Luz na escuridão

Nova técnica de tomografia aprimora o
combate ao câncer e às doenças cardíacas

É câncer: sem precisar de biópsia, as
manchas claras apontadas pelo novo
método já indicam a malignidade

O Brasil acaba de acertar o passo com os países mais desenvolvidos no terreno do diagnóstico de doenças graves. O foco do avanço está nos exames de tomografia computadorizada. Até hoje essa técnica de mapeamento limitava-se a uma descrição detalhada da anatomia do corpo humano. As imagens processadas permitiam que os médicos identificassem lesões em inúmeras partes do organismo do paciente, mas não conseguiam revelar a natureza dessas anomalias. Agora é diferente. O Instituto do Coração, Incor, de São Paulo, está realizando um novo tipo de tomografia capaz de fornecer informações sobre a composição de manchas e nódulos e o comportamento de células do cérebro e do coração. Por isso, o exame permite a realização de diagnósticos muito mais precisos. Tumores cancerígenos podem ser identificados sem a necessidade de biópsias, que exigem cirurgias para a extração de amostras do tecido suspeito. Também é possível salvar a vida de pacientes infartados. A nova tomografia localiza áreas aparentemente mortas do coração que podem voltar a funcionar com a simples implantação de pontes de safena. Zonas do cérebro responsáveis pelas convulsões em pacientes que sofrem de epilepsia podem ser delimitadas e extraídas. "As novas tomografias mudam o rumo do tratamento em pelo menos 30% dos casos", diz Claudio Meneguetti, diretor do Serviço de Medicina Nuclear do Incor.

Radiação — Todos esses avanços só foram possíveis depois que um novo aparelho do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo entrou em operação. Chamado de Ciclotron, o equipamento produz mudanças no núcleo de alguns elementos químicos, como o flúor e o iodo, que passam a emitir radiação. O flúor alterado é associado a moléculas de glicose, um tipo de açúcar, e injetado na corrente sanguínea do paciente. Se a mancha suspeita for um tumor maligno, ela absorverá grande quantidade dessa solução de flúor com glicose. Isso acontece porque o tumor usa o açúcar para se alimentar e se expandir no organismo hospedeiro. Como o flúor foi especialmente alterado para emitir radiação, o nódulo irá aparecer como uma mancha luminosa na tela do computador. Na maioria dos casos, quanto mais intensa a luz, maior o potencial destruidor do câncer. Apesar de representar um avanço muito importante, o novo método tem limitações. As partículas de flúor, por exemplo, têm uma vida útil muito curta. Perdem a carga radioativa em no máximo duas horas. Isso faz com que, por enquanto, esses exames só possam ser realizados em São Paulo. Como se trata de uma tecnologia recente, a tomografia não é custeada pelo Sistema Único de Saúde, SUS, e pela maioria dos convênios particulares. O exame custa entre 1.100 e 1.600 reais.




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