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A
vez dos sem-estrelas
Com
diárias baratas, hotéis mais simples
estão lotados, apesar da crise no setor
Rosana
Zakabi
André Penner
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Hotel
Ibis, em São Paulo: serviço enxuto e diária
de
80 reais
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A
hotelaria nacional vive dois momentos completamente opostos. Por um lado,
passa pela maior crise dos últimos cinco anos. Entre os meses de
janeiro e fevereiro, a taxa média de ocupação nos
hotéis brasileiros andou perto dos 50%, quase metade do que era
registrado nos anos anteriores. Por outro lado, nunca se construíram
tantos hotéis. Hoje existem 18.000 meios de hospedagem espalhados
pelo país, 30% mais do que cinco anos atrás, segundo a Associação
Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih). Outros 100 estão
em obras e devem ser inaugurados até o fim de 2003. Grandes redes
internacionais passaram a investir mais no Brasil nos últimos anos,
e prosperam. A maior delas é a francesa Accor, com 119 hotéis
e flats em todo o país. O Formule 1, uma de suas marcas, registra
taxa de ocupação de 97%, mais que o dobro da média
do setor. A ocupação dos hotéis Ibis, também
da rede Accor, varia de 70% a 80%.
| Hotéis
econômicos têm ocupação acima de 70%,
contra 45% dos estabelecimentos
comuns |
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A
explicação para a existência de realidades tão
diferentes está no preço. A nova leva de hotéis é
da categoria em que o serviço enxuto é compensado por diárias
em conta. Um apartamento no Formule 1 de São Paulo custa 49 reais,
valor que pode ser dividido por até três hóspedes.
Esse preço equivale a 25% de uma diária individual em um
cinco-estrelas na mesma região. No Ibis, pagam-se cerca de 80 reais.
O apartamento dos hotéis econômicos é diminuto, com
uma cama, um beliche, televisor, frigobar, ar-condicionado, telefone e
banheiro. Os restaurantes e bares desses estabelecimentos são igualmente
modestos. Há poucos funcionários, e, por isso, geralmente
não se oferece serviço de quarto todo o tempo, como ocorre
nos hotéis tradicionais. Ainda assim, eles são um sucesso
de público. "Hoje em dia o hóspede não está
interessado em luxo, e sim em preço e comodidade", diz Luiz Paulo
Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio
(Embraesp).
O preço mais acessível não se deve apenas à
economia nos serviços e na decoração. Na maior parte
das vezes, a rede apenas administra o negócio, sem pôr nele
um centavo do próprio caixa. O investimento da construção
é feito por incorporadoras. Esse sistema permitiu à empresa
hoteleira americana Atlantica abrir 29 estabelecimentos no Brasil em cinco
anos. Sua meta é inaugurar outros quarenta nos próximos
três anos. "O fato de não participarmos do investimento aumenta
muito nossa velocidade de crescimento", afirma Rafael Guaspari, vice-presidente
de desenvolvimento da Atlantica. Os novos hotéis funcionam como
empreendimentos imobiliários. Da mesma forma que ocorre com os
edifícios residenciais, os incorporadores vendem os apartamentos
antes do lançamento a preços que variam de 50.000 a 70.000
reais. O comprador espera recuperar seu investimento por meio de participação
no lucro do negócio.
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