Final feliz
A série Pânico dá
a volta por
cima no último episódio
Isabela Boscov
Na década de 80, o diretor americano Wes Craven
reformulou os filmes de terror com A Hora do Pesadelo,
uma produção modesta que fisgou os adolescentes
o grande público do gênero com
sua mistura de sustos, sangue e insinuações
sexuais. Craven fez escola: a fita gerou uma batelada de
continuações e também de imitadores.
Depois, o cineasta caiu no esquecimento. Quatro anos atrás,
ele voltou à tona com mais uma sacada: Pânico,
um filme que fez sucesso justamente por brincar explicitamente
com todas as convenções do terror que o próprio
Craven inventara. Novamente, Hollywood foi na sua cola,
lançando subprodutos que ficavam muito a dever ao
original. Nem o diretor resistiu. Em 1997, fez Pânico
2, em que repetia sem muita imaginação
os truques do primeiro filme. Agora, porém, ele se
redime. Com Pânico 3 (Scream 3,
Estados Unidos, 2000), que estreou na sexta-feira no país,
ele prova que, quando dá tratos à bola, é
imbatível no casamento de horror com humor. O mote
continua o mesmo: um assassino mascarado persegue a jovem
Sidney Prescott (a atriz Neve Campbell) e seus amigos, interpretados
pelo casal David Arquette e Courteney Cox Arquette. Ou seja,
os sustos estão garantidos. Mas agora o diretor investe
ainda mais pesado na comédia. A melhor brincadeira
do filme é anunciar-se, sem maiores rodeios, como
o capítulo final de uma trilogia. "Nesses casos,
nenhuma regra vale, e até os protagonistas podem
ser assassinados", avisa um personagem. Será verdade?
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