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Oriente Médio Demorou, mas saiuSob
pressão de Clinton, israelenses e Os grandes tratados internacionais costumam estar prontos quando os chefões se encontram para rubricá-los. Desta vez, ao contrário, uma formidável confusão precedeu o acordo que, finalmente, tira israelenses e palestinos do atoleiro do desentendimento total. Foram nove dias de reuniões ininterruptas, conchavos, ameaças absurdas, gestos dramáticos. Até um rei se levantou do leito de morte, literalmente, para dar uma força. Quando tudo parecia resolvido, na manhã de sexta-feira, e o helicóptero Marine One, com os motores ligados, já esperava o embarque do presidente Bill Clinton para levá-lo de uma fazenda perto de Washington para a Casa Branca com o anúncio triunfal do acordo, novo impasse. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tentava chantagear ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos. Acordo só com a libertação de Jonathan Pollard, americano preso por espionar para Israel. Só um indulto presidencial poderia beneficiá-lo. Como Pollard entrou na história? Provavelmente para produzir um trunfo político que beneficiasse Netanyahu perante seu próprio eleitorado. O jogo pesado não funcionou. Horas depois, com a promessa vaga de que Clinton iria examinar o caso Pollard, Netanyahu e o líder palestino Yasser Arafat assinaram na Casa Branca o acordo que dá um empurrão no processo de paz, depois de um ano e meio de paralisia completa. Para tanto esforço, o acordo é modesto. Na verdade, representa um retorno às linhas mestras do acordo de Oslo, firmado há cinco anos, quando, pela primeira vez, Israel e a Organização pela Libertação da Palestina reconheceram o direito de existência mútua. Parece trivial, mas é um avanço enorme, sobretudo quando se leva em consideração que Netanyahu foi eleito com a promessa implícita de enterrar o acordo firmado por seus antecessores. "Se fosse fácil pôr essas coisas em prática, não seria necessário reafirmá-las", observou Mark Heller, especialista em estudos estratégicos da Universidade de Tel-Aviv. As negociações avançaram desta vez porque Clinton não estava disposto a aceitar um não de israelenses e palestinos principalmente de Netanyahu. Com um processo de impeachment tramitando em casa, o presidente americano precisava como nunca de um sucesso diplomático. Num recurso dramático, convocou o rei Hussein, da Jordânia, a deixar a clínica onde luta contra a morte, enfrentando a quimioterapia para combater um câncer no sistema linfático. Apesar da aparência destroçada, Hussein conseguiu impor-se como uma espécie de autoridade moral sobre a barganha bizantina das negociações. Ajuda da CIA O acordo estabelece um milimétrico cronograma no qual cada passo de um lado corresponderá a um passo do outro. Em cerca de três meses, estão previstas a retirada de tropas israelenses de 13% do território palestino ainda ocupado, a prisão e julgamento de terroristas procurados por Israel, a libertação de 750 prisioneiros palestinos, a revogação formal de cláusulas da Carta Nacional Palestina que pregam a destruição do Estado de Israel, a criação de dois corredores de passagem entre Gaza e Cisjordânia e a permissão de um aeroporto em Gaza. Num lance francamente heterodoxo, a fiscalização do acordo será entregue aos arapongas da CIA, o serviço de espionagem dos Estados Unidos, que vão fazer o trabalho de polícia e de juiz. O próximo passo será a negociação de um acordo final, incluindo questões cabeludíssimas, como a situação de Jerusalém e do retorno dos exilados palestinos. "Não será fácil e continuaremos sem dormir", disse Netanyahu durante a cerimônia na Casa Branca. Raras vezes tinha sido tão sincero em público.
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