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Qual deles está
certo?
Institutos
de pesquisa apresentam
dados divergentes e levantam
polêmica sobre seus métodos
Ronaldo França
Claudio Rossi
 |
| Escritório
da empresa Voz Comunicação: levantamento é feito pelo telefone |

Veja também |
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Os institutos
de pesquisa costumam divergir quanto aos números de cada candidato
à Presidência da República, o que não tem nada
de anormal, pois cada um trabalha com metodologia própria e com a
própria base de amostras. Mas, apesar da divergência de números,
os institutos, em geral, detectam a mesma tendência de desempenho
dos candidatos se o presidenciável está estacionado,
caindo ou subindo na preferência do eleitorado. Na semana passada,
deu-se uma discrepância intrigante. Os três institutos mais
importantes do país divulgaram novos levantamentos e, surpreendentemente,
não divergiram apenas nos números, mas também na tendência.
De acordo com as pesquisas do Ibope e do Datafolha, Ciro Gomes, do PPS,
experimentou uma leve queda, ficando de 9 a 10 pontos atrás do petista
Luís Inácio Lula da Silva. Já o Vox Populi encontrou
outra realidade. Em seu levantamento, Ciro manteve a trajetória de
crescimento e já aparece tecnicamente empatado com Lula em primeiro
lugar, com diferença de apenas 3 pontos. Como é possível
que um instituto informe que um candidato está caindo e outro diga
precisamente o contrário?
"O objeto
da pesquisa é o mesmo: a intenção de voto do brasileiro.
Assim, a diferença de metodologia não pode explicar resultados
tão diferentes", afirma o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
"Não se pode esquecer que o Vox Populi tem um grande contrato de
pesquisa com a campanha de Ciro Gomes", acrescentou ele, fazendo questão
de ressaltar que não estava afirmando que seu concorrente manipulara
a pesquisa. O sociólogo Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi,
confirma o contrato com a campanha de Ciro, que, aliás, é
público, mas informa que, até o momento, não tem
meios de apontar as razões de resultados conflitantes. "Não
há como avaliar o resultado de uma pesquisa tomando como base apenas
outra pesquisa. Simplesmente não sabemos o que aconteceu", afirma.
Como pesquisas são sempre a fotografia de um momento específico,
o fato de ser feitas em dias diferentes poderia explicar alguma discrepância
de números, ou até mesmo da tendência. Mas, para a
agravar a contradição da semana passada, os pesquisadores
do Datafolha e do Vox saíram às ruas para entrevistar eleitores
exatamente nos mesmos dias, entre 15 e 16 de agosto. "O mais plausível
é que esse erro esteja dentro do intervalo de confiança",
especula Marcos Coimbra. "Intervalo de confiança" é o nome
que se dá à probabilidade estatística de uma pesquisa
estar correta. O padrão internacional aceitável é
de que se acerte em 95% dos casos. Isso quer dizer que, de cada 100 pesquisas
feitas nos mesmos dias, nos mesmos lugares e com número idêntico
de pessoas, 95 tendem a apresentar resultados muito semelhantes. Em 5%
dos casos, pode ocorrer o que se viu na semana passada.
Entre os
principais institutos brasileiros, aplicam-se metodologias diferentes.
O Ibope e o Vox Populi, por exemplo, entrevistam os eleitores em casa,
e não na rua. Uma das vantagens é que, no caso de uma auditoria,
o entrevistado pode ser encontrado em seu endereço. "Acreditamos
também que as pessoas respondem com mais rigor quando estão
em casa", afirma Ricardo Guedes, diretor-geral do Sensus, o instituto
mais jovem entre os maiores, fundado em 1987. O Datafolha trabalha com
outra metodologia. Faz entrevistas em pontos predeterminados das ruas
das cidades. O instituto tem um banco com 30.000
pontos de coleta de dados e estudos que mostram o perfil mais comum das
pessoas que circulam por eles. "A principal vantagem dessa forma de abordagem
é o fato de ser cada vez mais difícil o acesso a edifícios
e condomínios de classe média", afirma Mauro Paulino, do
Datafolha. Com esse método, o Datafolha também ganha em
agilidade, pois consegue fazer um alto número de entrevistas num
único dia.
Antonio Milena
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| Pesquisadoras
do Datafolha em ação: entrevistas nas ruas |
O segredo de uma pesquisa, no entanto, concentra-se muito mais no que
os especialistas chamam de "base da amostra". Ou seja: para que uma pesquisa
seja um reflexo seguro do pensamento geral da população,
o instituto precisa entrevistar um grupo de pessoas em geral, o
número varia entre 2 000 e 3 000 que componha um microrretrato
da sociedade brasileira. Nele, é preciso que o número de
mulheres e homens, ricos e pobres, velhos e jovens apareça na mesma
proporção da realidade. O problema é que, para montar
uma amostra correta, é necessário conhecer o perfil exato
da sociedade, e isso nem sempre é uma tarefa simples, devido à
histórica carência estatística do Brasil. Os censos
elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) são o mais vasto e minucioso retrato do Brasil, mas os levantamentos
são realizados de dez em dez anos, período durante o qual
o perfil da população sofre alterações significativas.
"Temos de nos desdobrar quando a eleição ocorre muito distante
do último censo do IBGE", diz Márcia Cavallari, diretora
do Ibope.
Nesta eleição,
esse problema não incomoda, pois o censo mais recente foi feito
em 2000. Como se passaram apenas dois anos, o perfil da população
ficou praticamente inalterado. "Nesse aspecto, é o melhor momento
para os institutos, se compararmos com as três últimas eleições",
afirma Marcos Coimbra, do Vox Populi. Em 1989, quando se realizou a primeira
eleição direta do período pós-ditadura, o
trabalho foi árduo, pois o último censo disponível
datava do início da década. Seus dados, portanto, estavam
muito defasados para compor uma base amostral confiável. A estréia
de pesquisas eleitorais no Brasil ocorreu em 1945, quando o Ibope, instituto
criado havia apenas três anos, quis saber que candidato à
Presidência da República estava mais bem cotado entre o eleitorado.
A pesquisa, publicada no extinto jornal Diário da Noite,
cravou que o brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da UDN, venceria. Deu
o contrário. O general Eurico Gaspar Dutra, do PSD, saiu vitorioso,
com 55% dos votos. O principal erro foi atribuído justamente a
uma distorção na base da amostra. O Ibope ouviu um número
expressivo de eleitores, 1 000 pessoas, mas se limitou a fazer entrevistas
na cidade de São Paulo, sem incluir sondagens em outros pontos
do Brasil. O candidato derrotado, realmente, era o mais popular na cidade
de São Paulo, mas não o era no resto do país.
Claudio Rossi
 |
| Aula
para funcionários do Ibope: entrevistas na casa dos eleitores |
Na atual eleição, as pesquisas têm estado no centro
das atenções, mesmo porque em nenhum outro pleito esse recurso
foi tão amplamente utilizado. Na última eleição
presidencial, ocorrida em 1998, o Vox Populi, por exemplo, fez vinte rodadas
de intenção de voto durante toda a campanha. Nesta eleição,
de jans eleitores
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