LIVROS
Carlos Fenerich
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J. Miranda
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| Freyre:
reedição de luxo |
Intérpretes do Brasil,
vários autores (organização de Silviano
Santiago; Nova Aguilar; 4.701
páginas; 138 reais) O número de páginas
e o preço desta sugestão não devem
assustar ninguém. Estamos falando em nada menos do
que treze obras, reunidas em três volumes luxuosamente
editados. Se o leitor resolvesse comprar cada um desses
títulos separadamente, acabaria desembolsando muito
mais: algo em torno de 365 reais. Mas, para além
da pechincha, o que interessa mesmo é a qualidade
do material. Pois bem: todos os treze livros são
clássicos da cultura brasileira, tais como O
Abolicionismo, de Joaquim
Nabuco, Os Sertões,
de Euclides da Cunha, Casa-Grande
& Senzala, de Gilberto
Freyre, ou Raízes do
Brasil, de Sérgio
Buarque de Holanda. E não é só. Cada
um deles vem precedido de um ensaio especial, redigido por
um intelectual de peso. O resultado é em geral excelente
e ajuda a ler, ou reler, essas obras fundamentais de análise
do país. Destaque para o texto do historiador José
Murilo de Carvalho a respeito de As Populações
Meridionais do Brasil, de Oliveira Vianna. É
um excelente retrato intelectual do país no começo
do século.
A
Vida dos Insetos, de
Victor Pelevin (tradução de Lia Wyler; Rocco;
184 páginas; 23 reais) Embora os figurões
da crítica local o olhem com desconfiança,
procurando ignorá-lo quando não o atacam,
o russo Victor Pelevin é extremamente popular entre
os jovens de seu país. Seu último romance,
Geração P,
foi um grande best-seller no ano passado, com vendas de
200.000
exemplares. Pelevin é um dos poucos escritores russos
que conseguem viver exclusivamente de seu trabalho. É
também um personagem curioso, adepto do zen-budismo,
das calças de couro e dos óculos escuros.
Ao contrário de outros romancistas de seu meio, obcecados
pelo período anterior à queda do comunismo,
ele não fala muito sobre o passado soviético.
Prefere abordar os problemas do presente. A
Vida dos Insetos é
uma fábula política esquisita e divertida,
cujos personagens são insetos e humanos ao mesmo
tempo, que se metamorfoseiam no decorrer da história.
Entre os personagens, há mosquitos contrabandistas
de sangue, um besouro órfão e uma sedutora
formiga rainha.
DISCOS
Deutsche Grammophon
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J. Miranda
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| O inglês
Pinnock: fiel a Bach |
Concertos
de Brandemburgo, The
English Concert & Trevor Pinnock (Universal) Quem
perdeu as apresentações do regente inglês
e seu conjunto no Brasil, em maio passado, pode redimir-se
comprando esses dois excelentes CDs. Eles trazem na íntegra
um dos ciclos mais celebrados do repertório de Johann
Sebastian Bach (1685-1750). A gravação é
fiel ao espírito do compositor. A orquestra usa instrumentos
de época e faz uma bem equilibrada mistura entre
austeridade alemã e vivacidade mediterrânea.
Os Concertos de Brandemburgo
são uma homenagem do maestro de Leipzig à
música italiana. Essa dualidade transparece na interpretação
de Pinnock.
Third
World Cop, vários
intérpretes (Trama) O filme homônimo ainda
não estreou por aqui, mas isso é o de menos:
sua trilha sonora serve de vitrine para os novos talentos
da música jamaicana. Não se trata de reggae
tradicional. Os artistas do disco incorporam vibrantes ritmos
eletrônicos e fraseados de rap. Uma rapaziada insolente,
cujas letras que falam sempre de violência deixariam
Bob Marley de tranças em pé. Como Man
a Bad Man, em que a rapper
Lady G enumera as maldades de um facínora. Outro
destaque é a bela trilha instrumental, executada
pela dupla Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, nomes de ponta
da música pop negra.
TELEVISÃO
Trama Macabra
(Family Plot, Estados
Unidos, 1976. Sábado às 21h45, no Telecine
3) Na época de seu lançamento, o último
filme de Alfred Hitchcock (1899-1980) foi recebido com sorriso
amarelo pelos críticos seria, para eles, uma obra
menor do mestre do suspense. Trama
Macabra realmente não
tem o ritmo sufocante de Psicose
ou Frenesi.
Mas não se engane:
trata-se de um filmaço de mistério. Sua amalucada
história envolve uma vidente charlatã, seu
namorado taxista, um joalheiro bandidão e sua parceira
no crime. Estreando só agora na TV por assinatura,
a fita contém qualidades insuspeitas do cineasta,
como os planos longos e os diálogos sutilmente sarcásticos.
É de arrepiar.
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OS
MAIS VENDIDOS Crítica
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Por
muito tempo, o único produto de exportação
da Noruega foi o bacalhau. Hoje, o país pode
orgulhar-se também dos livros de Jostein Gaarder.
Esse ex-professor secundário alcançou
a fama em 1991, depois de lançar o romance
juvenil O Mundo de Sofia.
Desde então,
tudo que faz é sucesso. Nada muda com este
O Livro das Religiões
(tradução
de Isa Mara Lando; Companhia das Letras; 315 páginas;
26,50 reais), que Gaarder escreveu em colaboração
com outros dois autores nórdicos, Victor Hellern
e Henry Notaker. O livro aparece há seis semanas
na lista de mais vendidos de VEJA.
Assim
como O Mundo de Sofia
procurava expor aos
adolescentes a história e os conceitos mais
importantes da filosofia, O
Livro das Religiões descreve
as crenças de diferentes épocas e de
diferentes povos. O primeiro livro tinha um enredo
ficcional com toques de mistério, enquanto
este novo lançamento tem formato de ensaio.
É mais para os jovens consultarem de vez em
quando, se quiserem ter uma idéia do que seja
sufismo ou xintoísmo, do que para lerem de
uma tacada só. Seu aspecto mais simpático
é a ausência de preconceitos, a adoção
de uma perspectiva pluralista com relação
às religiões. O livro não procura
doutrinar ninguém exceto, talvez, na idéia
de que a tolerância deve ser cultivada. Uma
palavra sobre a versão nacional: a editora
tomou o cuidado de convidar um cientista social, Antônio
Flávio Pierucci, para redigir um apêndice
a respeito das religiões afro-brasileiras.
Uma ótima iniciativa, que torna o livro mais
completo do que o original.
Carlos
Graieb
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