A festa acabou
Brasileiros
abandonam o
vinho Beaujolais Nouveau
Roberto Silva

A garrafa
da estação: muito cara |
A chegada do Beaujolais Nouveau é um ritual que se repete na terceira
quinta-feira de novembro. É a data em que, supostamente, o vinho
está pronto para ser consumido, apenas dois meses depois da colheita
das uvas que lhe dão origem. A França monta uma gigantesca
operação comercial para enviar 60 milhões de garrafas
a mais de uma centena de países. No Brasil, que já foi o
maior importador da América Latina, com 627.466
garrafas em 1998, a festa será bem mais pálida que nos anos
anteriores. Devem desembarcar apenas 160.000
unidades, metade da quantidade recebida em 2000. Uma das razões
é o preço. Há cinco anos, pagavam-se em média
16 reais pela garrafa. Hoje, encarecida pela valorização
do dólar, a marca mais barata custa 29 e as mais caras beiram os
50 reais. O segundo motivo é que o consumidor descobriu que com
esse dinheiro pode comprar vinho de melhor qualidade, como cabernets chilenos
e argentinos.
"Depois
da síndrome da garrafa azul, o brasileiro não compra mais
gato por lebre", diz o paulista Jorge Lucki, especialista em vinhos. Por
ser novo, o Beaujolais Nouveau tem sabor excessivamente frutado, que não
agrada a muitos brasileiros. Também é muito perecível
e não deve ser guardado por mais de noventa dias. Os franceses
fazem a festa nas ruas de Paris para receber o Beaujolais Nouveau não
porque seja o melhor, mas por ser o primeiro da safra a ficar pronto.
Só que, lá, o vinho não custa mais que 8 dólares
nas mesas dos restaurantes. Aqui, pode chegar a 70 reais.
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