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Edição 1 766 - 28 de agosto de 2002
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Tensão na Itália

Cresce o medo de que o patrimônio
artístico do país vire alvo de terroristas



AFP
O afresco de Bolonha: Maomé
no inferno


A Itália está vivendo sob um medo constante: o de que seus inestimáveis tesouros culturais se transformem em alvos do terrorismo islâmico. Há pouco mais de um mês, um jornal do país confirmou que o grupo fundamentalista Al Qaeda, de Osama bin Laden, havia elaborado um plano para um grande ataque ao Vaticano, sede da Igreja Católica. Na mesma época, veio à tona a informação de que grupos islâmicos da Tunísia e do Marrocos pensavam em destruir a basílica de San Petronio, em Bolonha. Jóia do estilo gótico, ela tem um afresco que mostra o profeta Maomé sendo arrastado por demônios nas profundezas do inferno. Religiosos muçulmanos sempre consideraram essa obra ofensiva e já pediram que ela fosse coberta ou raspada. Na segunda-feira passada, um ato de barbárie pareceu realmente próximo de se concretizar. Cinco homens – quatro marroquinos e um historiador italiano – foram presos na basílica. A polícia desconfiou do grupo ao vê-lo filmando o afresco, pintado no século XV por Giovanni da Modena sob inspiração de uma passagem da Divina Comédia, de Dante Alighieri. No vídeo que os homens gravaram, estava registrada a seguinte frase: "O que Bin Laden fez com as torres é o que precisa ser feito aqui". Logo se levantou a hipótese de uma ligação dos suspeitos com a rede do terrorista saudita. Na quarta-feira, no entanto, um juiz decidiu libertá-los por falta de provas. O alarme pode ter sido falso, mas a tensão continua.


   
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