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Temporada
de caça
Em
agosto, mês de testes
nas agências, ônibus lotados
de candidatas a modelo
invadem São Paulo
Bel
Moherdaui
Fotos Antonio Milena
 |
| O
caça-talentos Dilson Stein e sua turma de aspirantes: sonho
de ser Gisele |

Veja também |
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Em
pleno sábado de manhã, o homem alto, loiro, todo de preto,
fala a 88 jovens e ansiosos pupilos: "Quando chamarem o elevador para
descer, apertem só o botão de baixo. Para subir, só
o de cima. Quando houver um hóspede no elevador, esperem que ele
saia primeiro para depois entrar". O grupo, compenetrado, acompanha o
curso intensivo sobre como usar elevador no salão de um flat-hotel,
em São Paulo, onde chegou depois de quase vinte horas de ônibus,
todos vindos do interior do Rio Grande do Sul. Nas loiras cabecinhas,
o sonho de virar Gisele Bündchen ou seu equivalente masculino
por obra e graça de quem efetivamente "descobriu" a estrela:
Dilson Stein, 37 anos, empresário e ex-modelo, que há quinze
anos organiza cursos de modelo e acompanha pessoalmente excursões
de jovens gaúchos em busca de uma chance em São Paulo. Na
agenda, passeios nos shoppings, excursões ao Playcenter
"Já fui mais de 65 vezes", resigna-se ele e, ponto alto
do programa, visitas a grandes agências, onde a moçada é
medida, fotografada e entrevistada. Stein chegou a São Paulo no
último dia 16 de avião, que o loiro com pinta de
Miguel Falabella não é de ferro e fica até
3 de setembro. Nesse período, receberá mais seis ônibus,
com cerca de 250 meninas e meninos. Idade média da turma: 14 anos.
Poucos têm chance real de algum dia desfilar ou posar, como o próprio
Dilson enfatiza em sua palestra de chegada,il;ada é
medida, fotografada e entrevistada. Stein chegou a São Paulo no
último dia 16 de avião, que o loiro com pinta de
Miguel Falabella não é de ferro e fica até
3 de setembro. Nesse período, receberá mais seis ônibus,
com cerca de 250 meninas e meninos. Idade média da turma: 14 anos.
Poucos têm chance real de algum dia desfilar ou posar, como o próprio
Dilson enfatiza em sua palestra de chegada, mas a advertência não
desanima ninguém. A cada partida de Horizontina, Ijuí e
outras cidades do interior do Rio Grande do Sul, celeiros de beldades
produzidas pela hoje miscigenada imigração européia,
os ônibus saem lotados.
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| Franciele:
na segunda viagem, 6 centímetros a mais e contrato |
O
empresário, que é casado com uma ex-aluna e tem dois filhos
(o mais velho, de 3 anos, modelo), calcula já ter levado 3.000
jovens para tentar a sorte em São Paulo. Traz na ponta da língua
a receita da plataforma do sucesso para eles ("altura mínima entre
1,80 e 1,90 metro") e para elas ("mínimo: 1,75 metro"). "Tem futuro
a menina que se encaixa no tipo de beleza clássica, loira, olhos
claros, corpo sensual. Também tem espaço, embora menos atualmente,
o tipo diferente, de traços assimétricos e jeito meio andrógino",
ensina. "Já os meninos antigamente tinham de ser raquíticos;
hoje, dá-se preferência a quem tem músculos mais definidos."
Dos seus pupilos, até agora, cerca de 200 viraram modelos, incluindo
alguns nomes conhecidos, como Alessandra Ambrósio, Luize Altenhofen
e, claro, Gisele Bündchen, mantra que repete a cada três palavras.
Em 1994, com as irmãs Gabriela e Patrícia, Gisele foi matriculada
pela mãe no curso de modelo Dilson Stein para corrigir a postura.
Convidada a participar da viagem, a gaúcha de Horizontina, onde
ele também nasceu, passou tanto tempo na Elite Models, em entrevistas
e testes, que acabou perdendo o passeio ao Playcenter. "Nesse dia, ela
me disse: 'Vou ser muito rica e famosa'", conta ele, cheio de orgulho.
Depois de Gisele, o trabalho de Dilson e sua equipe não parou de
crescer e se multiplicar. "Recebo em média 500 e-mails por mês
com fotos de jovens do Brasil todo", contabiliza. Pouco aproveita de tanta
correspondência: o caçador de modelos, por enquanto, só
aponta seu olho clínico para garotas e garotos no Rio Grande do
Sul e algumas regiões do Paraná.
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| A
agente Mônica fotografa uma das candidatas gaúchas: frio na barriga
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Uma
vez por ano, Dilson e equipe montam seu curso de modelo em cerca de cinqüenta
cidades do interior desses dois Estados. Distribuem folhetos, colam cartazes
em escolas, shoppings e clubes. Agora que são conhecidos, contam
com contribuições inesperadas. Celoi Spierk, mãe
de Tabata Aline, 12 anos, integrante da última excursão,
soube do programa pelo pediatra da filha. "Ele me falou que ela é
linda e que eu deveria levá-la ao curso do Dilson", diz. Com quarenta
horas de aula, ao preço de 200 reais, o curso ensina desde andar
na passarela até se portar em um jantar formal. De cada grupo de
em média 100 alunos, uns 10% são convidados a fazer a excursão
a São Paulo (700 reais, fora almoço e jantar). Todos os
passageiros dos ônibus comandados por Dilson vêm de cidades
pequenas ou da zona rural. A viagem, naturalmente, vira uma aventura.
"Quando vi que minha hora estava chegando, deu um frio na barriga", conta
o estudante Marcelo Engers Schneiders, 19 anos, depois de mais de duas
horas na fila para ser entrevistado pela poderosa Mônica Monteiro,
empresária de Gisele e representante da agência IMG. Tarimbada,
Mônica procura pôr a meninada à vontade. "São
todos muito jovens e têm uma expectativa muito grande", afirma.
Jovens mesmo: a caçula do primeiro ônibus dessa temporada,
Tamila Rodrigues, tem 10 anos. "Quero aparecer na televisão", diz
ela. Cuidados com a beleza? "Passo cremes na pele todo dia." Tamila está
sob observação. A loirinha Franciele Kaspary Johann, de
Santa Rosa "a cidade da Xuxa", lembra , já passou
por essa fase. Sua primeira vez em São Paulo foi no início
de 2001. Tinha 12 anos e 1,64 metro. Entrou para uma lista de meninas
com potencial, que as agências acompanham passo a passo. Desta vez,
com 14 anos e 1,70 de altura, foi aprovada. "Eu poderia ficar desde já,
mas perderia o ano na escola. Venho em dezembro ou janeiro", antecipa,
sorriso estampado no rosto. Deu sorte. Dessa fornada de 21 meninos e 67
meninas, apenas quinze foram convidados a voltar para ficar.
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A
VITÓRIA DO EXÓTICO
Tiago Queiroz
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| Ingrid:
de João Pessoa, na Paraíba, para a final mundial
na Tunísia |
Contrariando quem diz que o visual não convencional está
ultrapassado no cambiante mundo das passarelas, a paraibana Ingrid
Kelly Feitosa, 16 anos, morena de olhos azuis bem puxados no rosto
de traços indígenas, magérrima, ar andrógino,
venceu na semana passada a final brasileira do concorridíssimo
concurso de modelos da agência Elite (60 000 inscrições
neste ano, 40% a mais que em 2001). Filha de motorista, Ingrid trabalha
há dois anos como modelo em João Pessoa, onde nasceu.
Mede 1,80 metro, pesa 53 quilos e come "de tudo". "Ela tem um rosto
exótico, bem brasileiro", resume Adriana Leite, diretora
do concurso. Pelo sim, pelo não, na final mundial, na Tunísia,
Ingrid estará acompanhada da segunda colocada, a mineira
Giovana Cornacchia, 14 anos, loira, olhos azuis e um arzinho, assim,
meio Gisele.
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