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Fim de reinado
Filho do
bicheiro Castor de Andrade é morto no Rio
Houve uma época em
que os bicheiros cariocas formavam uma espécie de
nobreza da contravenção no Brasil. Eram ricos,
mandavam, desmandavam e chegaram a ser recebidos no
Palácio Guanabara pelo governador Moreira Franco.
Vivendo do jogo desde o início do século, a linhagem do
"banqueiro" Castor de Andrade era sua família
real. Controlava uma operação milionária que empregava
150.000 pessoas em vários Estados. Na noite da
quarta-feira passada, uma pistola 9 milímetros encerrou
a carreira do herdeiro de Castor, Paulinho Andrade. Ele
andava pela Zona Oeste do Rio de Janeiro em seu jipe
Cherokee, na companhia de um segurança, quando parou num
semáforo. Um pistoleiro aproximou-se e executou-o com
nove tiros à queima-roupa. Sua mulher, Beth Andrade,
veria a cena do crime ao passar por ali de carro, por
coincidência, vinte minutos depois.
Paulo era a quarta
geração de bicheiros na família. Tinha tantos inimigos
que a polícia enfrenta dificuldades em imaginar a
provável causa do crime. A primeira hipótese, para os
investigadores, é de uma disputa pelo controle do jogo
fora do Rio, travada entre Paulo e seu primo, Rogério
Andrade e Silva. Outra possibilidade é a de Paulo ter
sido morto por um traficante, com quem se desentendeu na
quadra de uma escola de samba. Seria uma vingança
inimaginável no tempo em que os bicheiros eram
poderosos. Com a decadência do império, porém, tudo é
possível. A mina de ouro dos bicheiros começou a
escassear no início da década, com a concorrência das
raspadinhas e loterias oficiais. A decadência tornou-se
visível em 1993, quando a cúpula do bicho foi presa por
ordem da juíza Denise Frossard. Após a morte de Castor,
vítima de ataque cardíaco no ano passado, as coisas se
complicaram ainda mais. Desde então, quatro pessoas
ligadas aos chefões do bicho já foram assassinadas.

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