Trombada estelar

O Hubble fotografa uma miríade de estrelas
formadas pelo choque entre duas galáxias

Desde que foi posto em órbita, há oito anos, o telescópio espacial Hubble possibilitou uma série de descobertas. Já fotografou as estrelas mais longínquas do universo, captou formações como a galáxia NGC 7742, que possui um anel de estrelas recém-nascidas em torno de um possível buraco negro, e a cada semana desvela imagens de outros fenômenos do cosmo. Na semana passada registrou mais de 1.000 agrupamentos de jovens estrelas, nascidas da colisão entre duas galáxias. Quando a borda de uma galáxia esbarra na de outra, a trombada provoca a dispersão de fragmentos que formam de maneira acelerada uma miríade de novas estrelas. No momento há uma dezena de galáxias ou nuvens de gás em rota de colisão. O equipamento da Nasa, a agência espacial americana, permite acompanhar esse tipo de acontecimento de posição privilegiada. Flutuando a 580 quilômetros de altitude, o Hubble, que terá mais sete anos de vida útil, é muito mais potente que os atuais telescópios colocados em terra.

Assim como no trânsito, existem trombadas intergalácticas de diferentes proporções. A mais comum é o choque entre duas galáxias relativamente próximas. Há, contudo, os engavetamentos espaciais. Quando várias galáxias trombam ao mesmo tempo, surge uma nova formação gigantesca e esférica, diferente de uma galáxia comum, que tem a aparência de um disco espiral. "As imagens reveladas pelo Hubble fortalecem a teoria de que a colisão das galáxias cria outras com estrelas muito mais jovens", diz o astrônomo Raymundo Baptista, professor da Universidade Federal de Santa Catarina. Também já se sabe que haverá no futuro uma colisão entre a nossa galáxia, a Via Láctea, e sua vizinha Andrômeda. O choque deverá provocar uma alteração nos dois sistemas, que se tornarão um só. Não deve ser motivo de preocupação para ninguém: o cataclismo só deverá ocorrer daqui a bilhões de anos.




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