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Está na cara
Só falta o bigodinho (mas ele já esteve lá): Nick Griffin é um fascista
de verdade com pinta de mentira

Vilma Gryzinski
O nome dele é Nick Griffin, mas podem chamá-lo
de Adolf Júnior. O cara é tão mau que suspende a Lei de
Godwin na versão mais corrente, ela estabelece que quem faz uma
comparação nazista de qualquer tipo já perdeu a discussão.
Ele próprio cultiva uma certa semelhança com Hitler, em especial
no corte de cabelo repicado. Quando era mais jovem, usava até bigodinho,
hoje rearranjado em cartazes de opositores. Griffin é o líder
do Partido Nacional Britânico, que elevou de um bando de skinheads malvestidos,
embalados a cerveja e ideias de supremacia racial, a um bando de skinheads engravatados,
com as mesmas bobagens na cabeça e dois representantes eleitos no Parlamento
europeu. Foi entrevistado na semana passada num programa da BBC, desatou o maior
bafafá e colocou todo mundo discutindo uma questão sem respostas
fáceis: quem nega a democracia pode usar seus princípios para
pregar contra ela? Griffin nega o genocídio dos judeus na II Guerra,
mas acha que "Adolf foi longe demais", declaração repudiada
na entrevista. Pregava a repatriação forçada de todos os
imigrantes, mas agora diz preferir uma saída "voluntária".
O fascismo inglês remonta a Oswald Mosley, um aristocrata admirador de
Hitler e Mussolini pai de Max Mosley, o presidente da Federação
Internacional de Automobilismo, filmado com prostitutas contratadas para simular
cenas de campos de concentração. Ao usar instrumentos democráticos
como a liberdade de expressão para propagar um discurso que é
a sua negação, Griffin igualou-se exatamente àqueles a
quem mais professa odiar, os muçulmanos que repudiam as ideias ocidentais.
Outro masoquista do pedaço.
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