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Diogo
para presidente
"O
Brasil deveria espelhar-se no bom
senso de índios e
turcos e se ajoelhar
diante
dos Estados Unidos. Não há
nada de mau em fazer isso diante
de uma civilização superior"
Os candidatos concordam que o Brasil não deve "acovardar-se". Não
deve cair "de joelhos". Não deve tornar-se "uma província
dos Estados Unidos". Se os candidatos concordam num ponto, significa que
ele está intrinsecamente errado. De fato, não há
nada de mau em acovardar-se e cair de joelhos diante de uma civilização
superior. Foi o que fizeram nossos índios, quando encontraram os
primeiros europeus. E foi o que acabou de fazer a Turquia, a qual, na
esperança de ser aceita pela União Européia, aceitou
as imposições de abolir a pena de morte e ampliar os direitos
da minoria curda. O Brasil deveria espelhar-se no bom senso de índios
e turcos e se ajoelhar diante dos Estados Unidos, implorando a eles que
dotem a Alca de mecanismos semelhantes aos do Plano Marshall e dolarizem
a economia continental no prazo máximo de cinco anos.
Os candidatos prometem adotar uma política de "substituição
de importados". É o velho engodo da Lei de Informática,
que pretendia incentivar a indústria nacional, mas só teve
o efeito de deixar o país na idade da pedra dos computadores. Em
vez de tentar substituir os importados, o Brasil deveria fazer uma agressiva
política de importações, com o objetivo de se modernizar
e desestimular a indústria nacional a investir em setores nos quais
não é competitiva internacionalmente. A maior chance de
nossa economia é se especializar em segmentos de mercado em que
pode crescer sem recorrer a desvalorizações da moeda ou
benefícios fiscais. Lula oferece dois exemplos de substituição
de importados: os aviões da FAB e as plataformas da Petrobras.
Muito melhor, a meu ver, seria cortar os gastos militares e privatizar
a Petrobras, que, se fosse uma empresa privada, o Brasil já seria
auto-suficiente em petróleo há mais de vinte anos.
Os candidatos também repetem que é indispensável
fazer uma reforma agrária, que deveria ter sido feita muito tempo
atrás. Como o México, que fez a sua nos anos 30. Ou a Coréia
do Sul, nos anos 40. Ou a Itália, nos anos 50. Agora ficou tarde.
É melhor esquecê-la. A reforma agrária se tornou um
instrumento arcaico, contraproducente. O Brasil precisa de uma agricultura
de larga escala, mecanizada e exportadora, não de culturas de subsistência.
Nesse sentido, o governo deveria limitar-se a decuplicar os impostos sobre
terras improdutivas. Os candidatos conseguem seduzir a classe média
com o argumento preconceituoso de que a reforma agrária pode contribuir
a fixar os brasileiros no campo, impedindo que as massas de miseráveis
migrem para as cidades. Só que o problema do país não
é o excesso de migrantes, e sim a falta de cidades. Mais de 30%
das cidades brasileiras não têm bancos, e mais de 90% não
possuem cinemas. Ou seja, não são realmente cidades, mas
meros currais eleitorais. O Brasil necessitaria de uma reforma urbana,
não de mais hortas de feijão. A urbanização
é a única garantia de empregos e mobilidade social.
A cultura é vista pelos candidatos como meio de inclusão
social. Pois eu acho que cultura não é assunto para governo.
A tal propósito, eu começaria privatizando as TVs públicas.
Assim como privatizaria o ensino superior, a Previdência e o Banco
do Brasil. Também tenho interessantes projetos para a área
da segurança. Maiores detalhes na semana que vem. Enquanto isso,
cante comigo (em ritmo de forró): Diogo Mainardi para presidente!
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