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Edição 1 728 - 28 de novembro de 2001
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O mundo em duas rodas

Com modelos para todos os gostos
e bolsos, as motos são o sucesso
do ano no Brasil e no exterior

 
Fotos divulgação
Suzuki B-King: a superesportiva foi a sensação no salão em Tóquio

Possuir uma motocicleta já foi privilégio de poucos. Mas, com exceção talvez dos computadores e dos eletrônicos, nenhum bem de consumo teve o preço tão achatado nas duas últimas décadas. Resultado: mesmo num ano meio recessivo como este que se encerra, o crescimento na produção de motocicletas no Brasil chegou a 21%. As vendas vão no mesmo ritmo e já aumentaram quase 25% entre janeiro e outubro, o que é também uma grande surpresa. Na semana passada, uma feira de motos em São Paulo reuniu mais de 500 empresas, que exibiram modelos para todos os gostos e bolsos. Comprador é o que não falta, como mostram os números da indústria. As previsões mais otimistas sobre a evolução do PIB nacional não ultrapassam os 2,5%. Ou seja, o mundo em duas rodas cresceu dez vezes mais. Além disso, o setor se orgulha de ter conseguido manter o nível do emprego. Não demitiu nenhum funcionário, ao contrário da indústria de quatro rodas, em que montadoras e sindicatos tentam estabelecer acordos para salvar milhares de vagas. A pergunta que paira no ar é: como isso pode ser possível em um ambiente tão nebuloso? Uma das respostas está no preço. Motos menos equipadas podem ser adquiridas em prestações de 70 reais por mês, em até 36 parcelas. Verificou-se que a maior parte das pessoas que tiram dinheiro do bolso para comprar uma moto não ganha mais que 600 reais. "O grande fenômeno é a popularização do produto", diz Roberto Iquejiri, presidente da Abraciclo, associação que reúne os fabricantes de veículos sobre duas rodas. Luxo para alguns, a moto se tornou no Brasil o meio de transporte por excelência dos motoristas de menor poder aquisitivo.

Silver Wing 400, da Honda: nova scooter custa 20 000 reais

Mas as razões não se esgotam aí. Com estímulos fiscais e um mercado potencial elevadíssimo, não foi difícil convencer multinacionais a se estabelecer aqui. A tradicional Harley-Davidson, que une fãs em todo o mundo, instalou sua única fábrica fora dos Estados Unidos em Manaus. Outras, como as japonesas Honda e Yamaha, já aproveitam as vendas há mais de trinta anos. No início era difícil montar uma motocicleta no Brasil. A necessidade de importar componentes e arrumar gente para dar assistência técnica era um complicador de primeira grandeza. Com o passar do tempo, as empresas se adequaram às exigências do consumidor brasileiro e aumentaram o índice de nacionalização das peças.


No mundo inteiro o que desperta a atenção dos consumidores é a variedade de modelos. É possível encontrar desde motos com poucos recursos, como a Honda Biz, que anda cerca de 30 quilômetros com 1 litro de gasolina, até imponentes produtos que contam com sistemas de injeção eletrônica, tecnologia usada em carros. Entre as mais cobiçadas estão as da italiana MVAgusta. Produzidas artesanalmente com materiais da indústria aeronáutica, alcançam a velocidade de 250 quilômetros por hora. Quem quiser ter uma precisará, no entanto, desembolsar a bagatela de 450.000 reais.

   
 
   
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