Edição 1 655 –28/6/2000

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Lauro Jardim

 

Chico Caruso/O Globo

Enquanto isso, no arraial daquela festa junina


– Segue o baile!

ECONOMIA

Negócio da China
O empresário baiano Nelson Tanure fez um dos melhores negócios dos últimos tempos. Há dois anos, comprou por 2 milhões de reais a Docas, empresa que detinha o controle do Banco Boavista até 1997. Em seguida, entrou com uma ação judicial que acabou emperrando a venda do banco ao Bradesco. Para desistir do litígio, aceitou receber 130 milhões de reais. Se descontarmos outros 2 milhões de reais que ele gastou com seus advogados durante o processo, fecha–se uma conta impressionante: Tanure tirou uns 126 milhões de reais limpinhos na operação.

Declaração de guerra
As relações da Previ com o banco Opportunity se esgarçaram de vez. O motivo são as divergências na parceria entre os dois na área de telefonia. Um diretor do poderoso fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil diz que as portas da Previ estão fechadas para o Opportunity. "Vão ser tratados na base da borduna", foi uma das frases mais gentis ditas pelo alto comando da Previ na semana passada.

De volta
André Lara Resende, que estava na muda desde que deixou a presidência do BNDES, há dois anos, prepara sua volta ao mercado financeiro.

Jogo em conjunto
Na surdina, a Volkswagen entrou no Cade com uma representação contra os fabricantes de aço. A acusação é de cartel pesado: as siderúrgicas teriam aumentado o preço do aço no mesmo dia e nos mesmos valores.

Inferno astral
Quando foi obrigado a deixar a Vale do Rio Doce, no mês passado, Benjamin Steinbruch não gostou, é claro. Mas, pelo menos, restou–lhe a CSN. Agora, Steinbruch receberá uma nova má notícia: o BNDES já decidiu que só concederá financiamento para que o empresário compre as participações do Bradesco e da Previ na CSN se ele aceitar um sócio estratégico para a empresa – idéia que, só de ouvir, dá urticária em Steinbruch.

 

INTERNET

Tentativa de emergir
O Submarino bateu à porta da Musimundo, um site argentino com características semelhantes às suas. Está propondo uma união de forças.

 

EDUCAÇÃO

Menos mau
No Censo do Ensino Superior, que o Ministério da Educação divulga nesta semana, um dado chama a atenção. Cresceu 40% o número de matrículas nos cursos noturnos das universidades federais nos últimos cinco anos.

 

ENERGIA NUCLEAR

De mal a pior
A INB, filhota da antiga Nuclebrás, acaba de ser reprovada em mais dois testes internacionais: teve devolvida uma partida de parafusos de alta precisão pela Westinghouse por falta de cumprimento das normas técnicas. Perdeu a chance de ser fornecedora internacional da empresa americana. Para a espanhola Enusa, mostrou–se incapaz de produzir bocais para suas usinas. Essas duas encomendas viabilizariam a existência da INB. Quem comanda o desastre é Roberto Franca, o presidente de estatal mais longevo do Brasil, ungido por Collor.

 

IMPRENSA

Mudança no time
Os controladores do diário esportivo Lance! (entre eles Organizações Globo, Icatu e Bozano, Simonsen) estão negociando a entrada de um novo parceiro no jornal. Se a operação for fechada, um ou dois dos atuais sócios cai fora.

 

GOVERNO

O paladino da classe trabalhadora
Pegou mal, muito mal mesmo, no Palácio do Planalto a afirmação do secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, de que o governo tem de fazer "política econômica para os pobres e não para a classe média". Em uma época em que o governo FHC nada de braçada nos mares da impopularidade, tudo que ele não precisa é de alguém que o indisponha com mais gente ainda.

Mais uma superagência
O novo presidente do Cade, João Rodas, ainda nem tomou posse e já se aceleraram os estudos do governo para que o órgão seja exterminado. A idéia é criar uma superagência independente para regular a concorrência. Ela englobaria as funções do Cade e da Secretaria de Direito Econômico.

 

Colaboraram Eduardo Nunomura e Silvio Ferraz

 

Bola na urna
Eduardo Monteiro

Teixeira: a CBF fora da eleições

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garante que neste ano a entidade não apoiará nenhum candidato a prefeito nas eleições municipais. Ele não está falando de uma eventual subida em palanques. Até porque não se imagina que a CBF tenha votos para transferir para qualquer político. Apoio, nesse caso, é sinônimo de grana. Ela costuma soltar um dinheirinho para certos candidatos a cargos executivos – algo surpreendente para uma entidade civil criada para cuidar do futebol. Em 1998, por exemplo, ela doou 50.000 reais ao senador Hugo Napoleão, candidato derrotado ao governo do Piauí. Pelo visto, o milionário contrato da Nike com a CBF tem mil e uma destinações.