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Edição 1 766 - 28 de agosto de 2002
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Lauro Jardim [e–mail: ljardim@abril.com.br]

GÁS

Orquestra afinada
As distribuidoras de gás estão comprando uma briga de bom tamanho com o governo FHC, que quer porque quer que o preço do produto baixe. O governo promete jogar pesado. Uma reunião na quarta–feira entre o ministro da Justiça, Paulo de Tarso, e o diretor–geral da ANP, Sebastião do Rego Barros, vai selar o início de uma grande ofensiva sobre as distribuidoras.

 

SUCESSÃO

República do grampo
A família Sarney anda ressabiada. Na manhã de quarta–feira, foi descoberto um grampo no celular de um dos empregados mais antigos da casa de Roseana Sarney.

Quem será?
Em diversos encontros fechados com banqueiros e grandes empresários, José Dirceu tem feito afirmações que soam tranqüilizadoras como uma canção de ninar para essas platéias. A hora que a turma mais gosta é quando Dirceu afirma que o ministro da Fazenda de um eventual governo Lula não sairá dos quadros do partido. Mais: que será um nome que surpreenderá positivamente tanto aqui quanto no exterior.

Jogo de cintura
Um craque na conciliação de contrários é o cientista político Antônio Lavareda. Faz análise de pesquisas e participa da estratégia de campanha de três candidaturas – a de José Serra e as de Tasso Jereissati e Roseana Sarney ao Senado, inimigos figadais do tucano.

Durão
A entrada de José Alexandre Scheinkman, ex–diretor da faculdade de economia da Universidade de Chicago – um ícone da visão pró–mercado e monetarista –, na campanha de Ciro Gomes produziu um comentário irônico de uma das estrelas mais cintilantes da PUC carioca. O pessoal da PUC, como se sabe, detém há dez anos a hegemonia da condução econômica do país: "Nossos críticos, quem diria, vão sentir saudade de nós".

Fator Lula
Sinal dos tempos: hoje, 40% dos pedidos que o headhunter Antônio Carlos Martins recebe para contratar executivos são de diretores de RH com experiência em negociação sindical. De três meses para cá, a procura não pára de crescer.

 

Um petista de "mercado"

Adi Leite/Valor
Barbosa: reforço na campanha

Preste atenção neste nome. Discreto e desconhecido fora do mercado financeiro, Pedro Barbosa, 37 anos, tem um currículo invejável. Entre 1990 e 1999, foi chefe de mercados emergentes do ING Bank, em Nova York, e até sexta–feira passada comandava a mesa de operações do Bank of America no Brasil. Uma fera na negociação de títulos da dívida externa, câmbio e mercados futuros. Barbosa está deixando o banco americano para colaborar com a equipe de Lula. Nos últimos meses, tem sido um dos principais consultores informais do PT para o mercado financeiro. Mais: tem marcado reuniões entre o partido e a banca. Um sinal de que o mercado e o PT andam se entendendo melhor.

 

ECONOMIA

O país Petrobras
Veja como uma empresa brasileira pode ser maior que um país: só de impostos e royalties, a Petrobras vai gerar neste ano 12,5 bilhões de dólares. O faturamento está em torno de 25 bilhões. Somando os dois, é o dobro do PIB do Uruguai.

A Vale se mexe
A Vale do Rio Doce está fazendo um discreto, mas intenso, trabalho de bastidores no BNDES para melar o negócio entre a CSN e a anglo–holandesa Corus.

A todo o vapor
O que mais se ouve nestes tempos pré–eleição é que nenhum grande negócio vai para a frente por causa da crise e da indefinição do quadro eleitoral. Pode ser. Mas tem gente que está remando com força no meio da tempestade. A Votorantim Celulose, por exemplo, acaba de fechar com o banco ABN Amro uma operação de financiamento de exportação de papel e celulose de 200 milhões de dólares.

Laranja, goiaba e limão
A crise é real, mas, acredite, alguns setores vivem uma explosão de consumo digna dos primeiros tempos do real. Fechados os números do primeiro semestre, a LatinPanel/Ibope constatou que aumentou em 61% a venda de sucos de frutas prontos neste primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado. Um total de 26 milhões de litros.

 

GOVERNO

O lobista da Raytheon
A Raytheon, que desenvolveu o sistema tecnológico do Sivam, contratou o ex–embaixador americano Anthony Harrington para dar uma mãozinha em seus negócios no Brasil.

 

O imortal e o presidente

Oscar Cabral

Coelho: encontro com Putin


Paulo Coelho não pára. Depois de eleito para a Academia Brasileira de Letras, mergulhou em nova e longa temporada européia. Agora, vai ao Kremlin. Na primeira semana de setembro, terá um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin. O que tem Coelho a ver com Putin, um ex–espião da KGB que há dois anos governa a Rússia? Ainda não se sabe. Mas há uma pista: a mulher de Putin é leitora dos livros do neo–acadêmico brasileiro.

 

MINAS GERAIS

Um negócio das Bahamas 1
Bons negócios não são para qualquer um. Veja o caso da desconhecida Solaris Company, uma empresa com sede no paraíso fiscal das Bahamas. Em dezembro passado, o BNDES vendeu, via leilão, uma participação de 2,5% do capital que o governo federal possuía na Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig). Por 1,7 milhão de reais, o preço mínimo, a Solaris arrematou o naco da estatal controlada pelo governo mineiro, responsável pelo gerenciamento do rico subsolo do Estado. Apenas 88 000 reais foram em dinheiro – o restante foi pago com as chamadas "moedas podres". Mas o melhor vem agora: apenas quatro meses depois da compra, a Solaris recebeu da Comig 1,1 milhão de reais a título de dividendos. Ou seja, em apenas quatro meses, teve de volta 65% do capital investido.

Um negócio das Bahamas 2
A Comig, presidida por Henrique Hargreaves, fiel escudeiro de Itamar Franco, lucrou 56 milhões de reais no ano passado. E, para a sorte da Solaris, as jazidas mineiras de nióbio, o mineral de onde saem 90% das receitas da estatal, têm pela frente uma vida útil de 400 anos. É dinheiro garantido para muitas gerações. Por que o governo Itamar não entrou num negócio tão bom? "Perdemos o prazo do leilão", explica Hargreaves.

 

CINEMA

Agora vai?
Depois de um período de chuvas e trovoadas, finalmente Guilherme Fontes conseguiu dinheiro para terminar Chatô. A Petrobras e a BR Distribuidora decidiram pingar um dinheirinho no filme. No total, 1,8 milhão de reais.



 
 


Foto Claudio Rossi


 

   
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