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Guia Doação
de órgãos: a vida de presente Transplantes
aumentam 10% ao ano. A fila de necessitados cresce muito mais
 | | Selo
de uma campanha de doação: em alta no Brasil |
Um
levantamento inédito da Associação Brasileira de Transplante
de Órgãos, com divulgação prevista para 27 de setembro,
Dia Nacional do Doador de Órgãos, mostra que o número de
doadores e transplantados cresce ao ritmo de 10% ao ano. Espera-se que 15000 transplantes
ocorram em todo o país em 2005. O crescimento se deve à relutância
cada vez menor das famílias de pessoas com morte encefálica a autorizar
doações. Hoje, de cada quatro famílias, apenas uma recusa
a doação. Mas a fila de pacientes à espera de órgãos,
em vez de diminuir, aumenta reflexo do acesso cada vez maior da população
carente aos transplantes. A cada mês, 1100 pacientes saem da lista de espera
porque conseguem um doador, enquanto entram 2300 novos candidatos. Há 63000
pessoas aguardando algum tipo de transplante em todo o país. "Ainda é
preciso melhorar a notificação de possíveis doadores", explica
Roberto Schlindwein, coordenador do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério
da Saúde. Estima-se que, de cada duas mortes de potenciais doadores, só
uma seja notificada às centrais estaduais de transplantes. Nos
últimos quatro anos, 1 600 coordenadores foram treinados para atuar em
hospitais na detecção de possíveis doadores, consultando
também as famílias e encaminhando o processo de doação.
O modelo foi copiado da Espanha, um dos países mais eficientes na área
de transplantes. No Brasil, em todos os tipos de necessidade, já há
filas únicas, por estado. O atendimento obedece a critérios de compatibilidade
anatômica, sanguínea e genética. Os médicos também
levam em conta a urgência do caso, como um transplante de fígado
diante de uma hepatite fulminante. Nessa hipótese, quem solicita a passagem
para o topo da fila é o médico da equipe de transplante que trata
o paciente e quem a autoriza é a central estadual.
Este guia responde às perguntas mais comuns de potenciais doadores e seus
parentes e de candidatos a transplantes. A hora de decidir sobre doar ou não
os órgãos após a morte de alguém da família
é um momento de muitas dúvidas. O diretor da Unidade de Transplante
do Hospital do Rim e Hipertensão, de São Paulo, José Medina
Pestana, esclarece algumas das principais no quadro abaixo.
COMO TER CERTEZA DE QUE HOUVE MORTE ENCEFÁLICA?
O conceito de morte encefálica é bem estabelecido. Ela é
comprovada por testes clínicos, como a checagem de reação
à dor, ao calor e ao frio, complementados por eletroencefalograma, arteriografia,
angiografia cerebral, entre outros exames. Pelo menos um dos médicos deve
ser neurologista, e nenhum deles pode fazer parte da equipe que realizará
o transplante. É PRECISO QUE
A INTENÇÃO DE DOAR SEJA DOCUMENTADA? Não é
necessário nenhum registro em documento. Basta deixar a família
avisada. Ela vai considerar isso como último desejo e autorizar a doação.
QUAIS PARTES DO CORPO PODEM SER DOADAS
APÓS A MORTE? Coração, pulmões, fígado,
rins, pâncreas, pele, ossos, córneas, tendões, veias, medula
óssea, cartilagens e até mesmo uma estrutura completa (mão,
por exemplo). Um único doador, teoricamente, pode ajudar 25 pessoas.
QUEM NÃO PODE SER DOADOR? As
vítimas de doenças infecciosas, transmissíveis ou câncer
generalizado. PODE-SE ESCOLHER QUEM SERÁ
O RECEPTOR DOS ORGÃOS? Na doação em vida, sim (veja
texto). Na doação após a morte, a família
não pode escolher. São obedecidos os critérios de compatibilidade
e de urgência, conforme a fila coordenada pelas secretarias estaduais de
Saúde. QUEM ARCA COM OS CUSTOS
DA DOAÇÃO? Todas as despesas são pagas pelo Sistema
Único de Saúde. O CORPO DEMORA
PARA SER LIBERADO? O processo de documentação da morte encefálica
e a retirada dos órgãos levam de doze a dezesseis horas.
A RETIRADA DOS ORGÃOS DEFORMA O CORPO?
Não. QUE ÓRGÃOS
PODEM SER DOADOS EM VIDA? Fígado, medula óssea, pâncreas,
rim e até mesmo pulmão. Os textos da página seguinte explicam
essas doações em detalhes. | |
Editado por André Fontenelle.
Colaborou Bianca Piragibe |