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A
verdade por apenas
270 reais?
Detectores
de mentira portáteis
que captam microtremores na
voz têm taxa de acerto de 50%
AFP
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| O
detector de mentira da Sega: mede apenas variações no
tom de voz |
Erguido sobre burlas bem escondidas e verdades escamoteadas, o mundo civilizado
nunca mais será o mesmo se ficar provado que os aparelhos da nova
geração de detectores de mentira portáteis funcionam
corretamente. Eles têm o mesmo tamanho de um toca-MP3 e custam bem
menos, cerca de 90 dólares (270 reais). Seus fabricantes asseguram
que esses aparelhos apresentam taxa de precisão em torno de 80%.
Analisando apenas a voz de uma pessoa, os pequenos equipamentos digitais
seriam capazes de acertar oito em cada dez vezes se o que está
sendo dito é mentira ou verdade. A japonesa Sega Toys, tradicional
fabricante de videogames, popularizou um detector portátil chamado
Dokitto-Voice, que promete 82% de acerto. O aparelho da Sega pode também
ser acoplado ao telefone. A concorrente coreana 911 Tech Company produz
o Handy Truster, algo como "certificador portátil", que teria uma
taxa de acerto de 84%. Os especialistas duvidam da exatidão dos
detectores portáteis, o que não tem impedido os fabricantes
de ser inundados de pedidos de companhias de seguros, esposas e agentes
de segurança, particularmente nos Estados Unidos.
Há uma boa razão para suspeitar que os detectores digitais
miniaturizados não funcionem tão bem quanto se alega. Nunca
se provou cientificamente que seus antecessores tecnológicos, os
polígrafos máquinas do tamanho de um aparelho de
fax , produzem um resultado confiável sobre se alguém
está falando a verdade. Os polígrafos medem a pressão
sanguínea, os batimentos cardíacos e a transpiração.
Os analistas interpretam então os dados e determinam se a pessoa
que passou pelo teste está mentindo. No Brasil e nos Estados Unidos,
os tribunais não aceitam nos julgamentos resultados de detectores
de mentira como prova. As empresas americanas foram proibidas pela Suprema
Corte de submeter seus empregados a testes dessa natureza, embora ela
tenha autorizado o governo a fazê-lo com seus funcionários.
"Os polígrafos são falhos justamente porque não avaliam
a voz", diz Shaed Khan, especialista da loja Counter Spy, uma rede americana
que vende todo tipo de aparelho de escuta e espionagem.
Reuters
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| Os
antigos polígrafos, ou "máquinas da verdade": pulsação, pressão e
transpiração |
Os aparelhos portáteis da Sega e da 911 Tech Company propõem-se
a detectar tremores na voz, que seriam indicativos de que alguém
está mentindo. O Handy Truster mostra uma maçã no
visor digital quando julga que a pessoa está falando a verdade.
Quando a conclusão é que se trata de uma mentira, o aparelho
exibe na tela uma pequena minhoca serpenteando. O detector da Sega dá
um resultado numérico que varia de 1 a 5, sendo a leitura maior
indicativa de mentira e a menor, de verdade. O Departamento de Defesa
dos Estados Unidos estuda a ampla distribuição desses equipamentos
entre seus agentes, e testou-os em laboratório usando um truque
engenhoso. Os técnicos pediram a voluntários que pegassem
uma cédula de 50 dólares numa gaveta. Em seguida, solicitaram
que tentassem convencer um entrevistador equipado com um detector de mentira
portátil de que não tinham pego o dinheiro. O sistema mostrou-se
eficaz em 52% dos casos.
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