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VEJA Recomenda
DVDs Rastros de Ódio (The Searchers,
Estados Unidos, 1956. Warner) Já se escreveu mais sobre Rastros
de Ódio do que sobre qualquer outro western (ou todos os outros westerns
juntos). As razões: o diretor John Ford e o astro John Wayne estavam não
apenas em seus ápices individuais, mas no instante mais afinado de sua
longa parceria. O filme aqui em edição restaurada, com excelentes
extras é de uma beleza ímpar na forma como conjuga a vastidão
de suas paisagens desérticas com a aridez interior do protagonista Ethan
Edwards, obcecado por encontrar a sobrinha (Natalie Wood) raptada anos antes por
índios. E, acima de tudo, ele propõe um debate para o qual não
parece haver solução: Ethan é inequivocamente racista. Mas
o filme endossa sua posição ou a denuncia? É para ver, rever,
ver mais uma vez e não se cansar nunca. A
Dama de Honra (La Demoiselle d'Honeur, França/ Alemanha/ Itália,
2004. Imagem) O diretor francês Claude Chabrol, de 76 anos, trabalha
o tempo todo, e não erra nunca. Mais uma vez adaptando um romance da inglesa
Ruth Rendell (como em Mulheres Diabólicas), ele trata da paixão
fulminante entre Phillipe (Benoît Magimel), um rapaz sério, e Senta
(Laura Smet), dama de honra no casamento de sua irmã. Senta é cheia
de histórias e de idéias estranhas, que Phillipe credita ao seu
excesso de imaginação. Ela acha que ele está aquiescendo,
e segue adiante com suas fantasias que talvez sejam mais concretas do que
aparentam. Como sempre num bom Chabrol, o que está em jogo aqui é
a natureza espontânea da obsessão e do mal. Um recado para a distribuidora,
porém: impedir que se pulem os trailers é desrespeito para com o
espectador. DISCOS Broken
Boy Soldiers, The Raconteurs (Sum) O quarteto foi anunciado como
o primeiro supergrupo da história do rock alternativo dos Estados Unidos.
Ele reúne Jack White, cantor e guitarrista do White Stripes, e Brendan
Benson, artista de bastante prestígio entre a crítica americana,
além de dois coadjuvantes de luxo o baixista e o baterista da banda
Greenhorns. O resultado soa como um White Stripes bem tocado (e quem ouviu Meg
White, parceira de Jack na banda, sabe quão ruim um instrumentista pode
ser). Broken Boy Soldiers é uma boa coleção de blues
e faixas de acento country, nas quais Jack exercita sua habilidade em imitar o
Led Zeppelin. Ele se apropria dos riffs de guitarra de Jimmy Page e emula os agudinhos
do cantor Robert Plant em Blue Veins e na canção que dá
título ao álbum. Show
Your Bones, Yeah Yeah Yeahs (Universal) Ao lado do quinteto The
Strokes, esse trio faz parte da nova geração de roqueiros nova-iorquinos.
Seu trunfo é a cantora e letrista Karen O, alçada à condição
de símbolo sexual depois de estrelar o comercial de uma badalada marca
de tênis. Karen é uma espécie de versão rejuvenescida
de Siouxsie Sioux, a primeira-dama do punk inglês nos anos 70, e o novo
CD funciona como continuação do seu disco de estréia: se
no excelente Fever to Tell ela falava de relacionamentos amorosos, Show
Your Bones revela que os romances terminaram da pior maneira possível,
num festival de brigas e separações devidamente sublinhado pela
guitarra cheia de efeitos de Nick Zinner.
LIVROS As
Memórias de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle (tradução
de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar Editor; 432 páginas; 89,50
reais) O volume reúne doze contos que o escocês Conan Doyle
(1859-1930) publicou originalmente na revista Strand. No último
deles, O Problema Final, de 1893, Sherlock Holmes morre em um embate com
seu grande inimigo, professor Moriarty o "Napoleão do crime". A
morte do detetive gerou imensos protestos entre os leitores. Doyle ressuscitaria
seu grande personagem em um conto de 1902. A presente edição traz
notas históricas do estudioso "sherlockiano" Leslie Klinger, que esclarecem
os detalhes históricos e culturais dos contos, e ilustrações
originais da revista Strand. Leia
trecho. Paul
Jawthorne/AP
 |  | | Alice
Munro: mulheres em busca de uma saída | |
Fugitiva,
de Alice Munro (tradução de Sergio Flaksman; Companhia das Letras;
392 páginas; 45 reais) O escritor americano Jonathan Franzen, autor
de As Correções, certa vez disse que Alice Munro é
"a melhor escritora de ficção em atividade na América do
Norte". É claro que há um tanto de exagero na afirmação
mas a autora canadense de fato conhece seu ofício. Os oito contos
de Fugitiva traçam vigorosos perfis de mulheres que tragicamente
não conseguem se liberar de um cotidiano limitador e mesquinho. No belo
conto-título, por exemplo, a protagonista, Carla, arrisca abandonar Clark,
o marido turrão e medíocre, mas no meio da fuga perde a coragem
e dá meia-volta só para descobrir que Clark é ainda
mais cruel e dissimulado do que ela poderia imaginar. Leia
trecho. |