
Lição de coisas
Estava eu conversando, em Porto
Alegre, com Ivan Pinheiro Machado e Paulo Lima, meus editores
da LPM, quando eles promoveram o encontro famoso famoso
há 200 anos entre Balzac e Napoleão
Bonaparte. Balzac, admirador do Corso, registrava os pensamentos
deste sobre sua própria vida, a vida social, e a institucional,
que ele ajudou a mudar para sempre, embora muitos não achem
(ou nem saibam). Publico alguns desses pensamentos, por serem
bastante oportunos. Quem sabe alguém lê? E reflete
sobre esse NAPOLEÃO BONAPARTE. Ele sabia das coisas:
1 A maior parte dos
que não querem ser oprimidos quer oprimir.
2 Há tantas leis
que ninguém está livre de ser enforcado.
3 O meio de ser acreditado
é tornar a verdade inacreditável.
4 Os roubos coletivos
não têm ladrão.
5 É bem mais
seguro ocupar os homens com coisas absurdas do que com idéias
justas.
6 De 100 favoritos do
rei, 90 são enforcados.
7 As grandes assembléias
se reduzem a camarilhas e as camarilhas se reduzem a um homem.
8 A nobreza teria permanecido
se soubesse se apropriar dos meios de escrever.
9 Nunca se sobe tão
alto como quando não se sabe aonde se vai.
10 O homem menos livre
é o homem de partidos.
11 Nada funciona num
sistema político em que as palavras não combinam
com os fatos.
12 Todos são
sensíveis a porcentagens.
13 Não se vai
buscar uma dragona no campo de batalha quando se pode obtê-la
numa antecâmara.
14 Há casos em
que perder homens é economia de sangue.
15 A política
e a moral devem ter a mesma repulsa pela pilhagem.
16 Um governo recém-nascido
deve deslumbrar.
17 As transações
aviltam o poder.
18 Todo governo deve
ver o povo apenas como massa.
19 É preciso
mais caráter na administração do que na guerra.
20 Um governo formado
de elementos heterogêneos não é durável.
21 A suscetibilidade
de um governo acusa sua fraqueza.
22 A separação
do Tesouro e do Ministério das Finanças é
a única possível.
23 Os conspiradores
que se unem contra uma tirania começam submetendo-se a
um chefe.
24 Desde a descoberta
da imprensa as luzes (os iluministas) são chamadas
para reinar. E reina-se apenas para subjugá-las.
25 Um soberano deve
sempre confiscar a publicidade para seu proveito.
26 O ateu é um
súdito melhor do que um fanático. Um obedece, o
outro mata.
27 Há patifes
tão patifes que se comportam como pessoas honestas.
28 A expressão
virtude-política é um contra-senso.
29 Os jornais deveriam
ser reduzidos a pequenos cartazes.
30 Um Estado se governa
melhor com ministros medíocres que permaneçam no
cargo do que com ministros de alto espírito que mudam constantemente.
31 É preciso
retirar a proteção daqueles a quem não podemos
mais recompensar.
32 A polícia
inventa mais do que descobre.
33 Interpretar as leis
é corrompê-las.
34 O soberano sempre
procede mal quando fala colérico.
35 Querer estabelecer
legalmente a responsabilidade dos atos é uma tolice.
36 Convém mudar
inesperadamente de lugar as autoridades e as guarnições
militares. O interesse do Estado exige que não haja posições
inarredáveis.
37 Uma lei ruim aplicada
presta mais serviços do que uma boa lei interpretada.
38 Não há
leis possíveis contra o dinheiro.
39 A política,
que não pode ser moral, deve impor a moral.
40 A cassação
não é mais do que um acordo entre o Malfeito e a
Lei.
41 Não é
a fé que nos salva. É a desconfiança.
42 Com especialistas
é impossível conseguir simplicidade. Os formalistas
do Conselho de Estado impediram muitas simplificações.
43 O comércio
une os homens. Portanto o comércio é prejudicial
à autoridade.
44 Toda boa lei deve
ser curta. Longa, vira regulamento.
45 As conspirações
são feitas em proveito dos mais covardes.
46 Uma nação
em que todos querem cargos importantes está vendida de
antemão.
47 Se a grande maioria
da sociedade quisesse ignorar as leis, quem haveria de impedi-la?
48 Eu nunca quis empréstimo.
Em 1813, a França tinha apenas sessenta milhões
em títulos do governo. Deixei mais de 100 milhões.
49 Nada que degrada
um homem é útil por muito tempo.
50 Os grandes poderes
morrem de indigestão.
51 Tronos não
se consertam.
52 Toda indulgência
com culpados é uma conivência.
53 Um Chefe é
um mercador de esperança.
54 Não há
roubo. Tudo se paga.
55 O mais difícil
é decidir.
56 CHEFE DE ESTADO NÃO
DEVE SER CHEFE DE PARTIDO