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Carta ao leitor
O juiz está de olho
André Dusek/AE
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| O TSE em sessão: não aos abusos |
Não será por omissão do
juiz que o jogo eleitoral que se avizinha perderá sua legitimidade.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem dado repetidas provas de
seu comprometimento com a lisura na disputa presidencial. Em especial,
o TSE vem marcando de perto o concorrente com mais força,
recursos e ousadia para tentar burlar a legislação
eleitoral em vigor, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula
da Silva. Na semana passada, por 6 votos a 1, os ministros do TSE
consideraram ilegal o aumento de salário concedido pelo governo
federal a cerca de 160.000 servidores públicos.
O tribunal baseou sua decisão em uma
lei de 1997 cujo texto veda aumentos a funcionários quando
são concedidos depois de março de um ano de eleições
gerais. A razão é de simples entendimento e foi explicada
de modo cristalino pelo TSE: os aumentos assim dados visam à
"obtenção da simpatia de grande parcela de eleitores
formada pelos servidores públicos". Em outras palavras, trata-se
da compra de consciências, que, no entender do tribunal, equivale
à tentativa de compra de votos. Os aumentos terão
de ser anulados ou Lula corre o risco de ver sua candidatura tisnada
por um processo de impugnação.
Toda disputa precisa de regras claras e igualdade
de chances para os dois lados. O presidente Lula tem usado e abusado
dos recursos de propaganda e de transporte da Presidência
da República, o que lhe dá quase o dom da ubiqüidade:
sua imagem aparece em diversos lugares ao mesmo tempo no decorrer
de um único dia. Que o TSE se mexa para conter esse abuso
é um sinal de progresso institucional que interessa a todos
os eleitores.
Há duas semanas, para uma entrevista
publicada nas páginas amarelas, o jornalista Policarpo Junior,
da sucursal de VEJA em Brasília, perguntou ao ministro Marco
Aurélio Mello, presidente do TSE, o que mais o preocupava
nas eleições deste ano. A resposta de Mello: "A preservação
de um campo que viabilize uma disputa em igualdade de condições
entre todos os candidatos, embora seja difícil imaginar esse
cenário com um candidato à reeleição
permanecendo na cadeira da Presidência. Isso é uma
vantagem incrível". Pois que ele continue cuidando de preservar
essa igualdade de condições. Será merecedor
do aplauso de todos os brasileiros.
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