peter Blake, 53 anos, que tem seus
feitos comparados com os dos grandes desbravadores do continente antártico.
Blake foi o homem que completou a mais rápida volta ao mundo dentro
de um veleiro em exatos 74 dias, 22 horas, 17 minutos e 22 segundos.
De acordo com os especialistas, a única pessoa capaz de melhorar
a marca estabelecida em 1994 é o próprio neozelandês.
Nas regatas oceânicas, ele também não encontra adversários.
Nos últimos anos, venceu três vezes as provas mais importantes
desse circuito, como a America's Cup e a Whitbread, atual Volvo Ocean
Race. Tradicionalmente, as competições do tipo são
dominadas por tripulações dos Estados Unidos. Em mais de
um século de história, Blake foi um dos poucos a quebrar
a hegemonia dos americanos nessas provas disputadas em barcos equipados
com alta tecnologia naval não por acaso, elas são
comparadas à Fórmula 1. "Blake é um gênio dos
mares, capaz de unir uma grande capacidade de planejamento e espírito
competitivo", afirma Lars Grael, secretário nacional de Esporte
e ganhador de duas medalhas olímpicas de bronze no iatismo.

Na
Nova Zelândia: herói nacional |
Depois dessa
série inigualável de conquistas, Blake passou a dividir
seu tempo com outros tipos de desafio. Desde o ano passado, dedica-se
a percorrer os principais ecossistemas do planeta. A expedição
é feita a bordo de um veleiro de 36 metros de comprimento e no
momento passa pela Amazônia. Junto com ele, viaja uma equipe de
catorze cientistas e aventureiros. A cada parada, a tripulação
gasta algumas semanas para explorar as características da flora
e fauna locais. Um grupo de cinegrafistas registra tudo para transformar
o material numa série de documentários. Uma atração
à parte nos filmes é a reação da população
ribeirinha ao próprio Blake, um gigante de 2 metros de altura.
Na semana
passada, Blake recebeu em Manaus uma visita ilustre. Em missão
oficial pelo Brasil, a primeira-ministra neozelandesa, Helen Clark, fez
questão de subir a bordo do Seamaster para cumprimentar
o conterrâneo. Na Amazônia, sua fama correu rápido.
"Esse é o lugar mais rico e vibrante que eu já conheci",
afirma o navegador. Entre outras peripécias, ele nadou ao lado
de botos cor-de-rosa, entupiu-se de banana e trocou presentes com os índios.
Disposto a sentir na pele as agruras da vida selvagem, Blake proibiu o
uso de repelente em seu barco. Apesar dos enxames de insetos, a tripulação
não ousa amotinar-se contra as manias do famoso capitão.
O neozelandês ficará na Amazônia até fevereiro.
Depois disso, segue para Venezuela, Caribe, Groenlândia, Pacífico
Sul e, finalmente, Nova Zelândia. A longa expedição
está prevista para terminar em meados de 2005.
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