VEJA Recomenda
DVD
A NOIVA
ESTAVA DE PRETO
(La Mariée Était en Noir, França/Itália,
1968. Versátil)
• O cineasta François Truffaut era louco por Alfred
Hitchcock: não só realizou com ele uma longa série de entrevistas
(compiladas num livro excelente) como, em diversas oca-siões, brincou de
imitar o mestre do suspense. A Noiva Estava de Preto é seu esforço
mais sistemático nesse sentido. Jeanne Moreau, perfeitamente fria e fatal,
é a mulher misteriosa que assassina homens aparentemente inócuos.
Todos estão ligados à morte a tiros de seu noivo nos degraus da
igreja, anos antes, em razão de um equívoco. Logo, porém,
as dúvidas afloram: seria mesmo um equívoco, e esses homens tiveram
mesmo o papel que ela atribui a eles? No saldo final, Noiva é muito
Hitchcock, mas é ainda mais Truffaut. E maior elogio que esse não
se poderia fazer.
EXPOSIÇÕES
Fotos divulgação
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EXPOSIÇÃO
Escultura de Rodin na mostra de Salvador: digitais
do artista |
AUGUSTE RODIN,
HOMEM E GÊNIO
(a partir de terça-feira, no Palacete das Artes
Museu Rodin Bahia, em Salvador)
E RODIN: DO ATELIÊ AO MUSEU
(a partir de quarta-feira no Masp, em São Paulo)
• Com seus corpos retorcidos,
que rompem a placidez clássica, o francês Auguste Rodin (1840-1917)
é considerado o pai da escultura moderna. Em 1995, uma mostra de bronzes
do mestre atraiu um público de 400.000 pessoas, no Rio e em São
Paulo. Agora, em Salvador, uma nova exposição traz 62 peças
de gesso, que fazem parte dos estudos originais para obras de bronze como Porta
do Inferno. Cedidas pelo Museu Rodin de Paris, essas esculturas únicas
trazem literalmente as digitais do artista e permanecerão por três
anos na capital baiana. A mostra no Masp, que vai até dezembro, inclui
22 esculturas de mármore e bronze e uma coleção de 194 fotografias
que apresentam o escultor em ação no seu ateliê.
DISCOS
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DISCO
Air: eles já não soam como um velho grupo de rock progressivo |
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LOVE
2, Air (EMI)
• Pocket Symphony, o trabalho anterior do duo francês
formado por Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin, era um bom disco, mas pecava
pelo excesso de orquestração e pela produção que fazia
o Air soar como um velho grupo de rock progressivo. No novo Love 2, Dunckel
e Godin tocam vários instrumentos (o único convidado é o
baterista Joey Waronker, ex-R.E.M.) e retomam o estilo de composição
que marcou álbuns como Moon Safári (1998). As canções
parecem feitas para constar de trilhas sonoras. Vão do kitsch (Love e Missing the Light of the Day, com seus corinhos femininos) a rocks que
lembram temas de filmes de ação (Be a Bee, com suas guitarras
distorcidas no ponto certo). Heavens Light, balada regada a piano,
escaleta e teclados, faria sucesso em qualquer romance hollywoodiano.
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DISCO
Ney Matogrosso: para cada disco rebolante, ele grava
outro de repertório mais introspectivo
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BEIJO
BANDIDO, Ney Matogrosso (EMI)
• Para cada trabalho em que deixa aflorar
seu lado pop (rendendo apresentações ao vivo vibrantes, nas quais
capricha no rebolado), Ney Matogrosso lança outro disco calmo, com arranjo
e repertório comedidos. Beijo Bandido pertence a esse segundo grupo.
Escudado pelo bom pianista Leandro Braga que também responde pela
direção musical , o cantor interpreta catorze canções
que têm o amor como tema principal. Ney recria músicas como Tango
para Tereza, sucesso na voz de Ângela Maria, e Doce de Coco, de Jacob do Bandolim. Dá até personalidade a uma canção
tolinha como Nada por Mim, de Paula Toller e Herbert Vianna. Entre as inéditas, Invento é mais uma prova do talento do compositor gaúcho
Vitor Ramil.
LIVROS
ALEIJÃO, de Eduardo Sterzi
(7Letras; 160 páginas; 30 reais)
• Em seu primeiro livro de poemas, Prosa, de 2001, o gaúcho Eduardo Sterzi, de 36 anos, já mostrava um
domínio extenso da poesia moderna (e anterior: autor de Por que Ler
Dante, Sterzi é um estudioso do autor de Divina Comédia), construindo uma intricada rede de alusões e referências. Nesta nova
coletânea, as citações tornaram-se mais sutis, e o poeta depurou
sua dicção pessoal, na qual versos fraturados concentram imagens
poderosas como a da sangrenta pescaria de uma arraia em Para Fora dÁgua.
Aleijão é um livro tenso, áspero mas com momentos
de humor, como no poema em que Sterzi inventa personagens esdrúxulos batizados
com variações de seu nome (Strazzi, Stronzo etc.). A ironia
do livro estende-se aos próprios poetas, dos quais se diz: "Só
pensam em dinheiro / matá-los seria perfeito / não fossem a sujeira
e os berros". Trecho do livro.
REI DO CHEIRO, de João Silvério
Trevisan (Record; 320 páginas; 47,90 reais)
• Autor de Ana em Veneza, romance sobre o ramo brasileiro da família do escritor alemão
Thomas Mann, e Devassos no Paraíso, ensaio histórico sobre
a homossexualidade no Brasil, João Silvério Trevisan, de 65 anos,
examina, neste novo romance, o mundo dos novos-ricos de São Paulo. O rei
do cheiro aludido no título é o paulista Ruan Carlos Coronado, homem
que faz fortuna na indústria de cosméticos. A narrativa acompanha
o personagem do nascimento, nos anos 50, até os tempos atuais, quando explodem
em São Paulo ataques de uma facção criminosa conhecida como
Croc (Comando Revolucionário Organizado do Crime). O romance mantém
um diálogo irônico com a cultura de massas do período, citando
marchinhas de Carnaval e novelas
de rádio e televisão. Trecho do livro.
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