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| Rocco:
desintegração moral |
Rocco e Seus Irmãos (Rocco e i Suoi Fratelli, Itália/França,
1960. P&b. Versátil) Primeiro título de uma coleção
dedicada ao cineasta Luchino Visconti, Rocco trata de seus temas
prediletos família e desintegração moral.
Aqui eles sustentam um comentário amargo sobre o sonho capitalista.
Alain Delon é o moço de caráter impoluto, quase santo,
que migra com a mãe e os irmãos para Milão, em busca
de uma vida melhor, mas pouco a pouco afunda em tragédias inesperadas.
É o último laço de Visconti com o movimento neo-realista
e traz uma atuação memorável de Annie Girardot, como
a moça que inadvertidamente acelera essa ruína. O primeiro
disco contém o filme, de quase três horas. No segundo há
um bom documentário sobre o diretor, um aristocrata que se converteu
ao pensamento de esquerda.
Live
at the Apollo, Roxy Music (Warner) No fim de 2000, um avião
que transportava o cantor Bryan Ferry de Londres para Nairóbi foi
seqüestrado por um francês lunático. Ferry apelou para
a religião: jurou que, se saísse bem do apuro, reuniria
os ex-companheiros do Roxy Music com os quais não tocava
havia dezoito anos. Live at the Apollo mostra que a promessa foi
levada a sério. Ferry, o guitarrista Phil Manzanera e o saxofonista
Andy Mackay, integrantes da formação original, revivem os
principais hits do grupo, um ícone pop dos anos 70. Entre os diversos
pontos altos do DVD estão Love is the Drug, a balada Avalon
e a releitura para Jealous Guy, de John Lennon. Entre os extras,
um documentário e trechos de entrevistas com os músicos.
DISCOS
Silvera,
Silvera (Trama) Tim Maia morreu dizendo que brasileiro não
sabia cantar. Irritava-o a mania dos intérpretes nacionais de recitar
as letras baixinho, "numa tentativa de imitar João Gilberto". Ao
ouvir o disco de estréia de Silvio Luis da Silva, o Silvera, o
exigente Tim Maia provavelmente ficaria satisfeito. O cantor paulista
de 24 anos não tem medo de soltar a voz, em canções
influenciadas por várias vertentes da música negra americana.
Ex-músico de estúdio (seu currículo inclui participações
nos álbuns do Só pra Contrariar e dos Racionais MC's), Silvera
tocou todos os instrumentos nas treze faixas do disco, que traz como destaques
a sacolejante Bye Bye e a balada Daqui
pra Frente.
Só faltava ele ser bom letrista o que não é
o caso. Silvera poderia ter chamado alguém para compor versos menos
açucarados.
Minha
Lôa, Naná Vasconcelos (Fábrica Discos)
O percussionista Naná Vasconcelos já temperou os discos
de artistas internacionais como Pat Metheny, Don Cherry e David Byrne,
mas nada se compara com a riqueza sonora que oferece em seus discos-solo.
Cada um de seus lançamentos é uma aula sobre a variedade
de ritmos existente no Brasil. Minha Lôa tem samba, afoxé,
coco, maracatu, xote e baião, entre outros, na sua versão
original ou sutilmente misturados e modificados. Afoxé do Nego
Véio, por exemplo, ganhou solo de trombone típico das
gafieiras cariocas. Curumim agrega solos de berimbau, ritmos eletrônicos
e trechos das Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos. Entre as faixas
menos experimentais encontram-se o belo samba Voz
Nagô, interpretado por Naná em parceria com
o violonista Pedro Amorim, e a dançante Forró das Meninas.
A
Rush of Blood to the Head, Coldplay (EMI) Os integrantes
desse grupo inglês não causam desmaios em mocinhas, como
os rapazes do Blur, nem são craques na arte de polemizar, como
os irmãos Liam e Noel Gallagher, do Oasis. Mas o grupo liderado
pelo vocalista e pianista Chris Martin apresenta, nesse seu segundo lançamento,
algo que há muito tempo Blur e Oasis não conseguem: um disco
que se ouve sem pular nenhuma faixa. Há uma profusão de
bons rocks (Politk, Daylight), baladas assobiáveis (Green
Eyes, In
My Place) e canções com o refinamento sonoro
de um Pink Floyd (Clocks). O disco está sendo saudado como
o melhor trabalho de rock do ano.
LIVRO
Ritos
de Passagem, de William Golding (tradução de Elsa
Martins; Nova Alexandria; 200 páginas; 28 reais) Ganhador
do Nobel de Literatura, o inglês Golding, morto em 1993, era um
mestre em criar alegorias. No clássico O Senhor das Moscas,
ele fala da crueldade a partir da figura de um garoto que é
um protótipo de tirano. Juntamente com aquele livro, Ritos de
Passagem compõe o essencial de sua obra. Primeiro volume de
uma trilogia sobre o mar, ele valeu ao autor o Booker Prize, em 1980.
Toda a trama do livro se passa num navio que ruma da Inglaterra à
Austrália, no começo do século XIX. A história
é narrada na forma de um diário que um jovem aristocrata
escreve para seu avô. Arrogante, ele descreve a convivência
forçada de pessoas de diferentes condições sociais
e como as aparências desabam depois que um crime é
cometido a bordo. Leia
trechos.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Reuters
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| Marion
Zimmer Bradley: ela não morreu |
Morta em 1999, às vésperas de completar 70 anos,
a americana Marion Zimmer Bradley foi autora de uma das séries
de livros mais populares das últimas décadas.
Trata-se de As Brumas de Avalon, saga que reconta a
lenda do rei Artur sob o prisma feminino. Somados, seus quatro
volumes ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares
vendidos no Brasil. Além de ser uma escritora com alto
poder de sedução sobre seu público, Marion
tinha uma pena prolífica. Depois de As Brumas, não
parou mais de criar romances sobre aquele mesmo universo mágico.
O segredo de sua produtividade é que ela sempre se
rodeou de assistentes que a ajudavam a compor tais livros.
Por isso, não se deve estranhar o fato de que essas
parcerias tenham continuado mesmo após sua morte. Em
oitavo lugar na lista de ficção, o póstumo
A Sacerdotisa de Avalon (tradução
de Claudia Martinelli Gama; Rocco; 438 páginas; 37,50
reais) foi deixado pela metade mas sua cunhada e colaboradora
Diana L. Paxson tratou de completar a história. Mal
dá para sentir a diferença. O romance mistura
temas de cavalaria com uma biografia fantasiosa de Santa Helena,
mãe do imperador romano Constantino. A premissa do
livro é que a santa teria nascido na Inglaterra, uma
tese sem nenhuma comprovação. Enfim, para quem
acha esse tipo de gororoba literária divertido, é
um prato cheio.
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