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Edição 1 766 - 28 de agosto de 2002
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DVDs

Reprodução
Rocco: desintegração moral


Rocco e Seus Irmãos
(Rocco e i Suoi Fratelli, Itália/França, 1960. P&b. Versátil) – Primeiro título de uma coleção dedicada ao cineasta Luchino Visconti, Rocco trata de seus temas prediletos – família e desintegração moral. Aqui eles sustentam um comentário amargo sobre o sonho capitalista. Alain Delon é o moço de caráter impoluto, quase santo, que migra com a mãe e os irmãos para Milão, em busca de uma vida melhor, mas pouco a pouco afunda em tragédias inesperadas. É o último laço de Visconti com o movimento neo-realista e traz uma atuação memorável de Annie Girardot, como a moça que inadvertidamente acelera essa ruína. O primeiro disco contém o filme, de quase três horas. No segundo há um bom documentário sobre o diretor, um aristocrata que se converteu ao pensamento de
esquerda.

Live at the Apollo, Roxy Music (Warner) – No fim de 2000, um avião que transportava o cantor Bryan Ferry de Londres para Nairóbi foi seqüestrado por um francês lunático. Ferry apelou para a religião: jurou que, se saísse bem do apuro, reuniria os ex-companheiros do Roxy Music – com os quais não tocava havia dezoito anos. Live at the Apollo mostra que a promessa foi levada a sério. Ferry, o guitarrista Phil Manzanera e o saxofonista Andy Mackay, integrantes da formação original, revivem os principais hits do grupo, um ícone pop dos anos 70. Entre os diversos pontos altos do DVD estão Love is the Drug, a balada Avalon e a releitura para Jealous Guy, de John Lennon. Entre os extras, um documentário e trechos de entrevistas com os músicos.

 

DISCOS

Silvera, Silvera (Trama) – Tim Maia morreu dizendo que brasileiro não sabia cantar. Irritava-o a mania dos intérpretes nacionais de recitar as letras baixinho, "numa tentativa de imitar João Gilberto". Ao ouvir o disco de estréia de Silvio Luis da Silva, o Silvera, o exigente Tim Maia provavelmente ficaria satisfeito. O cantor paulista de 24 anos não tem medo de soltar a voz, em canções influenciadas por várias vertentes da música negra americana. Ex-músico de estúdio (seu currículo inclui participações nos álbuns do Só pra Contrariar e dos Racionais MC's), Silvera tocou todos os instrumentos nas treze faixas do disco, que traz como destaques a sacolejante Bye Bye e a balada Daqui pra Frente. Só faltava ele ser bom letrista – o que não é o caso. Silvera poderia ter chamado alguém para compor versos menos açucarados.

Minha Lôa, Naná Vasconcelos (Fábrica Discos) – O percussionista Naná Vasconcelos já temperou os discos de artistas internacionais como Pat Metheny, Don Cherry e David Byrne, mas nada se compara com a riqueza sonora que oferece em seus discos-solo. Cada um de seus lançamentos é uma aula sobre a variedade de ritmos existente no Brasil. Minha Lôa tem samba, afoxé, coco, maracatu, xote e baião, entre outros, na sua versão original ou sutilmente misturados e modificados. Afoxé do Nego Véio, por exemplo, ganhou solo de trombone típico das gafieiras cariocas. Curumim agrega solos de berimbau, ritmos eletrônicos e trechos das Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos. Entre as faixas menos experimentais encontram-se o belo samba Voz Nagô, interpretado por Naná em parceria com o violonista Pedro Amorim, e a dançante Forró das Meninas.

A Rush of Blood to the Head, Coldplay (EMI) – Os integrantes desse grupo inglês não causam desmaios em mocinhas, como os rapazes do Blur, nem são craques na arte de polemizar, como os irmãos Liam e Noel Gallagher, do Oasis. Mas o grupo liderado pelo vocalista e pianista Chris Martin apresenta, nesse seu segundo lançamento, algo que há muito tempo Blur e Oasis não conseguem: um disco que se ouve sem pular nenhuma faixa. Há uma profusão de bons rocks (Politk, Daylight), baladas assobiáveis (Green Eyes, In My Place) e canções com o refinamento sonoro de um Pink Floyd (Clocks). O disco está sendo saudado como o melhor trabalho de rock do ano.

 

LIVRO

Ritos de Passagem, de William Golding (tradução de Elsa Martins; Nova Alexandria; 200 páginas; 28 reais) – Ganhador do Nobel de Literatura, o inglês Golding, morto em 1993, era um mestre em criar alegorias. No clássico O Senhor das Moscas, ele fala da crueldade a partir da figura de um garoto que é um protótipo de tirano. Juntamente com aquele livro, Ritos de Passagem compõe o essencial de sua obra. Primeiro volume de uma trilogia sobre o mar, ele valeu ao autor o Booker Prize, em 1980. Toda a trama do livro se passa num navio que ruma da Inglaterra à Austrália, no começo do século XIX. A história é narrada na forma de um diário que um jovem aristocrata escreve para seu avô. Arrogante, ele descreve a convivência forçada de pessoas de diferentes condições sociais – e como as aparências desabam depois que um crime é cometido a bordo. Leia trechos.

 

OS MAIS VENDIDOS CRÍTICA

Reuters
Marion Zimmer Bradley: ela não morreu


Morta em 1999, às vésperas de completar 70 anos, a americana Marion Zimmer Bradley foi autora de uma das séries de livros mais populares das últimas décadas. Trata-se de As Brumas de Avalon, saga que reconta a lenda do rei Artur sob o prisma feminino. Somados, seus quatro volumes ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos no Brasil. Além de ser uma escritora com alto poder de sedução sobre seu público, Marion tinha uma pena prolífica. Depois de As Brumas, não parou mais de criar romances sobre aquele mesmo universo mágico. O segredo de sua produtividade é que ela sempre se rodeou de assistentes que a ajudavam a compor tais livros. Por isso, não se deve estranhar o fato de que essas parcerias tenham continuado mesmo após sua morte. Em oitavo lugar na lista de ficção, o póstumo A Sacerdotisa de Avalon (tradução de Claudia Martinelli Gama; Rocco; 438 páginas; 37,50 reais) foi deixado pela metade – mas sua cunhada e colaboradora Diana L. Paxson tratou de completar a história. Mal dá para sentir a diferença. O romance mistura temas de cavalaria com uma biografia fantasiosa de Santa Helena, mãe do imperador romano Constantino. A premissa do livro é que a santa teria nascido na Inglaterra, uma tese sem nenhuma comprovação. Enfim, para quem acha esse tipo de gororoba literária divertido, é um prato cheio.

 

   
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Laselva, Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano; Belo Horizonte: Laselva, Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.

 

   
 
   
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