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Edição 1 728 - 28 de novembro de 2001
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A festa acabou

Brasileiros abandonam o
vinho Beaujolais Nouveau


Roberto Silva

A garrafa da estação: muito cara


A chegada do Beaujolais Nouveau é um ritual que se repete na terceira quinta-feira de novembro. É a data em que, supostamente, o vinho está pronto para ser consumido, apenas dois meses depois da colheita das uvas que lhe dão origem. A França monta uma gigantesca operação comercial para enviar 60 milhões de garrafas a mais de uma centena de países. No Brasil, que já foi o maior importador da América Latina, com 627.466 garrafas em 1998, a festa será bem mais pálida que nos anos anteriores. Devem desembarcar apenas 160.000 unidades, metade da quantidade recebida em 2000. Uma das razões é o preço. Há cinco anos, pagavam-se em média 16 reais pela garrafa. Hoje, encarecida pela valorização do dólar, a marca mais barata custa 29 e as mais caras beiram os 50 reais. O segundo motivo é que o consumidor descobriu que com esse dinheiro pode comprar vinho de melhor qualidade, como cabernets chilenos e argentinos.

"Depois da síndrome da garrafa azul, o brasileiro não compra mais gato por lebre", diz o paulista Jorge Lucki, especialista em vinhos. Por ser novo, o Beaujolais Nouveau tem sabor excessivamente frutado, que não agrada a muitos brasileiros. Também é muito perecível e não deve ser guardado por mais de noventa dias. Os franceses fazem a festa nas ruas de Paris para receber o Beaujolais Nouveau não porque seja o melhor, mas por ser o primeiro da safra a ficar pronto. Só que, lá, o vinho não custa mais que 8 dólares nas mesas dos restaurantes. Aqui, pode chegar a 70 reais.

 



   
 
   
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