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Edição 1 766 - 28 de agosto de 2002
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"Meu casamento acabou"

Claudio Rossi


"Tenho certeza de que o principal motivo de minha separação foi o fato de eu ter perdido o desejo sexual. Nos dois primeiros anos de casamento, transávamos pelo menos cinco vezes por semana. Quando engravidei, tudo mudou. Ele passou a me evitar, e eu me senti rejeitada. A situação piorou quando o bebê nasceu e tive depressão pós-parto. Comecei a ter aversão a seus carinhos, a seu toque. Cheguei a procurar um terapeuta sexual. Ele disse que eu precisava colocar mais romantismo na relação. Mas como, se eu não conseguia nem chegar perto de meu marido? Eu me sentia infeliz e culpada. Ele, cada vez mais insatisfeito. O casamento virou um pesadelo. Há um ano estou sozinha e, engraçado, me sinto melhor. Percebo que minha falta de auto-estima pode ter influenciado no problema. Voltei a fazer aulas de dança, a me cuidar, a sair com amigas, e sinto que o desejo está voltando aos poucos. Ainda não estou totalmente recuperada, mas acho que agora é uma questão de tempo."
R.R., 31 anos, empresária

 

"Nem havia reparado"

Rogério Voltan


"No fim do ano passado, comecei a me sentir muito cansado. Faltava ânimo para ir à academia de ginástica e até para trabalhar. Procurei um especialista em medicina esportiva, que constatou que eu estava com 40% a menos de testosterona que o normal e disse que isso deveria estar afetando também minha libido. Fiquei surpreso – não havia reparado nesse detalhe. Depois, pensando melhor, concluí que realmente estava diferente. Apesar de fazer sexo com freqüência, sentia que o desejo já não era o mesmo. Acho que evitava pensar no problema. Fiz o tratamento de reposição de testosterona durante dois meses. Tomei injeções e usei um gel nas pernas e na região das costas. Hoje, me sinto bem mais disposto. Acho que o que causou a queda de testosterona foi puro stress profissional. Levava trabalho para casa, preocupava-me muito se iria conseguir fazer tudo dentro do tempo previsto. Hoje, diminuí o ritmo e estou prestando mais atenção à saúde."
Eduardo Mudalen, 30 anos, advogado

 

"Eu me sentia um vegetal"

Antonio Milena


"Sempre me dei muito bem com as mulheres, mas há pouco mais de um ano passei a notar que tinha algo de errado comigo. Comecei a perder a vontade de fazer sexo com a minha namorada. Via passarem garotas com roupas provocantes e não sentia nada. Chegava a me afastar quando, numa roda de homens, alguém começava a falar da artista que estava nua na capa da revista. Sou divorciado há dez anos e sempre quis reconstruir a vida com outra mulher. Mas ficava imaginando como é que um vegetal como eu poderia satisfazer alguém. Perdi o ânimo de viver. Quando tomei coragem de procurar um médico, descobri que estava com baixa de testosterona. Foi um alívio. Fiz reposição hormonal e em pouco tempo estava me sentindo um menino. Voltei a olhar as mulheres com aqueles olhos, adoro quando elas usam minissaia. Continuo o tratamento e faço questão de segui-lo à risca, para não correr o risco de passar de novo por aquela situação. É um pesadelo."
P.F., 65 anos, empresário

 

"Temi perder meu marido"

Claudio Rossi


"Aos 47 anos, voltei a me casar com o homem de quem havia me separado 25 anos antes. O problema é que isso aconteceu no período em que entrei na menopausa – e ela foi traumática. Tinha enjôos, dores de cabeça e um enorme desânimo. Isso me tirava a vontade de fazer sexo. Ele não reclamava, mas eu percebia que todas as vezes que dizia 'não' ficava frustrado. Foi principalmente por causa disso que resolvi procurar um médico: não queria perder meu marido de novo. Foi a melhor coisa que fiz. Comecei um tratamento à base de reposição de estrógeno e, três meses depois, voltei completamente ao normal. Minha vaidade aumentou, meu desejo voltou, meu marido diz que eu fiquei até melhor que antes. Hoje, quando vou ao cabeleireiro e ouço pessoas reclamarem dos mesmos sintomas que tive, fico agoniada. Sei exatamente como elas estão se sentindo. Acho que toda mulher nessa situação deveria procurar um médico. Nem imaginam a diferença que isso faz na vida da gente."
Maria Pia Finocchio, 57 anos, juíza aposentada

 

Com reportagem de Anna Paula Buchalla
e Rosana Zakabi


   
 

 

O perigo mora na cama
Os sinais mais evidentes, em homens e mulheres, de que o prazer do sexo virou um tormento

Nelas...

...e neles

SENTIR CULPA: a mulher sem desejo fica triste ou mal-humorada durante a relação sexual. Depois, sente remorso pelo que fez e muitas vezes não sabe explicar o motivo para o parceiro.

DORMIR TARDE: o marido assiste à TV durante horas ou vara a madrugada fazendo um suposto e urgentíssimo relatório. Só vai para a cama quando a mulher já está dormindo.

PREOCUPAR-SE EM EXCESSO: mulheres que se angustiam demais, seja porque o filho está doente ou porque levou bronca do chefe, se concentram nos problemas e podem perder a vontade de fazer outras atividades, inclusive sexo.

DISCUTIR COM A PARCEIRA: pouco antes de irem para a cama, o homem lembra de algum episódio sem importância e inicia uma briga com a companheira. Os dois dormem de mau-humor, cada um de um lado.
RECLAMAR DE DORES: doenças genitais, partos malfeitos ou falta de lubrificação vaginal podem fazer com que a mulher sinta dor durante o intercurso. O ato sexual, nesse caso, é associado à idéia de sofrimento. MUDAR O COMPORTAMENTO: o homem sem desejo evita contato físico com a parceira quando começa a chegar a hora de dormir, mesmo que tenha sido carinhoso com ela durante o dia.
FICAR DOENTE: a aversão à idéia de praticar sexo pode ter reflexos reais no organismo da mulher. Diante da perspectiva da relação sexual, muitas têm dores de cabeça, náusea e dores de estômago. FAZER TROCAS: é comum a pessoa substituir o sexo por outras atividades, como sair para beber com amigos ou passar mais horas trabalhando no escritório – não por prazer ou necessidade, mas como fuga.
INVENTAR DESCULPAS: uma forma de a mulher fugir do sexo é dizer que está com sono, cansada ou menstruada. Tudo isso, obviamente, acontece. A repetição constante é que indica o problema. ARRANJAR DESCULPAS: briga com o chefe ou colegas de trabalho, ter de acordar cedo no dia seguinte, cansaço físico e, sim, até as famosas dores de cabeça são pretextos usados para evitar o sexo.
IRRITAR-SE COM FACILIDADE: durante as preliminares, a mulher perde a paciência com pequenos gestos do marido ou namorado. Uma carícia malfeita ou em hora inapropriada pode acarretar discussões e cara feia a noite inteira. RECLAMAR DE TUDO: queixas constantes e persis color="#000000" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> RECLAMAR DE TUDO: queixas constantes e persistentes do trabalho, do relacionamento, da vida que escolheu para si, são indícios de depressão, distúrbio capaz de exterminar o desejo sexual.

 

   
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