Edição 1962 . 28 de junho de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja.com
Veja essa
Auto-retrato
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Enquanto o homem não aprender que ele é apenas uma concessão da natureza, continuaremos reféns dessa realidade catastrófica."
Mauro Xavier Biazi
Guarapuava, PR

Aquecimento global

A reportagem "Apocalipse já" (21 de junho) é um alerta que é ouvido por aqueles que, além dos problemas do dia-a-dia e das múltiplas distrações, fazem esforço para vislumbrar o futuro global e se sentir parte da consciência planetária.
José Tubino
Representante da FAO no Brasil
Brasília, DF

Em 50.000 anos, desde o surgimento do homem na Terra até 1950, o planeta acumulou 2,5 bilhões de habitantes. De 1950 a 2005, aumentamos esse número para 6,5 bilhões, ou seja, mais 4 bilhões de habitantes em apenas 55 anos. Esse é o sinal do apocalipse, o resto é conseqüência.
Wagner Lisso
Valinhos, SP

Ficou clara a responsabilidade dos seres humanos com a conservação do planeta. Sou professora de educação infantil e já multiplico minha preocupação com o mundo de amanhã e com o que faremos agora para cuidar dele. O desenvolvimento sustentável está aí, e acredito que nós, educadores, temos o dever de saber o mínimo sobre o assunto, além de conhecer um pouco das novas leis ambientais. Os agentes do futuro estão em nossas mãos e precisarão saber como salvar o planeta que nós deixamos doente.
Karina Suelen Pereira
São José dos Campos, SP

Se a solução para os problemas ambientais viesse do país que possui em seu território a maior floresta tropical do planeta e boa parte da diversidade biológica mundial, estaríamos fritos. Neste país, o órgão que deveria defender tal natureza exuberante é passivo, omisso diante da declaração de que desmatar não é crime, é progresso, feita por um plantador de soja em rede nacional de TV. Neste país, ambientalistas são ameaçados de morte na internet, são presos por protestar. Neste país, falta educação e sobra ambição, e é fácil então compreender a causa de tanto desrespeito à natureza.
Juliana Lucena
Fortaleza, CE

O modelo de civilização construído pela sociedade moderna tem consolidado a tendência ao desequilíbrio ambiental. Esse modelo vem levando, por exemplo, ao desperdício de energia e à desestabilização das condições de equilíbrio por razões de ordem biológica, social, política, cultural, econômica. Não podendo criar as fontes que satisfazem suas necessidades fora do ambiente natural, o homem impõe uma pressão cada vez maior sobre esse ambiente.
Juliana Lacorte Cazoto
Jaú, SP

Sou professora de biologia, de ensino médio e superior, há vinte anos. Há muito tempo venho acompanhando as reportagens de VEJA sobre o desequilíbrio do planeta. É angustiante saber que deixamos para nossos descendentes um planeta agredido e desrespeitado que apenas reage à forma como é tratado. Se respeitarmos a natureza, ela nos responderá com harmonia.
Maria Luzenita Wagner Mallmann
Maceió, AL

 

Silvio de Abreu

A entrevista com o grande autor de novelas Silvio de Abreu (Amarelas, 21 de junho) foi uma das melhores dos últimos tempos. Deu para conhecer melhor o que pensa o homem que faz mais de 30 milhões de telespectadores tentar descobrir quem é o filho de Bia ou quem é o assassino de Belíssima. Parabéns, Silvio, pelo sucesso de sua obra.
Marcos Gagliasso
Presidente do Instituto Globo de Dramaturgia
Santos Dumont, MG

Lendo a entrevista de Silvio de Abreu é que pude entender o porquê do alto índice de aprovação do governo Lula. É triste chegar à conclusão de que para o povo brasileiro não importam os meios que o levaram ao poder, mas sim o poder. Como disse o ilustre autor de Belíssima, "as pessoas querem subir na vida e dane-se o resto". A honestidade e a moral viraram palavras em desuso.
Andresa Vitorino Garcia Ribeiro
Araranguá, SC

O autor de Belíssima se diz chocado com a descoberta de que o público mudou seu modo de encarar os desvios de conduta dos personagens. Isso é o reflexo da sociedade em que vivemos, já que exemplos não faltam, começando por Lula e sua gangue.
Edson José de Azevedo
Joinville, SC

Beleza e dinheiro são mais importantes que honestidade e escolaridade. Se nada mudar, vai chegar uma hora em que não teremos como distinguir qual é o folhetim, o da TV ou o da vida real.
Mônica Delfraro David
Campinas, SP

 

Carta ao leitor

Sou leitor da revista VEJA desde a década de 80, quando cursava administração de empresas, morava em uma pensão e dividia o mais recente exemplar da revista com outros onze colegas. Desde aquela época, lê-la aos domingos é um hábito, que hoje compartilho com minha esposa e procuro incutir em minha filha de 14 anos, pois VEJA é a revista mais completa do país. Suas informações são confiáveis e imparciais. Por isso, não me espanta VEJA ser citada nas páginas da imprensa mundial, pois já a reconheço como a melhor revista do Brasil e ela certamente está entre as melhores do mundo. Em uma época em que nossos políticos corrompem e são corrompidos (e nosso presidente finge nada saber), VEJA resgata nosso orgulho ("VEJA nas páginas do mundo", Carta ao leitor, 21 de junho).
Clóvis Roberto Benedetti Lourenço
Bauru, SP

VEJA é, e será por muitos anos, a única revista brasileira com ressonância planetária. É por isso que a encontramos nas melhores bancas de revistas das maiores cidades do mundo. Meus efusivos parabéns a todos os colaboradores desse excelente semanário.
Pedro Tavares de Lucena
Brasília, DF

Meu pai, um dos primeiros médicos do estado de Santa Catarina, já assinava essa conceituada revista, por ter absoluta convicção de sua imparcialidade e compromisso com a verdade. Além de VEJA, ele era assinante da Time, isso nos idos de 80. Com ele, aprendi a valorizar a boa leitura. Daí surgiu não um médico, mas um advogado que preza o próximo, luta pela pátria e pela verdade, busca sempre a igualdade, a justiça e o respeito pelas leis. Nesses meus catorze anos de advocacia vivi com o que aprendi de meu pai, além de fazer valer, acima de tudo, o que nossa Constituição dispõe. Como sempre, acompanhei o que VEJA publica, desde minha infância até a faculdade, utilizando suas matérias em meus trabalhos. Finalmente: "Sem uma imprensa forte e independente, é improvável que os anseios da sociedade prevaleçam".
Fernando Mayerle
Blumenau, SC

 

De olho na reeleição

Afinal de contas, as empresas públicas são entidades independentes ou apenas um braço do governo, que serve, entre outras coisas, como palanque para políticos inescrupulosos? Excelentíssimos senadores e deputados, já passou da hora de encerrar esse tipo absurdo de uso da máquina do Estado. Seja por meio de leis que inibam a apropriação indébita dos feitos das estatais por parte do governo, seja por meio de mais privatizações ("Os vôos da reeleição", 21 de junho).
Aldebaran Perseke
São Paulo, SP

Lula faz as chamadas "inaugurações-fantasma" simplesmente por não ter obras (reais) suficientes para mostrar o que fez em seu governo.
Flaudísio Tolentino Filho
Montes Claros, MG

 

Fernando Gabeira

Quero cumprimentá-los pelo artigo "O guerrilheiro da lucidez" (21 de junho), muito oportuno nos dias de hoje. Há algum tempo esse lúcido parlamentar Fernando Gabeira vem chamando a minha atenção – e tenho certeza de que a de muitos outros brasileiros também –, especialmente depois da merecida descompostura no então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti. É extremamente positivo que um político com a história de Fernando Gabeira, ao contrário de muitos outros que seguiam a mesma ideologia, tenha amadurecido, revisto seus conceitos e se tornado uma força confiável dentro da Câmara dos Deputados. Fernando Gabeira para presidente!
Raul P. Fischer
São Paulo, SP

O perfil apresentado no artigo concomitantemente à reportagem de capa ("Os sinais do apocalipse") alertando sobre os problemas ligados à ecologia mostra que Fernando Gabeira, com seu PV, está muitos anos à frente de seu tempo. Tenho 55 anos, fui seu eleitor quando meu título era do Rio de Janeiro e teria enorme prazer em votar nele novamente, só que desta vez para presidente. Tenho certeza de que não teria decepção, como venho tendo ultimamente.
Geraldo S. Chaves
Campinas, SP

No "pântano de Brasília" (Congresso Nacional), o deputado Fernando Gabeira parece ser uma espécie de "flor-de-lótus" (flor sagrada dos hindus que se mantém sempre limpa apesar de nascer no meio do pântano). Esse político de "passado agitado", cigarrinhos proibidos, fala mansa e gestos calmos precisa dizer a seus pares que um bom político é aquele que não só não rouba como também não deixa que roubem. Parabéns, deputado. A maioria (lá, do "pântano") deve invejá-lo pela coragem e determinação.
Mirna Machado
Atibaia, SP

 

Terror biológico

Cumprimentamos VEJA pela reportagem "Terrorismo biológico" (21 de junho), que mostra membros do PT como responsáveis por introduzir a praga mortal da vassoura-de-bruxa no sul da Bahia, em 1989. Trata-se de uma denúncia gravíssima, que precisa ser apurada com urgência, a fim de que os supostos culpados por um crime de natureza hedionda como esse sejam rigorosamente punidos. A vassoura-de-bruxa praticamente dizimou cerca de 600.000 hectares de cacaueiros, deixando um rastro de desemprego, falência econômica e retrocesso social nos 150 municípios que formam a região cacaueira do sul da Bahia.
Fernando Gomes
Prefeito
Itabuna, BA

Estarrecido com a reportagem a respeito do terrorismo biológico na região cacaueira da Bahia, no primeiro momento pensei em fantasia, vingança do denunciante, criação anti-PT. Mas, vendo o nome dos participantes e conhecendo de perto o modo de atuar das pessoas citadas, infelizmente sei que não praticam os limites do bom senso ou o respeito à história do cacau e ao patrimônio privado. Que as necessárias e aprofundadas investigações não parem como as anteriores, pois o bem-sucedido terrorismo se constitui num verdadeiro crime de lesa-pátria. A região sabe que a vassoura-de-bruxa foi implantada por mãos humanas e que os citados são capazes do feito.
Ubaldo Dantas
Ex-prefeito
Itabuna, BA

Na condição de membro do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau e à época produtor e chefe de sua representação em Rondônia, quero registrar que, assim que foi iniciada a produção de cacau em escala comercial naquela região, logo se instalaram compradores vinculados a comerciantes de Itabuna e Ilhéus nos principais pólos produtores: Ariquemes, Jaru e Ouro Preto D'Oeste. Esses comerciantes espoliavam os produtores locais ao comprar a produção com um deságio muitas vezes superior a 30% do preço no mercado nacional e, sem adotar medidas preventivas, burlavam as barreiras fitossanitárias estabelecidas pela Ceplac e cruzavam o país até a Bahia, em busca do porto exportador em Ilhéus. No percurso, geralmente nos fins de semana, iam espalhando esporos de Crinipellis perniciosa, a vassoura-de-bruxa. Não é à toa que o próprio mapa que ilustra a reportagem aponta como principais focos locais ao longo do eixo da BR-101. Tudo isso foi por mim denunciado em sessão do CNPC com a exibição, inclusive, de sacaria própria para a exportação do cacau, que os comerciantes usavam para ensacar o produto contaminado, onde se lia "Cacau do Brasil – Ilhéus – Bahia" com a indefectível tarja verde-e-amarela em diagonal. Pois era assim que o cacau saía de Rondônia.
João Mendonça de Amorim Filho
Brasília, DF

 

Claudio de Moura Castro

O artigo "A idolatria do diploma" (Ponto de vista, 21 de junho) ilustrou de forma magistral, e até mesmo engraçada, a veneração que a sociedade tem por uma simples folha de papel. Conheço muitos formados que, mesmo com um diploma renomado, não têm o mínimo de competência. Em contraposição, conheço pessoas que, sem nunca ter entrado em uma faculdade, desenvolvem trabalhos primorosos. No entanto, para essas falta aquele "atestado de capacidade". Dependendo das circunstâncias, o diploma tem certa importância, mas apegar-se a ele é um erro, pois esse documento ainda não é prova de competência.
André Ricardo Gravatá
Embu das Artes, SP  

Por não ter diploma de mestrado, não pude dar aulas nas universidades de Florianópolis. Fiz pós-graduação na Coppe/UFRJ em mecânica dos solos, fundações e obras de terra, outra pós-graduação, esta lato sensu, em engenharia de produção no INT/UFRJ e atualmente estou prestes a concluir a terceira, em gestão empresarial. Além de todos esses cursos, minha vida profissional foi voltada para projetos e obras de usinas hidrelétricas e eu gostaria de repassar esses conhecimentos aos alunos universitários. Não posso!
Trajano José Lopes de Oliveira
Florianópolis, SC

 

Galvão Bueno

Graças ao seu ufanismo, a seus gritos histéricos, comentários inconvenientes, bordões maçantes e a essa idolatria insuportável pelo jogador Ronaldo, ele virou motivo de piadas até na própria emissora – vide "Gavião Bueno". Agora, pior do que ouvir o Galvão deve ser trabalhar com ele. Pelo menos a gente tem a opção de tirar o som da TV ("Bola dividida", 21 de junho).
Carlos Augusto Carvalho
Salvador, BA  

Galvão Bueno quer bater o escanteio e cabecear ao mesmo tempo. Ele é o dono da verdade, não há necessidade de especialistas para comentar o jogo. Infelizmente a Globo monopoliza as transmissões esportivas no país, e somos obrigados a aturá-lo. Está na hora de a Globo colocá-lo no banco de reservas e renovar seu elenco de locutores. O Galvão foi mais xingado no Mineirão que a seleção da Argentina por ocasião das eliminatórias para a Copa do Mundo. Isso a Globo não mostrou. Ninguém merece!
Sebastião Donizétti Ribeiro
Pouso Alegre, MG  

Eu não fico só na vontade de desligar o som da TV nas transmissões do Galvão Bueno, eu desligo o som, fico com a imagem e ouço qualquer emissora de rádio.
Neusa M. Stranghette
São Paulo, SP

 

JOVEM ASSINANTE


Felipe Martins Greiner, de 15 anos, morador de Curitiba, já era assinante das revistas Superinteressante e Mundo Estranho, ambas da Editora Abril, e há um mês assinou VEJA. "Gostei muito, principalmente das seções de livros e cinema." Irmão coruja, ele enviou à redação a foto de sua irmã caçula, Maria Clara Martins, de 7 meses, brincando com a revista. "Espero que ela aprenda o importante valor da leitura e que leia VEJA assim como as demais", diz Felipe.

 

SILVINHO QUIABO

Joedson Alves/AE
Silvinho Pereira: Quiabo do Ano


Arlei Coqueiro, procurador da prefeitura de Paraopeba, em Minas Gerais, comunica a premiação de Silvinho Pereira com o troféu Quiabo do Ano. Situada na região central de Minas, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, Paraopeba é, segundo a Emater, a campeã nacional da produção de quiabo, com 2 800 toneladas em 2005. O prêmio Quiabo do Ano, ou Kiaboo Prize, foi instituído para homenagear figuras que se destacam pela habilidade de "se esquivar de problemas e de não assumir o que dizem e fazem". Sendo assim, Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, que deu entrevista reveladora ao jornal carioca O Globo e uma semana depois negou tudo na CPI, foi honrado com uma caixa de 40 quilos da leguminosa, entregue na sede do PT. A escolha de Silvinho ocorreu durante a I Festa Nacional do Quiabo, no início do mês, quando se comemoraram os 94 anos de fundação do município.

 

 
 
 
 
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