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Edição 1 766 - 28 de agosto de 2002
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A verdade por apenas
270 reais?

Detectores de mentira portáteis
que captam microtremores na
voz têm taxa de acerto de 50%


AFP
O detector de mentira da Sega: mede apenas variações no tom de voz


Erguido sobre burlas bem escondidas e verdades escamoteadas, o mundo civilizado nunca mais será o mesmo se ficar provado que os aparelhos da nova geração de detectores de mentira portáteis funcionam corretamente. Eles têm o mesmo tamanho de um toca-MP3 e custam bem menos, cerca de 90 dólares (270 reais). Seus fabricantes asseguram que esses aparelhos apresentam taxa de precisão em torno de 80%. Analisando apenas a voz de uma pessoa, os pequenos equipamentos digitais seriam capazes de acertar oito em cada dez vezes se o que está sendo dito é mentira ou verdade. A japonesa Sega Toys, tradicional fabricante de videogames, popularizou um detector portátil chamado Dokitto-Voice, que promete 82% de acerto. O aparelho da Sega pode também ser acoplado ao telefone. A concorrente coreana 911 Tech Company produz o Handy Truster, algo como "certificador portátil", que teria uma taxa de acerto de 84%. Os especialistas duvidam da exatidão dos detectores portáteis, o que não tem impedido os fabricantes de ser inundados de pedidos de companhias de seguros, esposas e agentes de segurança, particularmente nos Estados Unidos.

Há uma boa razão para suspeitar que os detectores digitais miniaturizados não funcionem tão bem quanto se alega. Nunca se provou cientificamente que seus antecessores tecnológicos, os polígrafos – máquinas do tamanho de um aparelho de fax –, produzem um resultado confiável sobre se alguém está falando a verdade. Os polígrafos medem a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos e a transpiração. Os analistas interpretam então os dados e determinam se a pessoa que passou pelo teste está mentindo. No Brasil e nos Estados Unidos, os tribunais não aceitam nos julgamentos resultados de detectores de mentira como prova. As empresas americanas foram proibidas pela Suprema Corte de submeter seus empregados a testes dessa natureza, embora ela tenha autorizado o governo a fazê-lo com seus funcionários. "Os polígrafos são falhos justamente porque não avaliam a voz", diz Shaed Khan, especialista da loja Counter Spy, uma rede americana que vende todo tipo de aparelho de escuta e espionagem.


Reuters
Os antigos polígrafos, ou "máquinas da verdade": pulsação, pressão e transpiração


Os aparelhos portáteis da Sega e da 911 Tech Company propõem-se a detectar tremores na voz, que seriam indicativos de que alguém está mentindo. O Handy Truster mostra uma maçã no visor digital quando julga que a pessoa está falando a verdade. Quando a conclusão é que se trata de uma mentira, o aparelho exibe na tela uma pequena minhoca serpenteando. O detector da Sega dá um resultado numérico que varia de 1 a 5, sendo a leitura maior indicativa de mentira e a menor, de verdade. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos estuda a ampla distribuição desses equipamentos entre seus agentes, e testou-os em laboratório usando um truque engenhoso. Os técnicos pediram a voluntários que pegassem uma cédula de 50 dólares numa gaveta. Em seguida, solicitaram que tentassem convencer um entrevistador equipado com um detector de mentira portátil de que não tinham pego o dinheiro. O sistema mostrou-se eficaz em 52% dos casos.


   
 
   
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