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Falando
fora dos autos
Claudio Alves/divulgação
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| Ministros
do STF e o presidente, Marco Aurélio Mello (à dir.)
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Pobre
democracia aquela em que os poderes da República se subordinam
bovinamente aos interesses e ditames do Executivo. Em nome desse princípio
universal, no entanto, as mais altas instâncias do Poder Judiciário
brasileiro estão produzindo páginas deploráveis do
direito. O ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), cargo que ocupa pelo rodízio que rege a
vitaliciedade dos escolhidos para aquela corte, quebrou até mesmo
a liturgia do cargo. Juízes falam nos autos. Os melhores passam
toda a carreira sem que se conheça, fora dos despachos e sentenças,
uma única de suas idéias. Mello fala pelos corredores. "É
inimaginável que se cogite flexibilizar o direito do trabalho",
disse ele numa de suas freqüentes entrevistas a jornalistas. Mello
sustentou sua afirmação com uma análise socioeconômica,
por sinal equivocada, do Brasil. "O mercado de trabalho é desequilibrado
e há a necessidade da criação de 1,6 milhão
de postos de trabalho para os jovens." Ora, mesmo os especialistas no
assunto que são contra a flexibilização das leis
trabalhistas reconhecem que sua adoção aumentaria a oferta
de emprego no país.
O mais desalentador não é o despreparo do ministro em assuntos
econômicos não se espera dele um refinamento maior
na matéria , mas sua desatenção para com a
harmonia entre os poderes. Caso o Congresso, contrariando o presidente
do STF, considere imaginável e mesmo oportuno flexibilizar a legislação
trabalhista, caberá a Mello zelar pelo cumprimento do novo ordenamento
jurídico. Ele não é um comentador de leis, mas um
guardião delas. Colocado na mais alta corte do país por
indicação de seu primo, Fernando Collor, presidente afastado
do cargo em 1992, há algum tempo Marco Aurélio Mello tem
provocado polêmica devido a algumas de suas afirmações
ou mesmo decisões judiciais. No fim do mês passado, pressionado
pelos outros ministros, Mello foi obrigado a voltar atrás no seu
voto favorável à concessão de habeas-corpus a dois
oficiais da Aeronáutica presos quando decolavam do aeroporto do
Recife com um cargueiro da FAB cheio de fardos de cocaína no porão.
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