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O
presidente e os mercados
Ed Ferreira/AE
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| Fernando
Henrique no Uruguai: "Dissonância cognitiva" |
É crescente a irritação de Fernando Henrique Cardoso
com a irracionalidade dos mercados financeiros. Em visita ao Uruguai, na
semana passada, o presidente brasileiro disse que as instituições
financiadoras internacionais e as agências de avaliação
de risco sofrem de "dissonância cognitiva" em relação
à realidade brasileira. FHC deu publicidade a uma série de
números favoráveis sobre a economia real e as finanças
públicas do país, cuja análise isenta, segundo o presidente,
só poderia conduzir a um diagnóstico positivo sobre o Brasil.
O que se vêem, no entanto, são avaliações desastrosas
vindas de fora igualando a 11ª economia do mundo à de nações
de padrão africano. Essas avaliações trazem como conseqüência
nefasta imediata o estrangulamento do crédito externo às empresas
brasileiras "como nunca se viu, nem mesmo no período da moratória
da dívida externa nos anos 80", como lembrou o presidente.
A irritação de FHC certamente é compartilhada por
todos os brasileiros. A seqüência de crises de origem externa
que se abateram sobre o Brasil nos últimos anos desafia as almas
mais pacientes. A que agora nos angustia tem nas eleições
presidenciais que se aproximam um de seus componentes. O fator mais significativo,
porém, é a dramática mudança para pior do
ambiente externo. Abalados pela quebra da Argentina, pela revelação
de escândalos corporativos e pela lenta recuperação
da economia americana, os investidores estrangeiros estão alérgicos
ao risco. Preferem ver seu dinheiro em segurança, remunerado com
apenas 1% ao ano nos Estados Unidos, a, na percepção deles,
correr riscos para ganhar dez vezes mais nos mercados financeiros latino-americanos.
Simplesmente, não existe agora interesse dos investidores em colocar
dinheiro nos países emergentes. Até o sacrossanto investimento
direto, do qual o Brasil abocanhou 145 bilhões de dólares
de 1996 a 2001, não está chegando no mesmo volume. No ano
passado, os países ricos cortaram quase pela metade seus investimentos
globais. Até que a fonte externa volte a jorrar, o Brasil passará
apertos.
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