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Edição 1 766 - 28 de agosto de 2002
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A vez dos sem-estrelas

Com diárias baratas, hotéis mais simples estão lotados, apesar da crise no setor

Rosana Zakabi

 
André Penner

Hotel Ibis, em São Paulo: serviço enxuto e diária
de 80 reais

A hotelaria nacional vive dois momentos completamente opostos. Por um lado, passa pela maior crise dos últimos cinco anos. Entre os meses de janeiro e fevereiro, a taxa média de ocupação nos hotéis brasileiros andou perto dos 50%, quase metade do que era registrado nos anos anteriores. Por outro lado, nunca se construíram tantos hotéis. Hoje existem 18.000 meios de hospedagem espalhados pelo país, 30% mais do que cinco anos atrás, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih). Outros 100 estão em obras e devem ser inaugurados até o fim de 2003. Grandes redes internacionais passaram a investir mais no Brasil nos últimos anos, e prosperam. A maior delas é a francesa Accor, com 119 hotéis e flats em todo o país. O Formule 1, uma de suas marcas, registra taxa de ocupação de 97%, mais que o dobro da média do setor. A ocupação dos hotéis Ibis, também da rede Accor, varia de 70% a 80%.

Hotéis econômicos têm ocupação acima de 70%, contra 45% dos estabelecimentos comuns

A explicação para a existência de realidades tão diferentes está no preço. A nova leva de hotéis é da categoria em que o serviço enxuto é compensado por diárias em conta. Um apartamento no Formule 1 de São Paulo custa 49 reais, valor que pode ser dividido por até três hóspedes. Esse preço equivale a 25% de uma diária individual em um cinco-estrelas na mesma região. No Ibis, pagam-se cerca de 80 reais. O apartamento dos hotéis econômicos é diminuto, com uma cama, um beliche, televisor, frigobar, ar-condicionado, telefone e banheiro. Os restaurantes e bares desses estabelecimentos são igualmente modestos. Há poucos funcionários, e, por isso, geralmente não se oferece serviço de quarto todo o tempo, como ocorre nos hotéis tradicionais. Ainda assim, eles são um sucesso de público. "Hoje em dia o hóspede não está interessado em luxo, e sim em preço e comodidade", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

O preço mais acessível não se deve apenas à economia nos serviços e na decoração. Na maior parte das vezes, a rede apenas administra o negócio, sem pôr nele um centavo do próprio caixa. O investimento da construção é feito por incorporadoras. Esse sistema permitiu à empresa hoteleira americana Atlantica abrir 29 estabelecimentos no Brasil em cinco anos. Sua meta é inaugurar outros quarenta nos próximos três anos. "O fato de não participarmos do investimento aumenta muito nossa velocidade de crescimento", afirma Rafael Guaspari, vice-presidente de desenvolvimento da Atlantica. Os novos hotéis funcionam como empreendimentos imobiliários. Da mesma forma que ocorre com os edifícios residenciais, os incorporadores vendem os apartamentos antes do lançamento a preços que variam de 50.000 a 70.000 reais. O comprador espera recuperar seu investimento por meio de participação no lucro do negócio.

   
 
   
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