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Auto-retrato
Carlos Gutiérrez
Junko Kimura/Getty Images
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O secretário de Comércio dos Estados Unidos é
o negociador-chefe de seu país nas questões que envolvem
negócios internacionais. Portanto, o homem com quem o Brasil
deve conversar sobre as divergências comerciais entre os dois
países. Nascido em Cuba há 52 anos, ele foi presidente
da Kellogg, a multinacional dos cereais matinais. No cargo desde
2005, Carlos Gutiérrez falou ao editor Diogo Schelp no Rio
de Janeiro.
AS CONVERSAÇÕES
SOBRE A ÁREA DE LIVRE-COMÉRCIO DAS AMÉRICAS
FRACASSARAM. POR QUE A ALCA AINDA FAZ PARTE DA RETÓRICA DO
GOVERNO AMERICANO?
A colaboração, a integração e a
parceria entre os países do continente fazem sentido para
nós. O mundo está ficando mais competitivo e há
integrações regionais em diferentes lugares. É
justo que a população americana se beneficie da prosperidade
que essa integração pode trazer. Chame-a de Alca ou
como quiser.
AINDA É POSSÍVEL
CRIAR A ALCA?
Apesar do posicionamento contrário à Alca na
Cúpula das Américas de Mar del Plata, continuamos
a buscar acordos de livre-comércio. Os treze anos do Nafta,
a área de livre-comércio entre Estados Unidos, México
e Canadá, já demonstraram como esse tipo de acordo
produz benefícios mútuos. Nosso volume de comércio
com o Chile aumentou 80% com o acordo bilateral. Temos acordos semelhantes
com o Peru e a Colômbia e estamos em negociação
com o Panamá. Concluímos recentemente a área
de livre-comércio com a América Central, o Cafta.
HÁ SENTIDO EM FAZER
ACORDOS BILATERAIS COM PAÍSES MENORES E DEIXAR DE FORA O
BRASIL, QUE TEM O MAIOR MERCADO?
O Brasil representa um grande mercado. Reconhecemos sua influência
econômica nas Américas e no mundo. Seria melhor com
o Brasil? Sim. Mas, se não temos o Brasil, precisamos seguir
em frente.
QUAIS SÃO OS OBSTÁCULOS
NAS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS?
Devemos partir da premissa de que há aspectos positivos
nessa relação comercial de 40 bilhões de dólares.
Os presidentes Lula e Bush criaram uma relação próxima
e a parceria aumentou. Os Estados Unidos são o país
que mais investe no Brasil e seu principal parceiro comercial. Muito
ainda pode ser feito para aumentar esse comércio. Precisamos
melhorar a estrutura logística, como na área portuária,
para ampliar as exportações de um país para
o outro. Temos também de trabalhar juntos na área
de propriedade intelectual.
QUE ARGUMENTOS O SENHOR USARIA
PARA CONVENCER OS BRASILEIROS DE QUE ELES TAMBÉM SE BENEFICIAM
COM O COMBATE À PIRATARIA DE PRODUTOS ESTRANGEIROS?
Os brasileiros são inovadores. O Brasil cresceu e evoluiu
de um país que dependia de commodities para uma nação
que agora vende produtos de valor agregado. É líder
em energia e está fabricando aviões. Proteger a propriedade
intelectual é do interesse dos negócios e dos trabalhadores
brasileiros.
OS ESTADOS UNIDOS BUSCAM ALTERNATIVAS
AO PETRÓLEO E O BRASIL É O MAIOR PRODUTOR DE ETANOL.
POR QUE ENTÃO COLOCAM RESTRIÇÕES À IMPORTAÇÃO
DE ÁLCOOL BRASILEIRO?
Reconhecemos os avanços do Brasil na área energética.
O presidente George W. Bush disse que um dos elementos de nossa
estratégia energética é diversificar, o que
certamente inclui o uso do etanol. Ainda estamos estudando o que
fazer em relação a esse tema. Há várias
opções, entre elas uma colaboração mais
estreita com o Brasil.
O AVANÇO ECONÔMICO
CHINÊS PREOCUPA O GOVERNO AMERICANO?
Devemos nos preocupar em ser mais competitivos, produtivos
e eficientes. A economia americana cresceu 3,5% no ano passado e
o desemprego está abaixo da média das últimas
quatro décadas. Como conseguimos esse desempenho? Por meio
da competição, tentando ser o mais produtivos possível,
abrindo o nosso mercado e sendo receptivos aos investimentos estrangeiros.
A palavra hoje é competitividade. O desafio de qualquer mercado
é criar empregos e crescer. Essa é uma das razões
para acreditar que a colaboração, a parceria e a integração
da América nos ajudarão a ser mais competitivos.
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