Edição 1962 . 28 de junho de 2006

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DVDs

Rastros de Ódio (The Searchers, Estados Unidos, 1956. Warner) – Já se escreveu mais sobre Rastros de Ódio do que sobre qualquer outro western (ou todos os outros westerns juntos). As razões: o diretor John Ford e o astro John Wayne estavam não apenas em seus ápices individuais, mas no instante mais afinado de sua longa parceria. O filme – aqui em edição restaurada, com excelentes extras – é de uma beleza ímpar na forma como conjuga a vastidão de suas paisagens desérticas com a aridez interior do protagonista Ethan Edwards, obcecado por encontrar a sobrinha (Natalie Wood) raptada anos antes por índios. E, acima de tudo, ele propõe um debate para o qual não parece haver solução: Ethan é inequivocamente racista. Mas o filme endossa sua posição ou a denuncia? É para ver, rever, ver mais uma vez – e não se cansar nunca.

A Dama de Honra (La Demoiselle d'Honeur, França/ Alemanha/ Itália, 2004. Imagem) – O diretor francês Claude Chabrol, de 76 anos, trabalha o tempo todo, e não erra nunca. Mais uma vez adaptando um romance da inglesa Ruth Rendell (como em Mulheres Diabólicas), ele trata da paixão fulminante entre Phillipe (Benoît Magimel), um rapaz sério, e Senta (Laura Smet), dama de honra no casamento de sua irmã. Senta é cheia de histórias e de idéias estranhas, que Phillipe credita ao seu excesso de imaginação. Ela acha que ele está aquiescendo, e segue adiante com suas fantasias – que talvez sejam mais concretas do que aparentam. Como sempre num bom Chabrol, o que está em jogo aqui é a natureza espontânea da obsessão e do mal. Um recado para a distribuidora, porém: impedir que se pulem os trailers é desrespeito para com o espectador.

 

DISCOS

Broken Boy Soldiers, The Raconteurs (Sum) – O quarteto foi anunciado como o primeiro supergrupo da história do rock alternativo dos Estados Unidos. Ele reúne Jack White, cantor e guitarrista do White Stripes, e Brendan Benson, artista de bastante prestígio entre a crítica americana, além de dois coadjuvantes de luxo – o baixista e o baterista da banda Greenhorns. O resultado soa como um White Stripes bem tocado (e quem ouviu Meg White, parceira de Jack na banda, sabe quão ruim um instrumentista pode ser). Broken Boy Soldiers é uma boa coleção de blues e faixas de acento country, nas quais Jack exercita sua habilidade em imitar o Led Zeppelin. Ele se apropria dos riffs de guitarra de Jimmy Page e emula os agudinhos do cantor Robert Plant em Blue Veins e na canção que dá título ao álbum.

Show Your Bones, Yeah Yeah Yeahs (Universal) – Ao lado do quinteto The Strokes, esse trio faz parte da nova geração de roqueiros nova-iorquinos. Seu trunfo é a cantora e letrista Karen O, alçada à condição de símbolo sexual depois de estrelar o comercial de uma badalada marca de tênis. Karen é uma espécie de versão rejuvenescida de Siouxsie Sioux, a primeira-dama do punk inglês nos anos 70, e o novo CD funciona como continuação do seu disco de estréia: se no excelente Fever to Tell ela falava de relacionamentos amorosos, Show Your Bones revela que os romances terminaram da pior maneira possível, num festival de brigas e separações devidamente sublinhado pela guitarra cheia de efeitos de Nick Zinner.

 

LIVROS

As Memórias de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar Editor; 432 páginas; 89,50 reais) – O volume reúne doze contos que o escocês Conan Doyle (1859-1930) publicou originalmente na revista Strand. No último deles, O Problema Final, de 1893, Sherlock Holmes morre em um embate com seu grande inimigo, professor Moriarty – o "Napoleão do crime". A morte do detetive gerou imensos protestos entre os leitores. Doyle ressuscitaria seu grande personagem em um conto de 1902. A presente edição traz notas históricas do estudioso "sherlockiano" Leslie Klinger, que esclarecem os detalhes históricos e culturais dos contos, e ilustrações originais da revista Strand. Leia trecho.

 
Paul Jawthorne/AP
Alice Munro: mulheres em busca de uma saída  

Fugitiva, de Alice Munro (tradução de Sergio Flaksman; Companhia das Letras; 392 páginas; 45 reais) – O escritor americano Jonathan Franzen, autor de As Correções, certa vez disse que Alice Munro é "a melhor escritora de ficção em atividade na América do Norte". É claro que há um tanto de exagero na afirmação – mas a autora canadense de fato conhece seu ofício. Os oito contos de Fugitiva traçam vigorosos perfis de mulheres que tragicamente não conseguem se liberar de um cotidiano limitador e mesquinho. No belo conto-título, por exemplo, a protagonista, Carla, arrisca abandonar Clark, o marido turrão e medíocre, mas no meio da fuga perde a coragem e dá meia-volta – só para descobrir que Clark é ainda mais cruel e dissimulado do que ela poderia imaginar. Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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