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Tasso,
Kaká e Scheinkman
O
que muda na campanha de
Ciro Gomes com a chegada oficial
de Tasso Jereissati
Jarbas Oliveira/Folha Imagem
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| Ciro,
ao lado de Tasso: interlocução mais cuidadosa no meio empresarial |

Veja também |
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Dependendo
do resultado das urnas, o gesto político praticado na semana passada
pelo ex-governador Tasso Jereissati poderá ser classificado como
"brilhante", "próprio de um líder com visão de futuro"
ou como "precipitado", "típico de uma liderança regional
sem visão do conjunto do país". O gesto de Tasso é
uma carta com 36 linhas endereçada à direção
nacional do PSDB em que o cacique anuncia a decisão de não
mais apoiar o candidato José Serra à Presidência,
mas sim Ciro Gomes. "Devo ressaltar a admiração e o respeito
que tenho pelo senador José Serra, por sua história e determinação",
escreveu Tasso. "Porém, como todos sabem, enfrento a contingência
do quadro político local. Em minha história de lutas pelo
Ceará, sempre tive Ciro Gomes como natural aliado." O texto pode
dar a entender que Tasso mudou de lado, mas ninguém pode acusá-lo
de ter feito isso. Ele permanece exatamente onde sempre esteve
ao lado de Ciro desde que seu próprio nome foi rejeitado
como candidato tucano à Presidência. Na carta, Tasso avisa
que apoiará Ciro no Estado do Ceará, onde é candidato
ao Senado Federal e, segundo as pesquisas, tem quase 80% das intenções
de voto. Mas essa afirmação deve ser tomada como uma mentirola
de campanha. Tasso se firma, desde já, como o grande estrategista
da campanha de Ciro.
Na semana passada, o dedo de Tasso estava por trás da fotografia
que mostra os jogadores Kaká e Cafu, estrelas da seleção
pentacampeã de futebol, e o técnico Luiz Felipe Scolari
presenteando Ciro com uma camisa autografada pelos atletas. A cena só
foi possível graças ao relacionamento especial entre Tasso
e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo
Teixeira. Amigos de infância, os dois combinaram que a primeira
partida de exibição da seleção após
a conquista do penta seria realizada no Ceará. E que, na oportunidade,
dariam um jeito de homenagear Ciro, ainda que de forma improvisada e com
a participação de poucos jogadores. Para contornar acusações
de exploração política do time, descartou-se qualquer
manifestação no gramado. Por sugestão de Tasso, optou-se
por uma visita feita por Ciro ao hotel em que se hospedaram os jogadores.
Foi lá que o presidenciável recebeu a camisa 23, número
de Kaká na seleção e número do partido de
Ciro, o PPS. No dia seguinte, a imagem apareceu estampada na primeira
página dos principais jornais brasileiros e gerou cenas para o
programa eleitoral. A festa só não foi perfeita porque o
Brasil perdeu a partida de exibição para o Paraguai, por
1 a zero.
A camisa da seleção foi uma ação de Tasso
no terreno da propaganda, mas a maior contribuição do ex-governador
até agora não tem visibilidade eleitoral mensurável.
Trata-se da adesão à campanha de Ciro de José Alexandre
Scheinkman. Economista e professor universitário brasileiro de
maior projeção profissional no exterior, Scheinkman dá
aula na Universidade Princeton, nos Estados Unidos. Antes, dirigiu o departamento
de economia da Universidade de Chicago, centro de estudos que mais gerou
prêmios Nobel da área em todo o mundo. Scheinkman chefiava
o departamento em que batiam ponto alguns monstros renomados, como os
prêmios Nobel Robert Lucas Jr, Merton Miller e Gary Becker. Para
atraí-lo para a campanha, Tasso pediu ajuda ao empresário
Carlos Alberto Sicupira, sócio da GP Investimentos, das Lojas Americanas
e da AmBev, quarta maior cervejaria do mundo. Além de todos esses
negócios, Sicupira é sócio do irmão de Tasso,
Carlos Jereissati, na empresa de telefonia Telemar. A convite de Sicupira,
Scheinkman aceitou reunir-se com Ciro. Após um encontro que durou
nove horas, o economista acabou concordando em integrar o time.
Marisa Cauduro/Fotsite/Valor
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Moreira Mariz
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| Scheinkman
e Freire: críticas do velho aliado ao recém-chegado |
Fora
do Ceará, o ingresso oficial de Tasso na campanha de Ciro possivelmente
não vai atrair um único voto que o presidenciável
não pudesse conseguir sem essa ajuda. O diferencial de Tasso é
seu trânsito entre uma fatia significativa do empresariado, relacionamento
que deve ser explorado com mais intensidade de agora em diante. Nos primeiros
contatos que já teve, Tasso notou que boa parte dos empresários
não se sente segura para votar em Ciro. "Precisamos reforçar
a interlocução", disse o ex-governador a Ciro, num encontro
que os dois tiveram em Fortaleza na semana passada. De acordo com o relato
feito a Ciro por Tasso, no mínimo quatro grandes nomes do mundo
dos negócios demonstraram simpatia ao ser sondados em busca de
apoio. Pelo menos um deles é do ramo financeiro, mais precisamente
um banqueiro. A idéia de Tasso é montar um cinturão
de empresários que dê sustentação qualitativa
à candidatura. Faz parte do projeto organizar o anúncio
da adesão em bloco.
A movimentação de Tasso já produziu um primeiro mal-estar
na campanha. Ele partiu do senador Roberto Freire, do PPS, inconformado
com a chegada do liberal Scheinkman. "Quero um Estado com capacidade de
regular mercado, e ele, um Estado que não tenha nenhuma capacidade
de nada", afirmou Freire, que aproveitou uma palestra em universidade
para falar que o crescimento de Ciro nas pesquisas "trouxe esses ACMs
da vida. Outros gabirus ainda virão". Ciro, que já teve
uma conversa com Freire a respeito da necessidade de convívio dos
contrários, desistiu. "O problema é que Freire não
quer apenas ganhar a eleição. Ele quer escolher com quem
vai ganhar", comentou Tasso com um amigo. "Mas Freire é problema
do Ciro. Não tenho mais idade para esse tipo de discussão."
Aos 53 anos, Tasso gosta de responsabilizar a política pelo tempo
que deixou de estar com os quatro filhos. Mas sua mulher, Renata, rebate
dizendo que o marido optou por essa vida e nada o faz parar. Nem mesmo
os problemas de saúde que enfrentou. Quando tinha 37 anos, o ex-governador
colocou uma ponte de safena e duas de mamária. Há dois anos,
teve uma isquemia leve e controla a pressão e a taxa de colesterol
com a ajuda de medicamentos. Por ordem do médico, deveria cumprir
uma programação diária de ginástica, mas só
é capaz de fazê-la de vez em quando. No momento, sua única
preocupação diária é tentar aniquilar a ala
paulista do PSDB. Sua carta é a primeira fissura visível
na estrutura de um partido criado há catorze anos como dissidência
do PMDB. O PSDB tinha quatro grandes caciques. Um deles, Fernando Henrique,
está deixando a Presidência. O outro, Mário Covas,
morreu. Os dois restantes, José Serra e Tasso Jereissati, sempre
se trataram de forma respeitosa mas distante. Nunca pertenceram ao mesmo
círculo de amizades. Se o projeto Ciro der certo e o presidenciável
se eleger, o tucanato paulista, atualmente bem representado, diminuirá
muito seu peso relativo na política. No caso de vitória
de Serra, pode-se afirmar que tucano, no Ceará, será uma
espécie em extinção.
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