Edição 1924 . 28 de setembro de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Auto-retrato
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Carta ao leitor
O roubo da paixão


Paulo Vitale
Rizek e Thaís: depois de descobrirem o esquema, eles pediram o auxílio do Ministério Público e da polícia

O Brasil tem, reconhecidamente, o melhor futebol do planeta. Conquistou cinco das dezessete Copas do Mundo já disputadas – mais do que qualquer outro país. Sua seleção é líder do ranking mundial. Seus jogadores brilham nos principais campeonatos do mundo e alguns são até convidados a mudar de nacionalidade para defender outras seleções. O futebol é ao mesmo tempo uma paixão e um dos orgulhos nacionais. Como mostra uma reportagem desta edição de VEJA, esse patrimônio nacional esteve ameaçado por uma gangue que "fabricava" resultados de jogos do Campeonato Brasileiro. Produto de uma investigação iniciada há seis meses pela editora Thaís Oyama e pelo repórter André Rizek, a matéria levanta o véu sobre uma máfia formada por árbitros e empresários que, pelo menos desde o início deste ano, vinha fraudando os resultados não só do Campeonato Brasileiro, como de outros campeonatos do país, com vistas a lucro fácil em sites de apostas ilegais.

"Sempre ouvi histórias escabrosas de compra de jogos, que nunca se confirmavam. No início da apuração, cheguei a achar que essa pudesse ser mais uma", diz Rizek. Não era, como conseguiram comprovar ele e Thaís, com a ajuda do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo) e da Polícia Federal. "Entramos em contato com o Ministério Público e a polícia, depois de descobrir o esquema, não só para pedir auxílio, mas por dever de cidadãos", diz Thaís. Fanático por futebol, Rizek trabalhou por oito anos na imprensa esportiva e cobriu diversos torneios internacionais, entre eles a Copa do Mundo disputada na França. Já Thaís, faixa roxa de caratê, admite que seus conhecimentos futebolísticos são, por assim dizer, limitados. "Até hoje não entendo o que é um impedimento", diz. Não importa. Ao lado de Rizek, ela conseguiu dar um cartão vermelho para a bandidagem que, se não fosse descoberta, poderia ter minado a credibilidade dos resultados da grande paixão brasileira.

 
 
 
 
topovoltar