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O
mundo em duas rodas
Com modelos para todos os gostos
e bolsos, as motos são o sucesso
do ano no Brasil e no exterior
Fotos divulgação
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Suzuki B-King: a
superesportiva foi a sensação no salão em Tóquio |
Possuir
uma motocicleta já foi privilégio de poucos. Mas, com exceção
talvez dos computadores e dos eletrônicos, nenhum bem de consumo
teve o preço tão achatado nas duas últimas décadas.
Resultado: mesmo num ano meio recessivo como este que se encerra, o crescimento
na produção de motocicletas no Brasil chegou a 21%. As vendas
vão no mesmo ritmo e já aumentaram quase 25% entre janeiro
e outubro, o que é também uma grande surpresa. Na semana
passada, uma feira de motos em São Paulo reuniu mais de 500 empresas,
que exibiram modelos para todos os gostos e bolsos. Comprador é
o que não falta, como mostram os números da indústria.
As previsões mais otimistas sobre a evolução do PIB
nacional não ultrapassam os 2,5%. Ou seja, o mundo em duas rodas
cresceu dez vezes mais. Além disso, o setor se orgulha de ter conseguido
manter o nível do emprego. Não demitiu nenhum funcionário,
ao contrário da indústria de quatro rodas, em que montadoras
e sindicatos tentam estabelecer acordos para salvar milhares de vagas.
A pergunta que paira no ar é: como isso pode ser possível
em um ambiente tão nebuloso? Uma das respostas está no preço.
Motos menos equipadas podem ser adquiridas em prestações
de 70 reais por mês, em até 36 parcelas. Verificou-se que
a maior parte das pessoas que tiram dinheiro do bolso para comprar uma
moto não ganha mais que 600 reais. "O grande fenômeno é
a popularização do produto", diz Roberto Iquejiri, presidente
da Abraciclo, associação que reúne os fabricantes
de veículos sobre duas rodas. Luxo para alguns, a moto se tornou
no Brasil o meio de transporte por excelência dos motoristas de
menor poder aquisitivo.
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Silver Wing 400,
da Honda: nova scooter custa 20 000 reais |
Mas
as razões não se esgotam aí. Com estímulos
fiscais e um mercado potencial elevadíssimo, não foi difícil
convencer multinacionais a se estabelecer aqui. A tradicional Harley-Davidson,
que une fãs em todo o mundo, instalou sua única fábrica
fora dos Estados Unidos em Manaus. Outras, como as japonesas Honda e Yamaha,
já aproveitam as vendas há mais de trinta anos. No início
era difícil montar uma motocicleta no Brasil. A necessidade de
importar componentes e arrumar gente para dar assistência técnica
era um complicador de primeira grandeza. Com o passar do tempo, as empresas
se adequaram às exigências do consumidor brasileiro e aumentaram
o índice de nacionalização das peças.
No
mundo inteiro o que desperta a atenção dos consumidores
é a variedade de modelos. É possível encontrar desde
motos com poucos recursos, como a Honda Biz, que anda cerca de 30 quilômetros
com 1 litro de gasolina, até imponentes produtos que contam com
sistemas de injeção eletrônica, tecnologia usada em
carros. Entre as mais cobiçadas estão as da italiana MVAgusta.
Produzidas artesanalmente com materiais da indústria aeronáutica,
alcançam a velocidade de 250 quilômetros por hora. Quem quiser
ter uma precisará, no entanto, desembolsar a bagatela de 450.000
reais.
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