Seções
• VEJA.comPanorama
• Imagem da SemanaBrasil
• Sindicatos: O gangsterismo explícito nas entidades de classeGeral
• Religião: O papa abre as portas aos anglicanosArtes e Espetáculos
• Arte: Fogo no acervo de Hélio Oiticica
|
Ilustração Atômica Studio![]() |
Vejamos o segundo argumento. Se pensamos na contribuição
da Europa nos últimos cinco séculos, muitas ideias nos vêm
à cabeça. Mas talvez uma das mais decisivas tenha sido o desenvolvimento
do método científico, salto que teve Bacon e Descartes como ícones.
Por trás dos gigantescos avanços científicos está
o método. Com ele, a ciência avança, seja com passinhos,
seja com saltos. Não há marcha a ré, pois até o
erro educa.
O método impõe a disciplina de formular as perguntas de maneira rigorosa e sem ambiguidades. Em seguida, propõe e fiscaliza um plano de ação para verificar se as hipóteses para responder às perguntas, de fato, descrevem o mundo real. Sem essa disciplina para escoimar de imprecisões e equívocos a busca científica das respostas, não poderíamos ter confiança nos resultados. A vulgarização do poder da ciência se traduz nas afirmativas publicitárias de que "a ciência demonstrou...".
Sem o desenvolvimento do método científico, não teríamos os avanços tecnológicos que tanto beneficiam a humanidade. Mas o meu argumento aqui vai em outra direção. O método tornou-se uma espécie de roteiro seguro para pensar bem sobre todos os assuntos, não apenas para fazer pesquisas. Quem aprendeu a pensar como cientista e a usar o método científico tem um raciocínio mais enxuto e rigoroso. As perguntas são mais bem formuladas e já facilitam a busca sistemática das respostas. Não importa o assunto (mas, obviamente, uma boa base científica apenas dá a embocadura para entrar com segurança no assunto, não substitui o conhecimento específico). Só falta dizer que há uma enorme diferença entre aprender a pensar como um cientista e decorar fórmulas, teoremas e leis. Infelizmente, nosso ensino pende para a segunda versão. E o Pisa joga isso na nossa cara.
Claudio de Moura Castro é economista
claudio&moura&castro@cmcastro.com.br